Street Fighter (2026) – Resenha

Nostálgico para os fãs de uma das maiores franquias de luta de todos os tempos, novo filme de Street Fighter acerta no espelhamento do videogame

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Personagens do filme Street Fighter de 2026. Créditos: Divulgação

Falar em adaptações dos games para as telonas sempre causa arrepios nos fãs de jogos. Se falamos então em Street Fighter, uma das franquias mais queridas da história, o receio aparece e tem nome: a lembrança do filme de 1994, estrelado por Jean Claude Van Damme e Raul Julia.

Apesar dos dois nomes de peso da produção noventista, o filme em si entrou para a categoria trash com o tempo — mas não aquela proposital, e sim pelo fato de ser um filme pobre em produção, proposta e atuações. Ficou um gostinho amargo para os fãs desde então.

Embora outras adaptações audiovisuais tenham surgido com o tempo — como o excelente Street Fighter Victory e os outros filmes em anime, bem como a webserie Assassin’s Fist — a franquia ainda carecia de uma grande produção a sua altura. E bem, o Street Fighter de 2026 parece ter surgido para suprir essa demanda.

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SINOPSE DE STREET FIGHTER

Ryu (Andrew Koji) e Ken (Noah Centineo) são amigos inseparáveis; irmãos unidos pelas artes marciais. O primeiro, órfão desde pequeno; o segundo, renegado pelo pai. Treinados no Japão pelo mestre Gouken, eles crescem sob a rigorosa disciplina do estilo Ansatsuken; se tornam lutadores formidáveis e rivais amigáveis no combate.

É o ano de 1987 quando Ryu participa do primeiro Torneio Mundial de Campeões. Diante do poderoso Sagat, ele vê a derrota iminente e se deixa levar pela arte sombria do Satsui no Hadou para vencê-lo, evocando a energia maligna que desperta o interesse de Gouki, conhecido como Akuma — o irmão renegado de Gouken. Akuma vem ao encalço de Ryu e, para atingi-lo, acaba com seu mestre. Ryu, tentando não despertar definitivamente o Satsui no Hadou, acaba hesitando e vê Gouken ser morto diante dele e de Ken.

Seis anos se passam. Ken e Ryu estão afastados e tomaram rumos totalmente distintos. Mas quando o poderoso M. Bison (David Dastmalchian) organiza um novo torneio com o objetivo de capturar para si a força oculta no Satsui no Hadou, o destino dos dois velhos amigos se cruzam novamente, e junto de Chun-Li (Callina Liang) e outros lutadores, se verão envoltos em uma trama que vai muito além de suas próprias pretensões pessoais.

O QUE O FILME ADAPTA

O novo filme de Street Fighter traz para a telona, essencialmente, um período de tempo que abrange os jogos da série Alpha, passa por Street Fighter I e se desenvolve, principalmente, no ambiente do clássico Street Fighter II, já nos anos 90. É deste último título de onde sai a maior parte dos personagens: Chun-Li, Vega, Balrog, Zangief, Bison, Guile e cia.

A história transita brevemente pelo período do passado de Ryu e Ken em forma de flashbacks — e aqui cabe destacar a maravilhosa animação que inicia o filme e que ilustra ainda alguns outros momentos da trama. Dan e Akuma vêm do Alpha para a trama principal, e Joe, personagem de SF I, tem um papel ilustrativo para aludir o primeiro jogo da franquia.

A história gira em torno de todo cânone principal já conhecido dos fãs: como Ryu e Ken cresceram juntos, as diferenças que se desenvolvem entre eles, a corrupção de Ryu pelo Satsui no Hadou e a morte de Gouken por Akuma. Tem Sagat contra Ryu; Chun-Li como infiltrada da Interpol na Shadow Law; Bison desejando extrair o poder de Ryu para fortalecer seus poderes psíquicos. O diferente, desta vez, é que todos esses elementos são colocados numa única régua; em uma mesma adaptação e trama.

Desta forma, o Street Fighter de 2026 apresenta uma história que amarra toda a primeira parte do cânone da franquia, respeitando-o, mas inserindo elementos novos que se desenrolam de forma interessante — como Dan funcionando como um personagem apoio de Ken, e Akuma e Bison em uma mesma timeline, ou melhor, em um mesmo cenário. A trama funciona bem — não que o enredo de Street Fighter anseie uma narrativa extremamente complexa, mas essa montagem de enredo e a inserção dos personagens funciona bem na superfície, embora não chegue a cativar.

PERSONAGENS, CARACTERIZAÇÕES E AMBIENTAÇÃO

Possivelmente o ponto alto do longa, o novo Street Fighter consegue transportar o espectador para o universo dos games por meio da excelente caracterização e ambientação. A produção não teve o intuito de fazer com que os personagens estivessem com todos os detalhes 100% idênticos aos dos jogos, mas todos eles estão incrivelmente fiéis aos seus personagens: no estilo e no comportamento.

Muita gente torceu o nariz no anúncio de Noah Centineo, mas ele entrega aqui um ótimo Ken, com todo jeito displicente do personagem, mas emocional e agressivo quando a situação demanda. Andrew Koji parece personificar Ryu como poucos: transmite toda a seriedade do personagem, seu jeito acanhado mas incisivo, e seu senso de humor estranho que se manifesta poucas vezes, mas de forma marcante.

Quem também rouba a cena é a Chun-Li de Callina Liang, que com sua subtrama, pode ser considerada uma terceira protagonista da narrativa. E Dastmalchian entrega um bom vilão, embora seu Bison carece de um aspecto mais vilanesco e assustador transmitido pelo personagem nos jogos. Os demais personagens possuem papeis menores, mas contam com uma caracterização muito bem desenvolvida e que não cai na armadilha de soar como um simples cosplay; seus atores incorporam a personalidade que marca cada um deles nos jogos.

A reprodução de diversos elementos dos games — como os golpes executados, o bônus do carro, cenários e efeitos conhecidos e, especialmente, a trilha sonora fazem da ambientação do filme uma perfeita experiência de imersão no universo da franquia. Os combates também estão muito bem coreografados — embora pudessem ter sido melhor explorados (em termos dramáticos e de ocorrência na trama).

CONCLUSÃO

O novo filme de Street Fighter opta por um caminho muito claro: o de abraçar a experiência do videogame como um clássico jogo de luta, no qual há uma história base maior a ser seguida, mas cujo foco está na imersão dos combates, os golpes especiais e os pequenos arcos de cada personagem sendo resolvido.

Pode-se dizer, portanto, que o longa abraça a chamada “galhofa aceitável”, focando-se muito mais nesse tipo de experiência saudosista dos jogos de luta dos anos 90 do que em uma obra cujo enredo visa trazer grandes nuances de complexidade. Se esta é sua expectativa, talvez se frustre na busca de algo maior.

É importante destacar que, levando estes mesmos pontos em conta, o filme tende a funcionar muito mais para quem já é fã de longa data de SF, pois ele, essencialmente, gira em torno desta forte nostalgia presente a quase todo momento. Entretanto, não deixa de ser um filme muito divertido para todos os públicos — e deixa um ótimo gancho para continuações.

Assista ao trailer do filme abaixo:

Qual sua expectativa para Street Fighter (2026)? Conta pra gente nos comentários!

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ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Street Fighter (2026)
Diego Betioli
Escritor, publicitário, louco por esportes e entretenimento. Autor de A Última Estação (junto com Rodolfo Bezerra) e CEP e um dos fundadores do Meta Galáxia.

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