Mil Vezes Boa Noite – Um filme sobre amor e dedicação incondicionais à profissão de alto risco em paralelo à preocupação familiar racional
Ano: 2014 (ano de lançamento) |
Título Original: A Thousand Times Good Night |
Dirigido por: Erik Poppe |
Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo) |
Um filme sobre amor e dedicação incondicionais à profissão de alto risco em paralelo à preocupação familiar racional.
O conteúdo contém leves spoilers
Rebecca (Juliette Binoche) é uma fotógrafa de guerra que viaja para zonas de conflitos a fim de registrar e denunciar os horrores vividos pela população local. Em diversas ocasiões, ela tem sua vida ameaçada pela proximidade com as histórias construídas sobre fanatismo, tráfico de pessoas, entre outras atividades que geram males fatais, interrompendo caminhos de adultos e crianças – já nos primeiros minutos de Mil Vezes Boa Noite, sentimos a concentração, tensão e adrenalina envolvidos na obra.
Mas, como um dos personagens diz, “suas fotos têm poder” e são capazes de reverter essas situações a partir da mobilização de órgãos com alcance internacional – que têm condições financeiras e militares para, se não corrigir, amenizar a vulnerabilidade instalada em determinadas comunidades. Depois de muitos contrastes entre cenas devastadoras e doces, chega um momento em que a protagonista se vê sem saída e tem sua inteligência emocional colocada à prova.
Ela precisa “escolher” entre diferentes amores: o das crianças que precisam dela para (sobre)viver e o de suas crianças. Diante de tal agonia, parece que a força mostrada em cenários caóticos, é reduzida consideravelmente.
O (não) companheirismo do marido tem grande peso, quiçá seja o maior, culminando no deslocamento de Rebecca, que, a princípio, tenta se adequar à rotina “ideal” de sua família, privilegiada por uma estrutura sólida. Mil Vezes Boa Noite envereda em tempo integral pelos relacionamentos interpessoais, tendo duas “explosões” emocionantes como ápices do enredo.
Durante o acompanhamento de sua evolução, nos damos conta que estamos diante de conflitos ordinários e extremamente atuais, por mais que a profissão da protagonista soe como “inusitada”: qual é o lugar da mulher em uma sociedade que valoriza, acima de tudo, a família? O egoísmo e os extremos guiam a sociedade para o caos familiar e cultural?
Aqui fica minha sugestão para quem gosta de um drama intenso e perfeito para suscitar reflexões. O filme está disponível na Netflix.
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• Fonte das fotos: Guia da Semana e Cinemascope
Por Nathalia Gorga