Whole Cake – One Piece (Análise)

Uma história doce, com o amargo da enrolação.

91
Luffy, Big Mon e Katakuri, personagens de Whole Cake.

Whole Cake é o tipo de arco que dividiu opiniões desde o início pelo ar de “enrolação” do mesmo. Afinal de contas todos estavam esperando que Luffy fosse, finalmente, depois de muita enrolação em Dressrosa, enfrentar o poderoso Kaido. Mas ao invés disso, tivemos antes a “parada” na ilha da Big Mom. Eu já enxergo diferente disso, para mim essa foi uma forma inteligente de Oda diminuir o tamanho da história, ao lidar e desenvolver um Yonkou sem que tivesse que ser de maneira “completa”, o que teria que acontecer em qualquer outro contexto.

Aliás, que ler mais sobre One Piece? Confira nosso guia completo da série!  

Metade do bando em Whole Cake

A divisão do bando para Whole Cake também permitiu que a história fosse diminuída no quesito lutas, já que ao invés do clássico “X1” entre o bando e os piratas, o arco se resumiu a “Todos x Big Mom” e “Luffy x Katakuri”. A mesmo passo em que diminuía as lutas, a divisão permitiu a exploração com mais calma de Gang Beege, um dos Supernovas da pior geração que recebeu sua atenção e desenvolvimento nessa saga. Imagina que bagunça ia ser usar todo o bando, mais os Minks, a família de Sanji e ainda por cima os piratas Tank?

Toda essa economia de tempo foi gerada graças a localização do arco de Big Mom na história. A ausência de Zoro, Nami, Usoop, Robin e Frank fez muito bem para o dinamismo da história, assim como foi na Guerra dos Maiorais que foi linda porque graças a ausência de parte dos protagonistas, pôde focar no que importava. Por todas essas razões, a saga que aparentemente interrompeu por um momento o andar da história, serviu para que ela não ficasse travada depois. Onde não haveria razão para Zoro e cia não irem para as ilhas doces e Luffy teria que enfrentar e derrotar totalmente a Big Mom e seus piratas. Algo que foi evitado e provavelmente só vai ocorrer em paralelo a outra saga do anime, novamente, contribuindo com o quase inexistente dinamismo da história.

Germa 66 e Sanji

Somamos tudo isso ao desenvolvimento de Sanji, que recebeu uma história de seu passado e que como de costume foi triste demais. A parte que se refere a Sanji na questão politica do casamento era totalmente importante e necessária. Achei, entretanto, clichê a maneira com que a história terminou lidando com sua relação com seus irmãos e pai. Queria muito ter visto ele rejeitá-los e só aceitar os Mugiwaras como verdadeira família, além de sua irmã.

Oda mostrou o trio de irmãos de Sanji como verdadeiros monstros sem sentimento (algo que faz total sentido na origem deles) para ceder à basica redenção dos personagens ao final. Tal atitude se torna totalmente anticlímax quando vemos a maneira com que seu pai e irmãos o tratavam quando era criança. Sei que o Sanji é bom e tudo mais, mas ninguém o julgaria se ele rejeitasse sua família como um dia ela o rejeitou em troca daquela que o acolheu.

A família Charlotte

Como eu disse lá em cima, gostei da ausência de parte do bando, mas isso teve seus efeitos negativos no desenvolvimento da família de Big Mom. Boa parte dos personagens acabou sendo sacrificado pela estrutura da história, que acabou fugindo um pouco ao padrão das outras e evitou o antes mencionado “X1”. Isso é bom, claro, mas poderia ter ocorrido pelo menos uma luta entre Jimbe/Sanji e a General do Doce Smoothie, afinal Craker e Katakuri receberam sua atenção.

Smoothie foi até agora a única comandante de Yonkou mulher, assim como a própria Big Mom é a única mulher dentre os imperadores, e semelhantemente a mãe, foi totalmente mal aproveitada e ignorada em Whole Cake. Enquanto seus irmãos (inclusive o mais fraco deles, Craker) receberam suas devidas lutas. Coven foi outro bem mais fraco que Smoothie e que deu muito mais trabalho a todos. Assim como Brüule, apesar de possuir um poder bem legal, ficou sendo refém quase que a saga inteira. Enfim, Oda continua incapaz de criar personagens femininas fortes e as resume aos clichês de sempre.

A Big Mom

Grande imperatriz do mar, a poderosa Big Mom foi uma decepção sem fim em Whole Cake. Ela acaba desenvolvida como a “gordinha legal que não tem noção da sua força e é mimada só pensando em comida e acabou ficando malvada por ser vítima das circunstâncias”. Linlin acabou ficando metade da saga “nerfada” em busca de seu tão delicioso bolo, algo conveniente para o anime. Talvez tenha sido dessa maneira para que ela fosse mais bem aproveitada no futuro, mas poderia ter sido feito de outro jeito. A eterna perseguição dela ao navio com o bando, ocorrendo em paralelo a luta de Luffy e Katakuri, é de dar nos nervos.

