Silent Hill 2 (PS2) – Bem vindo a mente de James Sunderland

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Silent Hill 2 é um clássico, mas muito mais do que isso também. Dentro do gênero Survival Horror, existe Silent Hill, que aposta em um “tipo de medo” mais psicológico. O segundo game da franquia entra a fundo mais do que qualquer jogo nesta questão. Não estamos só em Silent Hill, estamos na Silent Hill de James, de Angela, de Mary e, talvez, de Laura.

Por se tratar de um jogo antigo, vou fugir um pouco das questões técnica, como gráficos, por exemplo. Não faz sentido a essa altura do campeonato.

A mente de um homem em busca de redenção

Cenários sugestivos compõem Silent Hill 2.

A ideia do primeiro jogo era excelente. Inovadora dentro do próprio gênero, o game fez sucesso. Havia conteúdo e inimigos para mais jogos, mas felizmente foi criada uma nova premissa para a continuação. Tal premissa é a de explorar uma pessoa visitando a cidade que reage a ela. Ou talvez tenho o atraído.

Com isso, entramos em uma viagem pela mente de James Sunderland, que foi até Silent Hill em busca de sua esposa Mary, que faleceu há três anos. Ele recebeu uma carta de Mary dizendo que o esperava em seu lugar especial em Silent Hill. James então chega à cidade em busca do tal “lugar especial”, apesar de saber ser impossível encontrar Mary, que estava morta há muito tempo.

Daí em diante, tudo que vemos é James enfrentando as barreiras de sua mente, que buscavam impedi-lo de descobrir a verdade sobre a morte de Mary. Os inimigos, os enigmas, tudo, não passam de um confronto interno de James e seu subconsciente.

O enredo unido a Jogabilidade

James e o famoso Pyramid Head, apresentado em Silent Hill 2.

Não há duvidas que a jogabilidade é o quesito mais importante de um jogo, todavia ela não se sustenta sozinha. Não é uma característica exclusive da franquia e menos ainda de Silent Hill 2 a jogabilidade travada, mas mais do que nunca ela é justificada. James é um balconista, que foi para uma cidade que deveria ser calma e se depara com os mais absurdos monstros. É inimaginável acreditar que ele seria capaz de movimentar-se em altas velocidades e manusear armas como Leon em Resident, por exemplo.

Com isso, temos nada mais do que um homem comum enfrentando a si mesmo, correndo pelas ruas de SH em busca de respostas. É incrível o quanto o jogo consegue deixar detalhes aqui e ali que justificam toda jogabilidade. Uma linguagem extremamente inteligente e que faz com que o fator replay se torne incrível. Seria muito fácil colocar uma pessoa em Silent Hill enfrentando monstros como foi no primeiro game, mas aqui a coisa vai mais além.

Um elenco de apoio daqueles

Maria é a principal Coadjuvante de Silent Hill 2

James, no entanto, não é único a estar na cidade. Aparentemente, Silent Hill atrai aqueles que buscam se arrepender de algo. Assim, temos Eddie e Angela, duas pessoas que lutam contra seus próprios demônios. Maria, personagem secundária principal e que inclusive possuí um pequeno cenário exclusivo, já possuí outra razão de existir. Assim como o Pyramid Head, os monstros e as mensagens sugestivas, Maria representa um dos desejos de James.

Possíveis interpretações

Silent Hill 2 é, mais do que tudo, um jogo interpretativo. É um mérito da equipe ter criado algo que pode ser tanto A quanto B, dependendo das ações do jogador e de sua interpretação.

Particularmente, considero que Mary, de alguma maneira, atraiu James até Silent Hill, pois sabia que ele jamais superaria sua morte. Lá, James teve seus desejos confrontando-se. O próprio James – e o jogador – decidem qual desejo sairá vencedor e isso é representado no final escolhido:

  • In Water: Considero o desejo de James por ser punido. É a razão principal para todos empecilhos que encontramos ao longo do jogo. Não atoa, para alcançar este final, você precisa agir de maneira suicida.
  • Alive: É o final em que James se redimi. Acredito que foi o objetivo de Mary tê-lo atraído até a cidade. Ao enfrentar seus desejos e culpa, ele finalmente admite seus erros e recebe o perdão de Mary. Podendo assim seguir sua vida.
  • Maria: James sucumbe aos seus desejos. Assim sendo, renega Mary e busca conforto nos braços de Maria, com quem finalmente teria aquilo que desejava em Mary e que não possuía mais após sua doença, o levando a matar sua esposa.
  • Rebirth: Além da coleta de itens, não considero que este final tenha influência da gameplay e acredito que não se encaixa igual aos outros. Todavia, pode ser interpretado como uma negação profunda aliada ao arrependimento. James não suporta ter sido a razão da morte da esposa e decidi trazê-la de volta.
  • UFO: Um bizarro final que ignora totalmente toda construção de enredo ao longo do jogo. Todavia, se trata da única conexão entre os três primeiros games e de maneira até um pouco lógica e hilária.
  • Dog: Se você não conhece este final, favor jogar Silent Hill 2 urgentemente e fazê-lo.

Enfim…

Silent Hill 2 se trata do melhor exemplar de jogos de terror. Atingi seus objetivos de maneira incrível, já que consegue aliar de maneira quase perfeita sua jogabilidade a seu enredo e até trilha sonora. Tal feito justifica como poucos jogos foram capazes a existência de tudo que nos cerca. Cria tensão, surpresas e mistérios. O jogo é único em vários aspectos e continua jogável e relevante até hoje.

Nunca mais tivemos noticias de James Sundelrand, mas talvez após a longa viagem que fazemos em sua mente, seja melhor deixar o homem descansar. Afinal, ele foi à Silent Hill e todo mundo que entra, sai de lá com que o que deseja.

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