Homem-Aranha Azul – Resenha

Homem-Aranha Azul é uma bela (e triste) história sobre o primeiro amor de Peter Parker: Gwen Stacy

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RESENHA DA HQ: HOMEM-ARANHA AZUL, DA DUPLA JEPH LOEB E TIM SALE!

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“… Tem a ver com uma pessoa tão importante pra mim que eu pretendia passar o resto da vida com ela. Nunca imaginei que o destino levaria só ela a passar o resto da vida comigo…”

Peter Parker, ao se recordar sobre Gwen Stacy

Homem-Aranha Azul, o segundo capítulo da Quadrilogia das Cores da Marvel

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Depois do lançamento bem sucedido de Demolidor Amarelo, a dupla Jeph Loeb e Tim Sale partiram para a segunda parte da famosa Quadrilogia das Cores da Marvel Comics. Desta vez o herói escolhido era ninguém mais, ninguém menos, que o nosso querido Homem-Aranha. E a escolha não poderia ter sido mais certeira, já que aqui temos o melhor trabalho da dupla dentro dessa proposta.

A dupla criativa ainda iria trabalhar em mais dois títulos, tendo como protagonistas os personagens Hulk e Capitão América. Em Homem-Aranha Azul, Loeb e Sale repetem a fórmula que é a essência dessa quadrilogia: recontar o início de carreira desses personagens, ao mesmo tempo em que se recordam de alguém que perderam, e a correlação disso atrelada à uma cor.

Homem-Aranha Azul foi republicado no Brasil recentemente pela Editora Panini Comics, então não é uma obra difícil de ser encontrada. Aliás, não só ela, como todos os títulos dessa saga estão disponíveis. Então, aproveite.

A Premissa de Homem-Aranha Azul

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Como já descrito acima, os títulos dessa saga têm uma proposta bem definida. Ao abordarem os primeiros anos da carreira destes heróis, isso soa como se fossem uma espécie de “Ano Um” destes personagens. Mas além de fazer isso, a obra tem como fio condutor, o fator da saudade destes heróis em relação à alguém que eles perderam. E que lhes foram muito importantes e que ainda sentem muita falta. E em Homem-Aranha Azul, isso foi feito de maneira magistral e tocante.

Para contar essa história, o Homem-Aranha é um personagem que daria não só uma opção de escolha, mas na verdade algumas. Pois a carreira do herói é marcada por várias perdas impactantes. A escolha para a história de Homem-Aranha Azul foi Gwen Stacy, o primeiro amor da vida de Peter Parker. E a cor escolhida para tal foi a Azul.

O que Jeph Loeb e Tim Sale fizeram aqui foi uma verdadeira obra-prima. Poucas vezes se viu uma história tão cheia de sentimentos. E em meio a tudo isso, o Aranha ainda enfrentará alguns de seus mais famosos vilões, já que alguém está a espreita para acabar com o herói.

A Melancolia e a dor de Peter Parker

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Ao lermos a proposta da série, podemos pensar que a história vai seguir os mesmos rumos de Demolidor Amarelo, com apenas a troca do protagonista e da pessoa que eles amaram/perderam. Porém, logo nas primeiras páginas de Homem-Aranha Azul já podemos notar grandes diferenças entre as duas obras. E ainda bem que isso aconteceu, já que ninguém iria querer ver a mesma história só mudando os nomes.

Enquanto em Demolidor Amarelo tem Matt Murdock se recordando  de Karen Page através de uma carta para ela, aqui temos Peter Parker gravando uma espécie de conversa e recordatório, através de um velho gravador de fitas cassete. E logo nos primeiros dizeres do herói, podemos ver o quanto seus sentimentos são verdadeiros e doloridos. A história abre com Peter indo até o local da trágica morte de Gwen Stacy, resultado do confronto com seu arqui-inimigo, o Duende Verde.

