1° Temporada de One Piece – A Série (Análise)

Tempos atrás, ainda no lançamento, analisei o primeiro episódio da 1ª temporada de One Piece. Na época, acabei assistindo o restante da série e não cheguei a fazer uma análise da temporada como um todo. Para fazê-lo com coerência, após tanto tempo, decidi reassistir tudo do zero, também para poder trazer uma análise adequada da 2ª temporada.

Pensei, porém, que revisitar a primeira temporada poderia trazer à tona certos defeitos que eu não havia percebido originalmente. O que encontrei, na verdade, foi algo melhor do que eu lembrava, muito próximo da qualidade do material original criado por Eiichiro Oda.

É fã de One Piece ou quer conhecer a obra de Eiichiro Oda mais a fundo? Confira nosso Guia Completo de One Piece, com tudo que você precisa saber para acompanhar a obra e com crítica de cada um dos arcos e mídias!

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A 1° Temporada de One Piece como Adaptação

Ainda que uma crítica totalmente justa analisasse a série como uma obra individual, é impossível ignorar que estamos diante da adaptação de uma das maiores obras ainda em publicação no mundo.

One Piece possui um material base muito forte, quase um guia. Isso pode ser tanto uma bênção quanto um perigo. Existem muitas séries que possuem material adaptável e escolhem seguir um caminho próprio — e, em muitos casos, isso acaba se tornando uma armadilha. No caso de One Piece, no entanto, pequenas mudanças poderiam até funcionar como solução, visto o quão único e complexo é o mundo criado por Oda.

A obra original já é, por si só, excêntrica e difícil em alguns momentos, exigindo certa paciência do público, especialmente em seus primeiros cem capítulos.

Ao final do último episódio da 1° temporada de One Piece, a sensação é de que a série conseguiu transmitir os mesmos sentimentos do material original. Ela abraça aquilo que há de mais característico em One Piece: seus personagens únicos, seu mundo peculiar e sua abordagem focada na aventura e na descoberta.

A última cena, com cada personagem anunciando seus sonhos e objetivos, me trouxe uma sensação muito próxima da que tive ao assistir ao anime One Piece. Não apenas pela abordagem, mas também pela atuação do elenco, que claramente abraçou seus personagens e suas características.

Vantagens e Desvantagens do Live Action

Existem, porém, diversos pontos em que a série se aproveita de sua estrutura para melhorar aspectos que já funcionavam bem.

O primeiro deles é a alta qualidade dos cenários. Além de trazerem realismo às localidades do universo de One Piece, eles conseguem transmitir vida e naturalidade sem eliminar a magia da obra. O restaurante Baratie e a Vila Syrup são especialmente beneficiados por essa reconstrução cuidadosa do mundo.

Por outro lado, as locações mais fechadas raramente passam a sensação de estarmos realmente no meio do mar, com os perigos e o isolamento que isso representa na obra original.

Não considero que os cenários escuros sejam necessariamente um problema — entendo que muitas vezes servem para disfarçar limitações dos efeitos visuais. Ainda assim, existem momentos em que a escuridão acaba roubando parte da vida e da energia do universo de One Piece. A cena de Nami esfaqueando o próprio braço, por exemplo, perde um pouco de impacto visual, quase como se a série tivesse vergonha de mostrar plenamente o que construiu.

Os efeitos práticos ajudam bastante a dar peso e realismo ao que vemos em tela. Particularmente — talvez por já estar acostumado com o universo da obra — não acho que as bizarrices do anime, como o chapéu-cachorro usado por Garp ou outros detalhes curiosos, destoem tanto quanto poderia se imaginar.

Um ponto em que a série supera o anime, por exemplo, está nas coreografias de luta com espadas. Nesse aspecto, Zoro ganha destaque e as cenas de combate atingem um nível muito interessante. Não podemos dizer o mesmo de Luffy e dos demais personagens, que acabam tendo alguns de seus confrontos resumidos. Ainda assim, como as lutas nunca foram o principal foco de One Piece – especialmente nesse início -, isso não chega a ser um grande problema.

