Guarda Lunar – Resenha

Em Guarda Lunar, Tom Gauld nos faz refletir acerca das rotinas e do extraordinário.

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Título Original: MoonCop | Lançamento no Brasil: Fevereiro de 2021 (Original em Setembro de 2016)
Editora: Todavia | Número de Páginas: 96 | Preço: 54,90
Roteiro e Arte: Tom Gauld | Tradução: Hermano Freitas

Sinopse

Guarda Lunar somos apresentados às rondas do solitário policial da Lua, onde pouco acontece: um cachorro foge, um robô dá defeito, um morador volta para a Terra. Num futuro em que a colonização do espaço tornou-se aparentemente banal, o guarda circula pelo vasto cenário vazio numa sucessão de dias que se confundem. Aos poucos os moradores retornam para a Terra, nesta utopia espacial em que a lua é só um posto avançado  de alguma burocracia inominada.

A SOLIDÃO E A ROTINA

Em Guarda Lunar, Tom Gauld (Golias) parte da premissa de que os terráqueos colonizaram a lua, e muitos deles passaram a morar lá. Isso podendo ser a negócios ou simplesmente a passeio. Temos então esse policial, que faz a sua ronda para manter a ordem e a paz na lua. Na vastidão da lua e com a debandada dos terráqueos voltando para a Terra, sobra pouco para o nosso guarda fazer. 

Seus afazeres se resumem a dar uma volta completa por aí, dar um oi aqui e ali, para em seguida, tomar um café e depois fazer o seu relatório diário de atividades. Com isso, Tom Gauld já consegue nos apresentar muito bem o seu personagem, que está preso e condicionado a uma rotina que raramente muda, aliado a uma solidão que fica ainda mais potencializada por se passar na lua, que já nos transmite essa sensação de distância ao olharmos para o céu.

OS PARALELOS COM A NOSSA REALIDADE

É bem interessante como em Guarda Lunar, Tom Gauld consegue colocar diversas reflexões que traçam diversos paralelos com a nossa realidade. Ao utilizar o nosso Guarda preso em sua rotina vamos notando o quanto ele vai ficando cada vez mais isolado, sendo vítima de um marasmo iminente.  Ao não ter nada para fazer, sem novidades, não fica difícil associar isso ao que o mundo ainda está passando devido a Covid-19. Ficamos mais longe uns dos outros devido ao isolamento social, e mesmo com as diversas tecnologias disponíveis, ainda assim nós sentimos o baque dessa solidão. 

Mas Gauld propõe reflexões muito bem pontuadas com tudo que envolve nossa rotina, seja ela em casa, nas relações pessoais, no trabalho. Muitas vezes vamos estar presos, fazendo o mesmo todo dia, todo o tempo, e essa situação, não seria diferente da do nosso Guarda Lunar, que é simplesmente o melhor funcionário da galáxia. Afinal, ele tem 100% dos casos resolvidos, um funcionário exemplar. Mas que aos poucos, vai sentindo cada vez mais os golpes da rotina e da mesmice.

BELEZA DESPERCEBIDA

Toda a narrativa de Guarda Lunar é permeada por um certo humor ácido e pontual. Ao observarmos o Guarda nos seus dias, vamos notando algumas situações e diálogos que nos dão uma certa vontade de rir, por mais que você saiba que aquela situação não é de fato “engraçada”.  Tom Gauld consegue colocar em meio às reflexões e críticas, um humor muito bem encaixado, e que combina perfeitamente com o clima da história. E isso funciona muito bem por conta da narrativa de Gauld, ao aliar roteiro e arte de uma maneira simples e direta, só que com muito significado nas entrelinhas.

E muito desse significado vai ficando um pouco mais evidente quando estamos chegando perto do final da história, onde novamente Gauld nos convida a refletir sobre a solidão e o marasmo dos nossos dias. Só que desta vez, por um outro ponto de vista, que muitas vezes deixamos de perceber, ou simplesmente esquecemos devido às pressões do cotidiano. O que ele nos propõe é que, mesmo em situações ruins e adversas, há uma certa beleza na essência das coisas. Uma certa esperança que nos move mesmo quando tudo parece que deu errado. E as últimas páginas de Guarda Lunar são de uma beleza e sutileza simplesmente sensacionais.

GUARDA LUNAR, VALE A PENA?

Guarda Lunar é um quadrinho simplesmente sensacional. Um grande acerto da editora Todavia em ter publicado esse material aqui no Brasil. Ao longo de suas 96 páginas vamos notar diversas reflexões sobre as pequenas coisas do dia a dia, e como isso pode nos impactar por mais simples que elas sejam. Isso tanto para o bem quanto para o mal. É uma leitura rápida pelo seu número de páginas e por ter pouco texto / diálogos. Mas que em suas poucas páginas vão nos fazer pensar, rir e sorrir. 

Tom Gauld é um autor para se ficar de olho, pois ele tem essa característica, de nos fazer refletir através das coisas comuns, e assim nos fazer enxergar as coisas por novos pontos de vista. Assim como achamos linda a lua vista daqui da Terra, talvez o contrário seja tão (ou mais) belo quanto. 


E aí meu caro(a) leitor(a) do Meta Galáxia, espero que vocês tenham gostado da resenha. Guarda Lunar é um quadrinho que caí muito bem nos dias de hoje. Uma leitura simples, gostosa e cheia de reflexões. Até o próximo post e forte abraço!

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