Review | Mobile Suit Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

Mobile Suit Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe é o Gundam mais bonito já produzido e, ao mesmo tempo, o mais exigente com quem chega sem lição de casa. O segundo filme da trilogia de Gundam Hathaway estreou nos cinemas do Japão em 30 de janeiro de 2026 e chegou à Netflix em 31 de agosto, dublado. Este review, publicado em setembro de 2026, avalia animação, som, batalhas e roteiro, e fecha com a nota do Meta Galáxia.

O veredito antecipado: 8,5 de 10. Uma obra-prima técnica que segura as armas por mais de uma hora para depois entregar o melhor duelo entre Gundams da década, com Guns N’ Roses nos créditos. O preço é um segundo ato lento e a dependência total do primeiro filme e do Século Universal.

Ficha técnica de Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

Título original機動戦士ガンダム 閃光のハサウェイ キルケーの魔女 (Kidou Senshi Gundam: Senkou no Hathaway, Kirke no Majo)
DireçãoShuko Murase
RoteiroYasuyuki Muto, a partir do segundo volume do romance de Yoshiyuki Tomino
EstúdioSunrise (Bandai Namco Filmworks)
MúsicaHiroyuki Sawano; abertura “Snooze” (SZA); encerramento “Sweet Child O’ Mine” (Guns N’ Roses)
Duração1h49
Estreia30 de janeiro de 2026 (Japão); 15 de maio (cinemas dos EUA); 31 de agosto (Netflix)
Elenco originalKensho Ono (Hathaway), Reina Ueda (Gigi), Junichi Suwabe (Kenneth)
Dublagem brasileiraIyuno Brasil, direção de Giulia de Brito: Yuri Tupper, Jeane Marie, Alexandre Drummond
Classificação14 anos

Onde a história pega

Hathaway Noa, lider secreto de Mafty, em arte oficial do filme Gundam Hathaway
Hathaway Noa, filho de Bright e lider de Mafty. Imagem: Sunrise / Bandai Namco Filmworks (divulgacao), via Gundam Wiki

Estamos no ano 105 do Século Universal, doze anos depois da rebelião de Char. Hathaway Noa, filho do capitão Bright Noa, lidera em segredo o grupo Mafty, que assassina autoridades da Federação Terrestre em nome de uma Terra sem a elite que a devasta. O filme abre com Hathaway a caminho de Oenbelli, onde uma facção local se autodenomina “primeiro exército de Mafty”, enquanto o coronel Kenneth Sleg prepara a defesa da Conferência de Adelaide e recebe uma proposta secreta da polícia criminal.

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É um capítulo do meio, e o roteiro de Yasuyuki Muto não finge o contrário. Nada é reapresentado: quem não viu o filme de 2021 não vai entender por que Hathaway carrega o peso de Quess Paraya, nem o que a garota Gigi Andalucia enxerga nele. Em compensação, quem viu recebe um filme que confia no espectador e gasta seu tempo com o que importa: a logística de uma guerrilha, as dúvidas de Kelia sobre a sanidade do líder, e a pergunta que dá título ao filme, se Gigi é aliada, ameaça ou a feiticeira Circe que desvia o herói do caminho.

Animação: o híbrido 2D e 3D mais convincente do gênero

RX-105 Xi Gundam, o mobile suit de Hathaway Noa, em arte oficial de frente
O RX-105 Xi Gundam: peso e escala tratados como arma, nao como personagem. Imagem: Sunrise / Bandai Namco Filmworks (divulgacao), via Gundam Wiki

Cinco anos separam os dois filmes, e a diferença está na tela. Em entrevista ao Cartoon Brew, Shuko Murase explicou que o CG entrou cedo na produção desta vez, para cuidar da iluminação e dos layouts, enquanto personagens e cenários continuaram desenhados à mão dentro de guias tridimensionais. O resultado é uma luz mais realista que a do primeiro filme e planos em que cortinas balançando ou a chuva sobre Oenbelli parecem filmagem. A crítica internacional foi unânime nesse ponto: o In Review Online chamou a animação de “estado da arte”, e o Rotten Tomatoes registra 92% de aprovação.

