The Legend of Zelda já provou duas vezes que sabe contar histórias sombrias e desenhar mundos adultos. Fez isso em Majora’s Mask, em 2000, e de novo em Twilight Princess, em 2006. Desde então, a série trocou esse caminho por um estilo cada vez mais estilizado, culminando no cel-shading suave de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Este artigo, publicado em setembro de 2026, defende que chegou a hora de a franquia voltar a arriscar um visual maduro e um enredo denso, e explica por que o remake de Ocarina of Time, anunciado para o Switch 2, é o momento certo para isso.
The Legend of Zelda sempre reinventou o próprio visual

Antes de argumentar a favor de um The Legend of Zelda mais maduro, vale reconhecer o óbvio: nenhuma franquia da Nintendo troca de estilo gráfico com a frequência dessa série. Cada geração de console trouxe uma aposta visual diferente, e é isso, não um estilo único, que define a identidade da série. Ocarina of Time apostou no realismo possível do Nintendo 64. The Wind Waker, em 2002, foi na direção oposta com o cel-shading cartunesco que dividiu a base de fãs no anúncio, mas se tornou um clássico com o tempo.
A resposta da Nintendo à recepção morna de Wind Waker nas vendas foi Twilight Princess: um Zelda deliberadamente mais realista, mais sombrio, com Link adulto e uma Hyrule tomada por uma névoa que suga a cor do mundo. Foi o pêndulo virando para o outro lado. Breath of the Wild, em 2017, encontrou um meio-termo técnico: um cel-shading híbrido, mais suave que o de Wind Waker, pensado para rodar um mundo aberto gigantesco tanto no Wii U quanto no Switch. Tears of the Kingdom manteve a mesma linguagem visual. Ou seja: a franquia já alternou entre extremos antes. Não seria a primeira vez que ela muda de novo.
Publi: Conheça BemTeVi a rede social 100% brasileira, que armazena seus dados no Brasil e não compartilha com plataformas estrangeiras. AH, e a Linha do Tempo voltou e os amados Depoimentos também.
Publi: Consultoria de CRM por Matheus Mello, Diretor de CRM na WPP
Majora’s Mask provou que Zelda aguenta peso

Dentro de The Legend of Zelda, Majora’s Mask segue sendo, mais de duas décadas depois, o ponto fora da curva mais citado da série, e por bons motivos. É um jogo sobre luto e sobre a incapacidade de salvar todo mundo. O ciclo de três dias, no qual Link revive repetidamente o mesmo período até o momento em que a lua despenca sobre Termina, funciona como metáfora do processo de luto: uma rotina que se repete, na qual cada vínculo criado é apagado a cada reinício. Termina inteira está de luto por algo, e é impossível ajudar todos antes do tempo acabar.
O Meta Galáxia já tratou Majora’s Mask como uma obra-prima do terror, e não é força de expressão. As transformações de Link em máscara, incluindo a Máscara da Divindade Feroz, e o rosto da própria lua caindo sobre a cidade são imagens que assustam crianças até hoje. Nenhum Zelda posterior chegou perto desse nível de desconforto deliberado, nem mesmo Twilight Princess, que é mais sombrio no tom geral, mas menos perturbador em momentos específicos.
O ponto aqui não é nostalgia. É que Majora’s Mask prova que o público de Zelda absorve peso emocional real sem que isso afaste o jogo do sucesso comercial e crítico. É um dos jogos mais analisados da história dos games justamente porque tem substância para sustentar essa análise.
O que Twilight Princess acertou visualmente

