A Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games) amplia neste ano sua presença na gamescom, considerada o maior evento de games do mundo e realizada entre os dias 24 e 30 de agosto em Colônia, na Alemanha. A novidade da edição de 2026 é a estreia do Brazilian Indie Pavilion, espaço dedicado a apresentar jogos brasileiros diretamente ao público do evento, sem depender apenas das rodadas de negócios fechadas entre empresas.
A ação faz parte do Brazil Games, Projeto Setorial de Exportação mantido pela Abragames em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Neste ano, a delegação brasileira reúne 78 estúdios e empresas, o maior contingente já levado pela entidade ao evento alemão. Antes da abertura oficial da feira, entre os dias 24 e 25 de agosto, o grupo também participa da gamescom dev, conferência voltada ao ecossistema de desenvolvimento de jogos.
Como funciona o Brazilian Indie Pavilion
O Brazilian Indie Pavilion nasce de uma parceria entre o Sebrae-SP, a Embratur e o Brazil Games Accelerator. O espaço reúne 35 jogos nacionais, divididos em três frentes: 14 títulos apoiados pelo Crie Games, iniciativa do Sebrae-SP voltada ao segmento; 11 finalistas do Prêmio Brasil Tá Pra Game, parceria entre a Embratur e a Abragames que chega à terceira edição; e 10 jogos selecionados pelo Brazil Games Accelerator, programa de aceleração com conclusão prevista para outubro.
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A estreia do Brazilian Indie Pavilion representa uma evolução importante da presença brasileira na gamescom. Além de conectar nossos estúdios aos principais agentes da indústria mundial, passaremos também a apresentar diretamente ao público internacional a criatividade e a qualidade dos jogos desenvolvidos no Brasil.
Rodrigo Terra, presidente da Abragames
Segundo Terra, a combinação entre ações de negócio e de exposição direta ao público amplia a visibilidade dos estúdios brasileiros e cria novas oportunidades de publicação e reconhecimento internacional para o setor.
Prêmio Brasil Tá Pra Game leva vencedores a Colônia
Outro destaque da programação é o anúncio do pódio do Prêmio Brasil Tá Pra Game, que acontece durante a gamescom. Os representantes dos quatro jogos vencedores viajam à Alemanha para apresentar seus projetos no Brazilian Indie Pavilion: Lunar Axe, da OPS Game Studio; Hell Clock, da Rogue Snail/Mad Mushroom; Hit It Back, da Sue the Real; e Capote, da Luski Game Studio/CriticalLeap.
A presença dos games brasileiros na Alemanha reforça um dado já conhecido pelo setor: a indústria nacional de jogos digitais é essencialmente exportadora. Levantamento da Abragames mostra que 55% da receita dos estúdios brasileiros vem do mercado externo, com um volume que já supera US$ 138 milhões em negócios globais.
Levar esses jogos à Alemanha aproxima nossas narrativas do público internacional e fortalece a imagem do país por meio de um setor vibrante e globalizado.
Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur
Apoio de programas estaduais e federais amplia a delegação
A presença de estúdios independentes na feira alemã conta ainda com reforço de programas de fomento. O CreativeSP, mantido pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de São Paulo, apoia dez estúdios paulistas para atividades de networking durante o evento. O Sebrae Nacional viabiliza a participação de outras cinco empresas de diferentes regiões do país, enquanto a AdeSampa apoia mais dez integrantes paulistas independentes da delegação.
A gamescom Alemanha é o maior evento de games do mundo, conta com mais de 350 mil visitantes, e reúne os principais investidores, publicadoras e agentes de fomento ao setor de diversos países. É uma grande oportunidade para estúdios de games brasileiros.
Martha Lopes, gestora de games do Sebrae-SP
Segundo Martha, o Sebrae-SP oferece curadoria, rodadas de negócios exclusivas para o grupo selecionado e workshops de preparação para que as empresas cheguem ao evento com pitch e material de apresentação já ajustados ao público internacional.
As empresas que integram a missão participam por iniciativa própria e foram selecionadas com base em critérios de maturidade, potencial comercial e tempo de preparação junto às instituições parceiras. O grupo acompanha os dias iniciais do evento, quando ocorre a gamescom dev e se concentra a maior parte do conteúdo de capacitação, e permanece até os dias finais da feira, voltados às conexões de negócio entre estúdios, publishers e investidores.
Para o mercado brasileiro de games, o crescimento da presença nacional em eventos como a gamescom funciona como termômetro da maturidade do setor. A Meta Galáxia acompanha esse movimento de internacionalização há alguns anos e observa que iniciativas como essa tendem a abrir caminho para acordos de publicação e distribuição que até pouco tempo dependiam quase exclusivamente de contatos informais entre estúdios.
A expectativa da Abragames e do Brazil Games é que a edição de 2026 amplie o número de negócios fechados durante e após o evento, com efeito direto sobre a participação do país no mercado global de jogos digitais. Para a Meta Galáxia, o próximo passo será acompanhar os resultados concretos dessa missão: quantos jogos do Brazilian Indie Pavilion avançam para contratos de publicação internacional nos meses seguintes à feira.



