Vale destacar também o episódio envolvendo Kuro, que adiciona um clima de suspense e até mesmo de terror que eu gostaria de ter visto ser mais explorado.

Os Cortes Inevitáveis

O maior defeito do live action, como já era esperado, são os cortes.

O ritmo acelerado tem seus benefícios, como adiantar certos elementos da construção do mundo. A presença de Garp desde o início, por exemplo, funciona bem dentro da adaptação, antecipando discussões importantes do universo da obra e aprofundando a dinâmica entre piratas e marinha logo nos primeiros episódios.

Ainda assim, é inegável que a necessidade de encerrar a temporada em um clímax contra Arlong prejudicou a construção de alguns momentos.

A estrutura de episódios com cerca de cinquenta minutos também cria alguns problemas de montagem. Isso fica evidente principalmente no flashback de Zoro e em partes do arco de Sanji. Como resultado, alguns dos momentos mais emocionantes do mangá One Piece acabam não tendo o mesmo impacto dramático que poderiam ter.

A 1° Temporada de One Piece como Obra individual

Se fizermos um esforço e ignorarmos o fato de que se trata de uma adaptação, One Piece ainda se sustenta como uma ótima série.

Ela apresenta ao público um universo novo e bastante peculiar, transmitindo bem o quanto esse mundo é diferente de uma realidade comum. O visual é chamativo e estranho, mas também reforça a ideia de que estamos diante de algo único.

Como obra independente, oferece ao espectador uma alternativa bastante diferente do que normalmente encontramos em séries atuais, sem medo de apostar em aventura, humor e combates bem coreografados.

A série, no entanto, tropeça um pouco quando tenta dramatizar certos momentos. Iñaki Godoy apresenta uma atuação um pouco irregular nas cenas que exigem mais intensidade emocional, e algo parecido acontece com o Zoro de Mackenyu.

Quem realmente se destaca é Emily Rudd, que entrega uma Nami bastante convincente, equilibrando bem os diferentes tons da personagem — especialmente considerando que, depois de Luffy, ela é quem recebe o maior peso dramático da temporada.

Veridito da 1° temporada de One Piece

One Piece é uma obra difícil de adaptar — e, em muitos sentidos, difícil até mesmo em sua forma original.

Vê-la ganhar vida em live action com tanto cuidado e carinho é algo surpreendente. Mais do que isso, a série consegue funcionar como uma obra própria. Ainda que em alguns momentos pareça apressada, ela encontra um tom próprio e consegue transmitir a essência da história.

Em certos pontos, percebemos que Oda aproveitou a adaptação para corrigir pequenos rumos e antecipar elementos importantes, apresentando desde cedo aquilo que o universo de One Piece tem de mais interessante.

Não sei até que ponto uma obra tão extensa e complexa consegue sobreviver como série — ainda mais considerando o histórico de cancelamentos da Netflix. Mas posso dizer que, se continuar nesse ritmo, há potencial para que se torne algo realmente único.

No fim das contas, One Piece é uma história sobre sonhos e liberdade — e a primeira temporada consegue transmitir exatamente essa mensagem.

Aliás, a própria existência dessa adaptação funciona como um recado para a indústria. É possível adaptar um material complexo mantendo sua essência e, ao mesmo tempo, criando algo com identidade própria.

Uma pena que, para que isso aconteça, ainda seja necessário que os autores originais estejam fortemente envolvidos no processo. Quem sabe um dia a indústria aprenda… quem sabe.

ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Nota da temporada
8
Wesley Medeiros
Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul...Amante de infinitas coisas, desde animes, games, filmes, séries, música, futebol, literatura...Toda e qualquer uma dessas artes, mas, principalmente, a escrita, que torna minhas palavras imortais igual ao meu tricolor!
1-temporada-de-one-piece-a-serie-analise Tempos atrás, ainda no lançamento, analisei o primeiro episódio da 1ª temporada de One Piece. Na época, acabei assistindo o restante da série e não cheguei a fazer uma análise da temporada como um todo. Para fazê-lo com coerência, após tanto tempo, decidi reassistir...

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