Os mobile suits, o Xi Gundam de Hathaway e o Penelope de Lane Aim, são tratados como máquinas de guerra, não como personagens. Têm peso, ocupam quarteirões, e cada disparo do canhão de feixe tem consequência no cenário. Os interfaces do cockpit, cheios de leitura de sensores, reforçam a sensação de que pilotar um desses é trabalho, e não heroísmo. Segundo o Meta Galáxia (metagalaxia.com.br), é a melhor tradução visual da proposta original de Yoshiyuki Tomino: Gundam é sobre gente presa dentro de armas.

Batalhas: uma hora de espera e um clímax que compensa

RX-104FF Penelope, o mobile suit da Federacao pilotado por Lane Aim, em arte oficial
O RX-104FF Penelope, adversario do Xi Gundam no clímax. Imagem: Sunrise / Bandai Namco Filmworks (divulgacao), via Gundam Wiki

O filme guarda as armas. Depois de uma abertura devastadora, um ataque a uma cidade visto pelos olhos de um civil no chão, a ação recua e só volta em força no confronto de Oenbelli, sob chuva torrencial, contra a Unidade Kimberley. É uma batalha curta e brutal, e o que vem depois dela, a descoberta das câmaras de tortura da unidade, é a cena mais pesada de toda a franquia recente.

O clímax é o duelo entre Xi Gundam e Penelope no deserto australiano. Murase filma tudo em vermelhos profundos de explosão, e a intensidade vem menos da coreografia e mais do medo: os dois pilotos sabem que estão em máquinas capazes de apagar uma cidade. É o tipo de sequência em que a sala inteira segura a respiração, e a razão de o filme ter ultrapassado 1 bilhão de ienes em cinco dias no Japão, com 602 mil ingressos, segundo o IMDb. A bilheteria fechou em 2,74 bilhões de ienes, acima dos 2,23 bilhões do primeiro filme.

Áudio: Sawano, SZA e Guns N’ Roses

Hiroyuki Sawano volta com uma trilha sinfônica contida, sem os coros bombásticos de Attack on Titan, e o desenho de som faz o trabalho pesado: o zumbido dos propulsores, o estalo dos escudos de feixe e o silêncio depois de cada explosão. A abertura traz “Snooze”, da cantora americana SZA, e a canção-tema interna é “ENDROLL”, de Yohei Kawakami com SennaRin.

A surpresa fica para o fim. Aos 1h40 de projeção, quando os créditos sobem, toca “Sweet Child O’ Mine”, do Guns N’ Roses. A Bandai Namco Filmworks anunciou a escolha no dia da estreia e a justificou pela letra, sobre a presença de uma mulher que muda tudo, em paralelo com o efeito de Gigi sobre Hathaway. A crítica se dividiu: o But Why Tho achou a escolha incongruente, o In Review Online disse que o riff de Slash fecha o filme “numa nota espetacular”. Concordamos com o segundo. Depois de 100 minutos de tensão contida, o hard rock de 1987 funciona como descarga, e a ironia de um hino de amor encerrando um filme sobre terrorismo político é bem Tomino.

Personagens: Gigi e Kenneth roubam o filme

Gigi Andalucia, a jovem de poderes Newtype que da titulo ao filme, em arte oficial
Gigi Andalucia, a Circe do titulo. Imagem: Sunrise / Bandai Namco Filmworks (divulgacao), via Gundam Wiki

Hathaway passa boa parte do filme fechado, e Kensho Ono sustenta isso com uma interpretação de poucas palavras. Quem cresce é Gigi. O roteiro dedica a ela uma longa montagem doméstica na casa que Kenneth lhe cedeu, e o que parecia interlúdio revela a estratégia da personagem: ela decide acelerar os próprios planos e parte para Hong Kong. O título não é metáfora vazia. Gigi é Circe, a feiticeira que prende o viajante na ilha, e o filme deixa em aberto se isso salva ou condena Hathaway.

