
| Ficha Técnica | |
|---|---|
| Nome: Resident Evil – Vendetta | Ano: 2017 |
| Diretor: Takanori Tsujimoto | Gênero: Terror, Ação, Survival Horror. |
Seguindo o padrão dos filmes anteriores, o protagonismo de Leon é mais nominal do que narrativo. Assim como aconteceu com Claire e Ada nos outros longas, aqui a trama se conecta muito mais com Chris — e até com Rebecca Chambers — do que com ele. Ainda assim, há um esforço maior para inseri-lo de forma mais natural, evitando as coincidências mais forçadas vistas antes.
A história, porém, sofre com um problema recorrente: repetição. Para quem acompanha apenas os filmes, pode até parecer algo novo, mas dentro do contexto geral da franquia, a sensação de déjà vu é inevitável — e isso pesa contra o roteiro.
O peso do passado
O desgaste dos personagens é um dos pontos mais interessantes do filme. O discurso de Leon sobre a guerra interminável contra o bioterrorismo — intensificado após a perda de sua equipe — ecoa algo que já afetou Chris anteriormente.
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Essa abordagem funciona bem justamente por reconhecer o tempo de estrada da franquia. Esses personagens não são reiniciados a cada história. O cansaço é natural, e a pergunta implícita — “por que sempre nós?” — humaniza figuras que, ao longo dos jogos, se tornaram quase inabaláveis.
A intenção da Capcom aqui é clara: reduzir essa imagem de invencibilidade. O problema é que o filme não sustenta essa proposta até o fim.
O retorno de Rebecca
O retorno de Rebecca é, em teoria, um dos grandes acertos. Assim como Claire, ela seguiu um caminho diferente, usando seu conhecimento para combater o bioterrorismo como pesquisadora.
Mas a execução decepciona.
Apesar de seu histórico — incluindo sua experiência como membro da S.T.A.R.S ainda muito jovem — Rebecca é reduzida a um papel passivo. Sua participação se limita quase a uma “donzela em perigo”, o que soa como desperdício de personagem.
No fim, sua presença funciona mais como fanservice do que como parte essencial da narrativa. Considerando o desgaste dos protagonistas clássicos, ela poderia ter sido uma alternativa interessante para renovar a franquia.
Animação
Tecnicamente, o filme evolui. As cenas iniciais mostram isso com clareza e até criam uma expectativa maior — especialmente pelo clima mais contido, que poderia ter sido melhor explorado ao longo do filme.
Ainda assim, alguns problemas persistem. As roupas continuam destoando, mesmo que menos do que antes, e as expressões faciais ainda não são totalmente naturais. Chris é quem mais se destaca nesse aspecto, com uma expressividade bem superior ao restante do elenco.
Direção
A direção é irregular.
A abertura com Leon soa deslocada, funcionando mais como uma exigência de protagonismo do que como uma escolha orgânica. Depois, o filme passa a acumular cenas que quebram a lógica interna da própria franquia — algo que os longas anteriores, mesmo com falhas, tentavam evitar mais.
Por outro lado, há acertos pontuais. A cena do corredor é um ótimo exemplo, com uma direção bem trabalhada, bons ângulos e clareza na ação, mesmo com cortes rápidos.
O problema é que momentos assim entram em conflito com a proposta de humanizar os personagens. Ao mesmo tempo em que o roteiro tenta mostrar desgaste e fragilidade, a ação reforça justamente o oposto: Leon e Chris continuam praticamente inabaláveis.
Esse conflito de ideias enfraquece o impacto do filme. Existe uma tentativa de construir um arco mais dramático, mas ela é abandonada rapidamente.
Conclusão
Resident Evil: Vendetta é um filme mediano.
Tecnicamente, evolui bastante em relação a Degeneração. Em alguns aspectos, mantém o nível de Condenação. Mas, em termos de roteiro, é o mais fraco dos três.
Falta originalidade, sobra repetição e algumas boas ideias — como o desgaste dos personagens — não são levadas até as últimas consequências.
É um filme que tinha potencial para mais, mas acaba ficando no meio do caminho.
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