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Velhos Bandidos – Resenha

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Crédito: divulgação

Com destaque para Ary Fontoura e Fernanda Montenegro, Velhos Bandidos mostra que a terceira idade é só mais uma (empolgante) fase da vida

Ver Fernanda Montenegro nos cinemas é sempre um enorme privilégio. Aos 96 anos, a grande drama da dramaturgia brasileira segue nos brindando com seu talento e carisma. E, na comédia ‘Velhos Bandidos‘, não seria diferente.

Ao lado do consagradíssimo Ary Fontoura, também nonagenário, Fernanda nos brinda com um casal irreverente e cativante em uma trama que bebe em muitos dos clichês do gênero, mas que, sob atuações de um elenco recheado de talentos, consegue entreter (e, por que não, nos fazer refletir?) ao longo de seus pouco mais de 90 minutos.

Mas afinal, sobre o que se trata o longa?

SINOPSE DE ‘VELHOS BANDIDOS’

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‘Velhos Bandidos’ apresenta Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura), casal que planeja um ousado assalto a banco digno de cinema. Para realizar o roubo perfeito, eles precisam de um casal de jovens assaltantes. Para isso, Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta), ainda que contrariados, se unem à dupla. No entanto, a nova equipe de ladrões não contava com a insistência de Oswaldo (Lázaro Ramos), um obstinado investigador. 

UMA INVERSÃO DE PAPÉIS E PERSPECTIVAS

Uma das grandes sacadas de ‘Velhos Bandidos’ é se iniciar sob a perspectiva de Sid e Nancy (sacou a referência sutil aos nomes?), um casal de ladrões que partilham, em comum, um passado desprovido de estrutura familiar. Quando são surpreendidos por Marta e Rodolfo — dois idosos na casa dos 90 anos que não possuem filhos ou outros familiares — acabam desenvolvendo por eles uma inesperada relação de quase “pais e filhos”, que coloca ambos os lados em risco.

Esse é o grande ponto de sustentação do longa, que embora pareça caminhar para o óbvio em muitos momentos, planta no espectador a dúvida do quanto o lado emocional e as fragilidades ali expostas por ambos os casais poderão colocar abaixo os respectivos planos de cada. Sid e Nancy deixarão suas ambições pessoais de lado para seguir na íntegra o plano de Marta e Rodolfo? O casal de idosos pode confiar naqueles dois jovens que tentaram lhes assaltar para cumprir seu objetivo?

É interessante acompanhar ambas as perspectivas, que são bem desenvolvidas na trama. Os momentos em que os quatro atores estão juntos em cena — aliás, com uma excelente dinâmica desenvolvida entre eles — são dotados de risos, mas também de olhares e pensamentos cifrados, que trazem uma carga dramática importante para o fio condutor da narrativa.

SOBRE A TERCEIRA IDADE PARA ALÉM DOS ESTIGMAS

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O ponto forte de ‘Velhos Bandidos’ é ir além do protagonismo aos idosos proposto pela trama, mas fugir do clichê sobre a terceira idade como uma “janela escancarada para o fim da vida” como fazem muitas obras.

Para além dos papéis originais e divertidíssimos atribuídos a Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, o filme propõe ao expectador enxergar a terceira idade como uma fase vindoura que pode, sim, ser dotada de novas aventuras, experiências e sonhos realizados.

O longa acerta ao trazer para o elenco — embora com um tempo raso de tela — grandes estrelas da nossa dramaturgia como Tony Tornado, Vera Fischer, Nathália Timberg e Reginaldo Faria — atores e atrizes de enorme talento e história nas telinhas e telonas que, nos últimos anos (talvez exceto por Tony, que tem figurado em algumas produções globais), encontram cada vez menos espaço em nossas produções, muitas vezes por puro etarismo. Mesmo com breves aparições, eles entregam personagens que fogem ao clichê do idoso inativo e dependente, formando parte da “quadrilha” liderada por Marta e Rodolfo.

É, portanto, um grande deleite desfrutar do talento destas estrelas em sua mais pura capacidade de reinvenção em carreiras que, de tão longevas e brilhantes, se confundem com a da nossa própria dramaturgia. Afinal, como sentencia a personagem de Fernanda Montenegro em dado momento, e que muito diz sobre a longevidade ativa que tanto reflete quem ela e Ary Fontoura são:

“Se a morte vier nos encontrar, que ela nos encontre com vida!”

Em conclusão

‘Velhos Bandidos’ não possui nenhuma pretensão de se vender como um filme genial e fora da caixa. Entrega o que se propõe a oferecer: uma história divertida, com personagens sustentados pelo carisma de seus atores e uma boa dose de idas e vindas na trama capaz de sustentar a atenção do espectador e lhe oferecer uma sensação de conforto e um riso leve no rosto ao fim da sessão de cinema.

Confira o trailer abaixo:

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