É muito difícil acreditar que eles passaram horas fugindo de uma frota e de uma Yonkou sem que tenham sido destruídos. Sendo atacados pelos mais diversos lados, e sempre se safando pela conveniência e aparente falta de objetivo de Big Mom já que ela só usava seus poderes fortes quando estava longe, ao chegar perto, simplesmente esquecia de sua força. Seria mais interessante ter a desacordado de alguma maneira em sua ilha, a fim de justificar sua incapacidade de alcançar o Sunny até o final do arco. 

Vou ter comer, vou te comer, vou te comer…

Por outro lado a história da personagem é interessante e sua maldade é muito bem demonstrada com seus jogos e objetivos sempre beneficiando a si mesma, inclusive sacrificando seus filhos em casamentos. Algo medieval num arco que tem como referência as diversas histórias de princesas da Disney dando um contraponto interessante. O que nos faz ainda assim criar uma pequena sensação de empatia pela eterna criança gordinha que ela continua sendo e raiva ou não pela poderosa pirata malvada que se transformou. Seria interessante que ficasse assim, mas o autor da alguns indícios de que talvez vejamos Linlin se convertendo em algum momento e termine a história como um espécie de “anti-heroína” no mundo pirata, assim como foi com Katakuri.

Luffy x Katakuri

Evitando uma inexplicável subida de nível de uma saga para outra, Oda optou por colocar Luffy contra o mais poderoso comandante de um Yonkou, antes de chegar a enfrentar e derrotar um de verdade. Evitando uma escalada meteórica de poder do protagonista, afinal ele acabará de derrotar o mais poderoso dos Shichibukais (aparentemente). A luta entre os dois é o ponto alto da saga, afinal é um Shounnen e a gente quer ver mesmo é pancadaria da boa e essa é uma daquelas que Luffy x Rob Lucci teria orgulho.

A nova forma do G4 eu achei que foi trazida rápido demais, a não ser que o autor tenha outras guardadas na manga, teria sido interessante ter visto a mesma que derrotou Doflamingo funcionando novamente, mostrando a evolução de Luffy ao usar o Kong como justificativa para a derrota do Katakuri. Quando opta por mostrá-la insuficiente, Oda acaba diminuindo o tamanho da força de Doflamingo. Há uma tentativa de justificar essa forma diferente por causa da velocidade e ela até pode ser aceitável, mas ainda acho que desmereceu e muito o Doffy. Além de forçar a evolução de Luffy que alcançou o mesmo nível de Haki do inimigo em apenas uma luta ao invés de superar sua desvantagem de outra maneira.

Premissa perigosa aberta em Whole Cake   

Katakuri nada tem a ver com isso e se demonstra um vilão poderoso e diferente. Jamais subestimando Luffy, ele é o típico irmão mais velho que protege a mãe e os irmãos e pouco se importa consigo mesmo. Mantendo sua fama de durão somente para que seu nome seja o suficiente para protege-los. Sua evolução pessoal ao longo da luta nos permite criar empatia e gostar muito do personagem. De uma maneira diferente de Doffy que gostamos por outros motivos. O ar de imediatismo para derrotar a ameaça que ele demonstra some e ele passa a gostar de lutar e assim dando alguma chance de Luffy lutar de igual.

Apesar de gostar muito do desenvolvimento do personagem, fico temeroso que One Piece vire Naruto e crie o Pastor Luffy, convertendo os vilões. Sendo mais um motivo para eu não querer uma redenção para Big Mom no futuro e que a nossa memória de Dressrosa e Mingo continue intacta, diferente do que ocorreu com Crocodile.

E então, Whole Cake foi bom?

O texto ficou enorme e mesmo assim eu não consegui abordar tudo que uma análise de muita qualidade abordaria. É o reflexo da quantidade enorme de coisas acontecendo na primeira metade do arco, e que depois se perde a partir da fuga do bando. Essa primeira metade, até o casamento, conta com grande momentos e uma história muito interessante, momentos fortes envolvendo Sanji como a luta com Luffy e a cena dele ouvindo Pudin através da janela marcaram o arco. Todavia faltou uma luta para o personagem, esse era o grande arco dele e talvez Smoothie fosse a chance perfeita e isso deu um tom de desperdício de oportunidade e poderia ter tornado a segunda metade muito mais interessante.

A segunda metade de Whole Cake foi um desperdício de tempo e personagens para todos os lados. Uma enrolação gigantesca somente para não abandonar todo mundo enquanto Luffy e Katakuri lutavam. Mas numa análise geral, não podemos dividir ao meio e, apesar de tudo, o saldo foi positivo. A história é muito interessante e a estrutura do arco foge aos padrões dos outros principalmente pelo dinamismo e a seriedade (principalmente na morte de Pedro, que espero eu, continue morto) que a história se desenrola na sua primeira metade. Valeu muito a pena assistir e conhecer o mundo e poder de um Yonkou, aumentando mais ainda a expectativa para a luta com o próximo, que deve envolver a Big Mom também.

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here