Dentro da linha do tempo de The Legend of Zelda, Twilight Princess levou essa maturidade para o visual. A paleta é terrosa, os inimigos têm desenho mais ameaçador, e a transformação de Link em lobo, resultado direto da magia do Crepúsculo que consome Hyrule, é usada como ferramenta narrativa de perda de identidade, não só de jogabilidade. A figura do Hero’s Shade, o fantasma de um herói esquecido que aparece em cenários gelados para ensinar golpes a Link, é um dos momentos mais silenciosamente melancólicos da série: um guerreiro cuja história ninguém mais lembra, condenado a repassar seu conhecimento a outro herói que também será esquecido.
É esse tipo de imagem, um design mais realista a serviço de um tema mais adulto, que Breath of the Wild e Tears of the Kingdom abandonaram em favor de um tom mais leve e aventuresco. Os dois jogos são excelentes em escala e liberdade, mas raramente arriscam desconforto. Ganondorf, o vilão mais antigo da franquia, virou um sorriso largo e falas quase cômicas em Tears of the Kingdom. É difícil imaginar uma cena como a queda da lua de Majora’s Mask dentro da linguagem visual atual da série.
O contraponto: por que a Nintendo não vai simplesmente voltar atrás
É preciso reconhecer o outro lado. O cel-shading de Breath of the Wild não foi só escolha estética: foi decisão técnica que permitiu ao jogo rodar em hardware modesto e ainda simular física e química num mundo aberto sem precedentes na série. Um visual hiper-realista, ao estilo de Twilight Princess levado ao extremo, custaria caro em tempo de desenvolvimento e tecnologia, algo que a Nintendo historicamente evita. Também há razão comercial: Zelda vende para um público amplo, incluindo crianças, e um tom consistentemente sombrio reduziria esse alcance.
Dito isso, maduro não é sinônimo de sombrio o tempo todo, nem de gráficos fotorrealistas. É possível ter um visual semi-realista, com texturas mais densas e iluminação mais dramática, sem abrir mão de rodar bem em hardware portátil, como o próprio Switch 2 permite. E é possível ter um enredo mais complexo sem fechar as portas para jogadores mais novos, do jeito que Majora’s Mask e Twilight Princess fizeram há vinte anos.
Por que o remake de Ocarina of Time é a oportunidade

Dentro desse debate sobre o futuro visual de The Legend of Zelda, em junho de 2026 a Nintendo anunciou um remake completo de Ocarina of Time para o Switch 2, o segundo refazimento do jogo depois da versão em 3D do Nintendo 3DS, de 2011. O anúncio veio com um trailer curto, sem data exata além de “2026” e sem gameplay detalhado, mas já mostrou uma reconstrução do jogo com novo motor gráfico e nova filosofia visual, incluindo o primeiro vislumbre de Young Link no novo estilo, segundo cobertura da Nintendo Everything.
É pouca informação, mas é suficiente para uma aposta: Ocarina of Time é o único jogo da franquia que já passou por Zelda infantil e Zelda adulto dentro da mesma aventura, com uma transição de tom entre as duas metades. Um remake que aproveitasse essa estrutura para aprofundar visualmente esse contraste, Hyrule mais viva e colorida no começo, mais castigada e sombria depois de sete anos sob o domínio de Ganondorf, seria a prova de conceito perfeita para o argumento deste texto. Segundo o Meta Galáxia (metagalaxia.com.br), se a Nintendo quer testar um estilo gráfico mais maduro antes de aplicá-lo a um jogo totalmente novo, o remake de um clássico já consagrado é o terreno mais seguro para arriscar.
Não é a única frente em que a franquia testa fôlego mais adulto. O filme live-action de The Legend of Zelda, também anunciado pela Nintendo, é outro sinal de que a companhia está disposta a levar a série para um público que já cresceu junto com ela.
O que fica desse raciocínio
Ninguém está pedindo que toda a franquia The Legend of Zelda vire uma série sombria para adultos. O argumento é mais simples: a franquia já provou, duas vezes, que consegue ser mais madura sem deixar de ser Zelda, e o público respondeu bem às duas tentativas. Abandonar de vez o cel-shading atual em favor de algo mais denso não é trair a identidade da série, é continuar fazendo o que ela sempre fez, reinventar o próprio visual a cada geração. O remake de Ocarina of Time, ainda sem data definida além de “2026”, é a chance mais concreta que a Nintendo tem no calendário para provar isso na prática.
Perguntas frequentes
Por que Breath of the Wild e Tears of the Kingdom usam cel-shading?
Principalmente por razão técnica: o estilo estilizado permitiu simplificar geometria e texturas para sustentar a física e a química de um mundo aberto gigante, rodando em hardware limitado como o Wii U e o Switch original.
Qual é o Zelda mais sombrio já lançado?
Majora’s Mask, de 2000, é o consenso entre fãs e crítica pelo tema do luto, pelo ciclo de três dias antes do apocalipse e pelas imagens perturbadoras, como a queda da lua sobre Termina.
O remake de Ocarina of Time já tem data de lançamento?
Não. A Nintendo confirmou o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time para o Switch 2 em 2026, mas não revelou data exata nem gameplay detalhado até o momento desta publicação.
Onde comprar: o remake de Ocarina of Time já está em pré-venda no Brasil. Veja onde encontrar Ocarina of Time na Amazon e, pela loja, garanta o bônus da versão Foil das primeiras compras pelo link direto: Zelda Ocarina of Time na Amazon Brasil. Link de afiliado: podemos receber uma comissão, sem custo extra para você.



