Na trama é dia dos namorados, e assim Peter se recorda com muita dor da perda de seu primeiro amor. E assim ele nos reconta essa história por alguns novos pontos de vista, porém nostálgicos. Loeb escolhe as palavras certas, que beiram poesia e melancolia e que fazem com que o Amigão da Vizinhança, abra seu coração como poucas vezes se viu.

Quase Que a gente não se apaixonou

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Esse é um dos dizeres de Peter ao começar a narrar a sua história com Gwen Stacy. Isso é pontuado pois ao recontar esse período de sua vida, notamos que Peter Parker tinha uma vida um tanto conturbada. Era um adolescente que estudava muito, que trabalhava como fotografo para o Clarim Diário, que estava sempre sem grana e ainda de quebra, era o Homem-Aranha. Pouca coisa não é? E além disso Peter ainda sofria com algumas brincadeiras dentro do colégio, proporcionados por Flash Thompson.

Em meio a todo esse caos, no colégio existia a bela e estonteante Gwen Stacy, que era sem dúvida alguma, era uma das garotas mais bonitas do colégio. Então, como todos os fatores citados acima, o próprio Peter Parker descartava a ideia de um dia se aproximar de Gwen. Ela era praticamente inalcançável. E por muitas vezes não apenas nessa situação amorosa, nos colocamos em posição de achar que não somos merecedores de algo.

E contrariando as nossas próprias expectativas, muitas vezes essas chances aparecem. Chances de conseguir algo que sempre sonhamos. E para Peter Parker, apesar dele ter demorado séculos para notar os sinais, esse sonho era Gwen Stacy. Então, olhos atentos ao nosso redor, as vezes os sinais estão ai e não notamos. Não é mesmo Peter?

Gwen Stacy

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A primeira namorada de Peter Parker era muito mais do que apenas o par romântico do nosso herói. Gwen Stacy foi uma das personagens mais queridas da cronologia do Aranha, e logo criou-se uma empatia ímpar com os leitores que acompanharam as histórias do casal. Além de linda, Gwen tinha personalidade, sabia se posicionar e tinha uma química incrível com Peter. Um sentimento puro e sincero, entre dois jovens descobrindo o amor.

Aqui em Homem-Aranha Azul é muito legal o desenvolvimento da Gwen Stacy.. Porque como o próprio Peter vai narrando, todos os detalhes que ele vai compartilhando com o leitor, nos fazem resgatar esse sentimento que tínhamos por Gwen, e assim nos afeiçoamos a ela mais uma vez. Loeb e Sale fazem nas entrelinhas muitas coisas importantes, como os sinais de Gwen já dava que estava afim de Parker, e ele na época, nem notava.

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Ao longo de Homem-Aranha Azul notamos o quanto a vida de Peter Parker já era bem movimentada por inúmeros fatores. Já que ao longo da narrativa, acompanhamos o quanto o lado “Homem-Aranha” tomava tempo da vida de Peter. E isso quase lhe custou muitas coisas no âmbito pessoal, já que assim ele quase deixou de se apaixonar e namorar com Gwen Stacy.

E tempos depois, infelizmente esse fardo do lado Homem-Aranha acabou culminando na morte de Gwen. Algo que impactou não apenas o nosso herói (que carrega até hoje a culpa por isso) como também dos leitores. Pois foi um dos primeiros momentos onde uma personagem dessa importância realmente morria, e isso mudou os rumos das histórias em quadrinhos de modo geral.

Mary Jane Watson

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Opa! Espera um pouco, fiquei confuso. Homem-Aranha Azul não é a história sobre Peter Parker e Gwen Stacy? Então por que tem um tópico sobre Mary Jane? Isso está certo produção? Muita calma nessa hora. Um dos fatores mais surpreendentes da história é realmente a introdução de Mary Jane. A sua aparição se dá do jeito clássico, quando a vizinha da Tia May, apresenta sua sobrinha recém chegada. Essa cena é muito bem recontada aqui e respeita o clássico.

