Cutscene obrigatória: Certo ou Errado?

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Cutscene

Recentemente discuti no Facebook uma questão relacionada as cutscene dos jogos. Conversando com amigos no outro dia, questionei se eles pulavam ou não. As respostas foram variadas e por diferentes motivos. Já deixo aqui a minha opinião quanto ao titulo do artigo. Para mim, é errado ser obrigatório, o que não quer dizer que eu pulo, já que cada caso é um caso. Vamos então aos diferentes argumentos e minha opinião, não é regra claro, você pode pensar diferente.

Obs: Obvio que é uma discussão quase irrelevante, mas a intenção é só conversar sobre o assunto e não mudar o mundo das cutscene.

CERTO:

Tu precisa entender a história…

   Todo jogo é composta de história, gráficos, jogabilidade e trilha sonara. E sem dúvidas, um jogo completo, possui tudo isso e da mais alta qualidade. Não são poucos os jogadores que zeram um game e não entendem nada do que ta acontecendo. Um exemplo é você jogar The Evil Within sem entender a história. A gente é mandado de um lado pro outro nas rápidas cutscenes obrigatórias do jogo nos “pré-capítulos”. E pior ainda é a pessoa reclamar “aquele jogo é difícil”, “aquele jogo é uma bagunça”, sem sequer ter vistos as cutscene, onde um personagem pode te dizer “Te encontro na saída da casa” e ai você pula e não sabe pra onde deve ir.

Dá trabalho fazer, por que tu vai pular?

   Sob o argumento de que os desenvolvedores passam bastante trabalho criando as cenas para que se entenda a história, muitos acham errado pular. Mas essa não é a questão do artigo e sim a obrigatoriedade, e esse argumento talvez seja o grande fator para que as cenas sejam impostas ao jogador. Uma espécie de valorização do trabalho,  ou até mesmo um pensamento do tipo “A história é boa, se eu obrigar ele a assistir, com certeza o jogador vai gostar”. 

Faz parte da experiência

   Como eu disse no primeiro ponto, o jogo é composto também de história e sem dúvidas é parte da experiência. Uma boa e interessante, pode nos estimular a terminar um jogo que a jogabilidade não é lá grande coisa.

Conclusão.

   Tudo isto posto, vou contra-argumentar. A questão é que se trata de um jogo e não de um filme. A história faz parte claro, mas o principal é a Jogabilidade, acima de todos os demais fatores como gráficos, trilha sonara e até mesmo história: O jogo precisa ser divertido e precisa ser dinâmico. Os demais itens são opcionais aos jogadores. Podemos, por exemplo, cortar o som e isso não desvaloriza o trabalho de quem compõe a trilha sonora. Podemos simplesmente não gostar, ou não ter como ouvir por querer silêncio.

Assim como os games de PC vêm com opção de gráficos, o que não desvaloriza em nada o jogo, mas quem tem PC bom joga no ultra, quem não tem joga no que dá. A questão toda é a opção, a possibilidade de escolha pelas diferentes circunstâncias e o único indispensável é uma boa jogabilidade.

ERRADO:

Eu compro, eu decido!

   Escolha, liberdade, são coisas que foram adquiridas ao longo da história em todas as áreas. A escolha de pular as cutscenes é uma coisa natural não? Você ser obrigado a assistir algo que não é relevante para a jogabilidade, é um retrocesso. Afinal todos deveríamos ter a escolha de quando parar de jogar (e isso se estende aos save state, assunto para outra hora). Sem dúvidas ter que esperar uma cena inteira passar para poder salvar o jogo e desligar o console é coisa antiga e na vida corrida que vivemos, totalmente inviável.

Fator replay.

   Esse aqui é mais burrice do que outra coisa, e se encaixava também em retrocesso, afinal por que diabos somos obrigados a ver cutscene de um jogo que já zeramos? Quando eu digo que é retrocesso me refiro ao fato de God of War já trazer a opção de pular na segunda gameplay o que ajuda e muito para que tenhamos vontade de jogar de novo. 

Nova tentativa.

   Outro que é puro caso de falta de atenção, ou pior, talvez maldade. Porque não é possível que os desgraçados dos produtores não percebam que o jogador pode morrer e coloquem a cutscene DEPOIS DO CHECKPOINT. Ai acontece o que? Você vai lá, assiste dois minutos de conversas e tensão, enfrenta um Boss, morre e na hora de enfrenta-lo de novo, adivinha? Tem que ver tudo de novo também. Sem condições.

