Arco Chimeras Ant – Hunter x Hunter | Análise

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Seguindo nossa saga em analisar todos os arcos de HxH, chegamos ao ápice da história de Togashi. O arco das Chimeras Ant é um marco para o anime e para os animes em geral, pelo sucesso que fez e por todas as tentativas do autor, além de ser o arco do anime que mais se aproxima do Shounen tradicional. Vamos desmembrar a aventura de Killua e Gon contra Meruem, Pitou e cia.

Humano x Animal

Há infinitas divergências entre teóricos, filósofos e entre nós sobre a função do ser humano no mundo. Somos, antes de qualquer coisa, animais, parte do planeta como qualquer outro, todavia, seja pela inteligência ou até por motivos divinos, o tomamos para nós. Com o tempo, deixamos de ser parte de um sistema e passamos a adaptar ele à nossa necessidade.

Em Chimeras Ant, Togashi aborda tudo de pior que há no sistema atual da humanidade. Há a abordagem da utilização da premissa de proteção ao meio ambiente para camuflagem de um esquema de tráfico. Um país fundado e controlado por Gyro, um criminoso criado do ódio e maldade que o cercava. Há o ego, há ganância e há hipocrisia para todo lado.

Em meio a tudo isso, as formigas se disseminam e absorvem tais problemas, assimilando a suas personalidades algo que só poderia vir dos humanos: a maldade. No entanto, concomitante a isso, também vemos, com mais discrição, as criaturas carnívoras adquirirem sensatez, empatia, senso de justiça e honra, assim como o ego.

Gon x Meruem

O resultado de todo esse processo é Meruem, o Rei e vilão do arco, que faz um paralelo interessante com Gon ao longo de todo o processo. Enquanto de um lado temos a complexidade de um ser que está aprendendo que há mais do que o poder no mundo e se tornando cada vez mais humano; do outro temos Gon, aprendendo sobre a monstruosidade e que somente a gentileza não resolve tudo.

No fim, ambos passam um processo de humanização, afinal, o que costumeiramente chamamos de monstros também são humanos. Em seus ‘atos finais’, Gon e Meruem se entregam à sua humanidade, com Gon aceitando o monstro dentro de si e Meruem aceitando seu lado ‘humano’. Protagonista e Antagonista não se confrontam em nenhum momento, mas evoluem juntos.

A importância das relações em Chimeras Ant

Togashi capricha nas justificativas para a existência das formigas e sua evolução. Ainda que tudo ocorra de maneira rápida, não soa corrida em nenhum momento. Somos capazes de acompanhar com exatidão tal processo, sem necessariamente precisamos de explicação. É uma qualidade do início do arco, que se perde ao longo dele.

Particularmente, gosto muito da narração de Hunter x Hunter, afinal, é melhor que os personagens explicando coisas que normalmente não explicariam. Funciona melhor. Porém, há claramente um excesso de paralisações e um erro na hora de avaliar o que deveria ser narrado e o que deveria ficar subentendido. Em diversos momentos, há recapitulações desnecessárias que subestimam o espectador.

Note que não acho a narração em si algo ruim e sim acredito que ela foi utilizada equivocadamente em muitos momentos. Por exemplo, novamente, temos uma variedade incrível de usos do Nen. Alguns poderes são óbvios e mesmo assim nos são explicados, exemplificados e desmembrados ao máximo. O uso do Nen, ainda que assustadoramente criativo, é prejudicado pelo desequilíbrio do uso do narrador.

No fim das contas, ainda é um Shounen

Muitos tratam Hunter x Hunter como um revolucionário do gênero Shounen. Eu não iria tão longe, ainda mais se tratando do Arco Chimeras Ant que, pra mim, é o que mais se aproxima, em características, ao Shounen tradicional. Já que se entrega ao gênero, Togashi cai também em algumas armadilhas e clichês.

Pra começar, ainda que o já mencionado uso do Nen seja um ponto positivo pro arco, fica claro que a grande quantidade de personagens e a necessidade de estabelecer uma ameaça contundente, fez com que o autor tenha perdido um pouco o controle sobre os níveis de força. Detalhe: logo no início, Moreu menciona que uma luta de usuários de Nen não depende só de força bruta ou quantidade de aura, quase numa defesa prévia pra futuros vacilos que ele pudesse cometer.

Ainda, a já mencionada aceitação de Gon de seu lado ruim não é novidade. A transformação de Super Sayajin vem da fúria de Goku com a morte de Kuririn. No fim, a ‘furia de um homem gentil’ é um clássico do gênero e Togashi o utiliza quase que igualmente a maioria. Homens bons como Goku, Gon, Luffy, não estão acostumados a lidar com o luto. O estado de Gon, lembra até a maneira com que Luffy lida com a morte após a guerra de Marineford. Não que seja mal feita, mas não há nada revolucionário na mudança de personalidade de Gon. Não há vergonha em se entregar ao clichê, desde que bem feito, e Togashi é perfeito na preparação do momento.

Em conclusão

O Arco Chimeras Ant é o mais próximo, em estrutura, do gênero Shounen e talvez, por isso, tenha feito tanto sucesso. Todavia, está longe da perfeição, ainda que utilização diferenciada destes elementos por parte do autor, principalmente na figura de Meruem, seja louvável.

Aqui, Togashi apela pra um vilão, um herói, uma ameaça mundial e as manipula, sempre buscando surpreender de maneira positiva. O arco é incrível, mas se perde dentro de sua própria tentativa de renovação e utiliza alguns elementos erroneamente. Fica a impressão que a intenção é de cinco estrelas, mas a execução é de quatro e meia.

Maldito Meruem, me controlei pra não chorar na morte daquele desgraçado.

Você pode ver este arco e todo anime na Crunchyroll.

ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Nota do Arco
9
Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul...Amante de infinitas coisas, desde animes, games, filmes, séries, música, futebol, literatura...Toda e qualquer uma dessas artes, mas, principalmente, a escrita, que torna minhas palavras imortais igual ao meu tricolor!

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