“Mas a entrada de Mary Jane nessa história não vai atrapalhar a narrativa que estava focada em Gwen Stacy?” Esse é um pensamento que pode vir a tona quando chegamos nesse ponto da história. Porém a participação de Mary Jane é de vital importância dentro de Homem-Aranha Azul. A chegada dela, faz com que Peter, Gwen e os demais amigos desse círculo de amigos, como Harry Osborn e Flash Thompson passem a interagir mais.

Mary Jane tem um espirito indomável, e que quer curtir a vida ao máximo. Ela demonstra interesse em Peter, e isso acaba criando uma confusão para o nosso herói nesse “triângulo amoroso”. Mas isso é construído de uma maneira tão boa e divertida, que faz total sentido dentro da já conturbada vida de Peter Parker. E alem disso, tudo que é trabalhado aqui, terá um grande impacto nos momentos finais da história.

A Cor Azul

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Bem, procurando por ai podemos achar alguns significados quanto ao que representa / significa a cor azul. Ela é uma das cores frias, e por muitas vezes quer transmitir um sentimento de paz, serenidade e estabilidade. Porém, ela também pode estar associada para representar outros sentimentos, como por exemplo: tristeza, melancolia e depressão.

E a correlação dessa cor em relação a trama de Homem-Aranha Azul? Acredito que talvez as duas coisas podem ser aceitas.  Primeiro quanto a paz e serenidade, estariam vinculadas a cor dos olhos de Gwen. Afinal, foi por meio deles que Peter teve o seu primeiro contato com ela, quando seus olhares se encontraram por um breve  instante. Foi o ponto de partida para Peter buscar a paz e a estabilidade nos braços do seu primeiro amor.

Mas também, está é uma história que é permeada por um tom triste e melancólico. A dor da saudade e da perda são sempre bem pontuados. Em determinado momento da história, o próprio Peter fala sobre a cor azul, uma cor fria, que remete a algo triste. Algo como o jazz e o blues são no cenário musical.

Isso sem falar que nos momentos de recordatórios, que é onde os textos de Loeb nos trazem essa carga mais dramática e triste, Tim Sale faz uso da cor azul para dar ainda mais enfase a esse ponto. Mais uma vez, um casamento perfeito entre roteiro e arte.

Homem-Aranha Azul, vale a pena?

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Olha, se você ainda não se convenceu de que Homem-Aranha Azul vale a pena, reforço aqui que esta é uma das melhores histórias do Aranha. E daria pra arriscar mais, é uma das melhores histórias já feitas no âmbito de super-heróis, quando se fala em uma abordagem mais intimista e pessoal. Já que aqui, entramos no coração do Amigão da Vizinhança, e sentimos toda a sua alegria e dor, ao relembrar essa época da sua vida.

A edição da Panini nesta republicação está lindona. A parte gráfica está impecável, o que realça ainda mais o trabalho espetacular da arte de Tim Sale. Os extras são bem legais e temos um pouco da dimensão de como este trabalho foi concebido. E a edição também conta com uma introdução de John Romita Sr. que é emocionante. Ele consegue sintetizar muito bem o que o leitor está prestes a vivenciar.

Ao fazermos a leitura de Homem-Aranha Azul, é quase impossível ficarmos indiferentes ao que nos é mostrado. Conseguimos sentir todos os sentimentos de Peter e dos demais personagens, e notamos o quanto Gwen Stacy foi (e ainda é) importante para ele. E o quanto ela impactou a sua vida e dos demais que a cercavam. Homem-Aranha Azul nos relembra que não devemos esquecer as pessoas que nos foram importantes, afinal elas fazem parte de quem somos, e estarão pra sempre conosco em nossos corações.

E tudo isso é demonstrado de maneira sublime nas últimas páginas. Não estranhe se você se pegar suando pelos olhos, pois é normal. Porque Homem-Aranha Azul é uma história humana sobre lidar com perdas, lembranças, aceitação e de como seguir em frente.


Espero de coração que você tenha apreciado a resenha e que se caso não conheça Homem-Aranha Azul, corra atrás, pois este é um dos quadrinhos que fazem parte da razão de continuar gostando tanto da Nona Arte.

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