Sem tempo, irmão.

   Em meio a rotinas extremamente corrida da vida moderna, em que fazemos cinco vezes mais coisas num dia do que se fazia antigamente (Fonte: Acho que é isso), nem todo mundo tem tempo pra apreciar a história de jogos. Às vezes a pessoa tem muitos jogos atrasados, ou só consegue jogar aos finais de semana e quer zerar o jogo rápido, quer aproveitar o máximo que puder o tempo na gameplay, e ai acontece o que? Várias cutscenes que não podem ser puladas, obrigam o jogador a correr contra o tempo durante a gameplay, aproveitando menos seu tempo e todas as possibilidades que o jogo oferece, por que é obrigado a ficar metade da gameplay assistindo videos. “Ah mas se ele quer zerar rápido, não vai aproveitar o jogo”, novamente entro no ponto chave da questão: Liberdade de escolha.

E daí que a história é boa?

   Você gosta de jogos com histórias bem elaboradas? Gosta de passar horas do seu tempo tentando entender as motivações? Legal pra você, dependendo do jogo eu também gosto. Conheço toda a história de Resident Evil e isso graças as horas que perdi assistindo todas as cutscene, mas e se a pessoa não se importar com a história?! Novamente, é um jogo e não um filme, ninguém é obrigado a se importar com história e sim em jogar.

É a premissa basica de qualquer jogo e na época do SNES ninguém ligava das motivações do Bowser sequestrar a princesa e muito menos nos importávamos em salvá-la, só queríamos passar pelas fases e chegar ao final. “E da segunda vez?” Chegar ao final mais rápido do que da primeira. Eram jogos que contavam com uma premissa básica para que a  gente saísse na porrada com diversos inimigos e em grandes aventuras, estas vividas por nós, e não assistidas.

Conclusão.

Claro que os segundo e terceiro fatores são corrigíveis por uma atenção e cuidado maior na produção, como eu disse, existem casos já de jogos que na segunda gameplay pudemos pular e a dos checkpoints só pode ser na maldade, porque não tem explicação tamanha bizarrice. De resto, não há como questionar. Não tem nenhuma vantagem em você obrigar as pessoas a assistir nada, afinal de contas quando temos a opção de pular, quem gosta de assistir não é prejudicado de forma alguma, tendo a opção de vê-las normalmente, enquanto que quem não gosta (ou não tem tempo) ganha a escolha de não vê-las. Por outro lado no caso das obrigatórias só um lado sai feliz, enquanto que todos os demais pontos da história abordados aqui acabam prejudicados.

O exemplo a ser seguido: Resident Evil 4 e a franquia antes e depois.

   Deixo aqui uma menção ao jogo mais perfeito nesse quesito (que eu já joguei, claro). Resident Evil 4, além de um dos melhores jogos da história, ainda possuí cutscenes interessantes, apesar de não ter o melhor dos enredos dos jogos. As poucas obrigatórias eram só aquelas interativas, chamadas de QTE e estas vinham em momentos bem colocados do jogos, servindo para nos dar curiosidade quanto a história, mas jamais nos obrigando a assistir mais do que isso, dando para pular o resto. E seguindo também uma tendencia dos jogos clássicos da franquia, também haviam os Files, que ajudavam na resolução de enigmas.

No caso do 4 ajudava mais no entendimento da história, do contexto em que o game se inseria e em como o universo da franquia estava, enquanto que em jogos antigos, eram essenciais para que se terminasse o jogo. Isso era obrigatório? Não! Mas era interessante, para quem se importa, claro. Além de tudo, o jogo ainda contava com a opção de assistir as cutscenes separadas, no menu, na ordem do jogo, sem que fosse preciso jogar tudo de novo para entender a história. Algo que não vi em outro game até hoje, e sinceramente não entendo porque. É um coisa tão simples e tão importante ao mesmo tempo. A pessoa pode jogar a vontade e se preocupar em entender a história depois, assistindo ela quase como um filme.


Em conclusão, pular a cutscene não é algo super relevante, mas uma coisa que pode mudar sua experiência no jogo. Enfim, qual sua opinião?

Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul...Amante de infinitas coisas, desde animes, games, filmes, séries, música, futebol, literatura...Toda e qualquer uma dessas artes, mas, principalmente, a escrita, que torna minhas palavras imortais igual ao meu tricolor!

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