Kenneth Sleg, coronel da Federacao Terrestre e antagonista de Gundam Hathaway, em arte oficial
Kenneth Sleg, o oficial que respeita Mafty e se cansa da Federacao. Imagem: Sunrise / Bandai Namco Filmworks (divulgacao), via Gundam Wiki

Kenneth Sleg, com a voz de Junichi Suwabe, é o antagonista que faz Gundam Hathaway funcionar como drama político. Ele não é vilão; é um oficial competente que enxerga Mafty com respeito e a Federação com cansaço. As cenas dele com Hundley Yeoksan, da polícia criminal, são as mais próximas de um thriller de espionagem que a franquia já produziu. Bright Noa também aparece, agora do lado da Federação contra o próprio filho, e a dublagem de Diego Lima dá ao veterano a gravidade certa.

A versão da Netflix e a dublagem brasileira

A Netflix lançou o filme em 31 de agosto de 2026 em todo o mundo, com legendas e dublagem em português. A versão brasileira foi feita na Iyuno Brasil, em São Paulo, com direção de Giulia de Brito e tradução de Bianca da Costa, e manteve o elenco carioca do primeiro filme: Yuri Tupper como Hathaway, Jeane Marie como Gigi, Alexandre Drummond como Kenneth e Manolo Rey de volta como Amuro Ray. A dublagem é boa e discreta, no espírito do original.

Duas escolhas de tradução vão dividir os fãs: “Newtype” ficou no original, ao contrário do “Novotipo” do primeiro filme, mas “mobile suit” virou “armadura de voo”, como em Requiem for Vengeance. Nas legendas, o termo permanece em inglês. Vale assistir com o áudio japonês ao menos uma vez, pela interpretação de Reina Ueda como Gigi.

Vale a pena? A nota de Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

Nota: 8,5 de 10. É o Gundam mais bem realizado desde Unicorn e o melhor filme da franquia em animação, som e direção de batalha. Perde meio ponto pelo ritmo do segundo ato e um pelo fato de não funcionar sozinho: sem o primeiro filme, e de preferência sem Char’s Counterattack, o espectador fica de fora da conversa.

Para quem é: fãs de Gundam Hathaway e do Século Universal, e qualquer pessoa interessada em ficção científica militar adulta. Para quem não é: quem quer robôs gigantes em ação do início ao fim, ou quem nunca viu Gundam e espera uma porta de entrada. Nesse caso, o caminho é o filme de 2021 primeiro; para entender de onde vem essa estética de guerra espacial, explicamos o que é space opera e por que Gundam define o gênero.

Alternativas na mesma linha: Mobile Suit Gundam: Char’s Counterattack (1988), que Hathaway continua diretamente; Mobile Suit Gundam Unicorn, para o mesmo Século Universal com mais ação; e Requiem for Vengeance, também na Netflix, para quem quer um Gundam autocontido. O terceiro e último filme da trilogia já está confirmado pela Bandai Namco Filmworks, sem data. Os dados de bilheteria e elenco desta análise vêm do IMDb e da Anime News Network.

Perguntas frequentes

Preciso ver o primeiro Gundam Hathaway antes?

Sim. The Sorcery of Nymph Circe começa exatamente onde o filme de 2021 parou e não recapitula nada. O ideal é ver também Char’s Counterattack, de 1988, que apresenta Hathaway criança e o trauma com Quess.

Qual música do Guns N’ Roses toca em Gundam Hathaway?

“Sweet Child O’ Mine”, de 1987, é o tema de encerramento e toca nos créditos finais, aos 1h40 de filme. A abertura é “Snooze”, da SZA, e a trilha instrumental é de Hiroyuki Sawano.

Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe tem dublagem em português?

Sim. A Netflix disponibiliza o filme dublado desde 31 de agosto de 2026, com produção da Iyuno Brasil e o elenco do primeiro filme, incluindo Yuri Tupper como Hathaway e Jeane Marie como Gigi.

Matheus Moreira Mello
Publicitário e "marketeiro digital" de profissão, desenhista e ilustrador totalmente amador. Palmeirense, amante de basquete, admirador da cultura japonesa, viagens e Coca-Cola. Vale dizer que considero videogames a arte mais completa que existe.

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