Dressrosa – One Piece (Análise)

O maior (e melhor?) arco de One Piece!

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Os personagens principais de Dressrosa

Particularmente, Dressrosa foi o arco que assisti mais rápido, o inicio foi muito genial e o Coliseu me agradou muito, mas no final a coisa trancou demais e eu acabei perdendo o interesse e demorei muito mais para ver. É isso que acaba dividindo e muito a opinião dos fãs, a proporção entre narrativa de qualidade e plots em demasia, por melhor que fossem.

Devido ao fato de ser um arco gigantesco, maior que muitos animes inteiros, eu decidi que uma análise detalhada é necessária, mas nem todo mundo tem tempo ou gosta de ler textos gigantes. Então decidi fazer duas análises, uma bem resumida e simples (que ainda assim é grande, não da pra fugir disso). E outra mais detalhada, abordando muito mais os acontecimentos e personagens. Boa leitura!

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ANÁLISE SIMPLES

O Coliseu de Dressrosa

Maior arco de One Piece, Dressrosa justifica seu tamanho ao entregar uma história rica em detalhes e com uma imensidão de novos personagens. Além de contar com um dos melhores vilões dos até agora mais de 900 capítulos da história de Eiichiro Oda. Por falar no autor, ele claramente se empolga ao criar a história e acaba se perdendo um pouco na quantidade de personagens com qual lida. Na tentativa de fazer tudo num único arco.

Muito conteúdo, até demais!

Oda, por exemplo, comete um erro que parece corrigir no arco seguinte de Whole Cake, que é desenvolver histórias locais, lidando com toda a família real e ainda algumas lendas do país. Digo isso por que o autor acaba apresentando Fujitora, desenvolvendo Law, Doflamingo, a família Riku, os Revolucionários, os guerreiros do coliseu além dos “duendes” que são lendas no país. Tudo ao mesmo tempo e interligado.

Eu admiro na verdade a capacidade de Oda em criar algo tão grandioso, detalhado e conectado de uma forma extremamente orgânica na maioria das vezes. O mangaka possui uma criatividade invejável e uma mão com seus personagens sem igual. Todavia muita coisa disso tudo é descartável e desnecessária, mesmo que seja bem feita. Muitos podem julgar que a família real era necessária, já eu acho que a coisa toda foi exagerada e só a história do Rei Riku sendo destronado e reaparecendo ao final era o suficiente.

Perdidos em Dressrosa

Já os revolucionários e Fujitora são incluídos em meio a isso tudo e acabam não recebendo a atenção que mereciam. Os primeiros ficam com objetivos meio fracos para estarem lá exatamente naquele momento e o segundo perdido em meio as suas próprias ideias. Sabo é incluído na história novamente e além de já ser um substituto de Ace, ele ainda ganha os poderes do falecido, apagando todo o efeito e impacto que a morte do filho de Roger teve para a história e para Luffy.

A Grande Frota do Chapéu de Palha

Os lutadores do coliseu acabam formando a grande frota do chapéu de palha e quem assiste as lutas de gladiadores logo no inicio não imagina que resultaria nisso. Mas a coisa flui tão naturalmente que em momento algum soa forçada naquele universo em que o protagonista conquista todo mundo com sua simpatia ao mesmo tempo que resolve um problema que apareceria, já que qualquer grande pirata tem que possuir uma grande frota e Oda resolveu isso de maneira bem inteligente.

Agora si, agora sim, agora não…

As lutas são bem coreografadas, apesar de serem falhas pelas constantes interrupções e vai e vem dos personagens. Isso talvez fosse para evitar o óbvio, mas cansa ficar pensando que finalmente os personagens vão lutar e eles acabarem ficando andando em círculos. Além disso a gaiola de Doflamingo conta com muitas incoerências e é extremamente difícil de aceitar todo o contexto que aquilo envolve, desde as ações de Fujitora até mesmo ao povo e os protagonistas que percorrem milhares de quilômetros em questão de uma hora para sobreviver ao ataque do vilão.

Com um grande vilão, com um passado interessante, lutas incríveis e divertidas no coliseu – que é a melhor parte – e uma história rica em detalhes, Dressrosa é uma saga que enriquece o universo de One Piece ao mesmo tempo que é capaz de se sustentar sozinha. Todavia infelizmente isso prejudica o ritmo da obra como um todo que perdeu muito tempo devido a essas questões e fica cada vez mais inchada. Individualmente, um arco de altíssima qualidade, já contextualizando com a história, uma mistura de diversão com muita perda de tempo.

ANÁLISE DETALHADA

Doflamingo, vilão de Dressrosa.

Doflamingo

O vilão é a melhor coisa do arco, criando expectativas desde suas primeiras aparições, Doflamingo não decepciona em nenhum momento. Sua história felizmente foge ao clichê dos vilões de Shounnen com passado triste, sendo o Donquixote a versão pura da maldade. Há algumas inconsistências nas suas ações ao deixar Luffy e os demais vivos em diversas situações que parecem demasiadamente convenientes. Mas num geral ele se demonstra um vilão inteligente, que acredita ser um deus, algo vindo da sua origem como Tenryuubito e extremamente reforçada ao longo da saga durante as discussões relacionadas ao nome D. e ao passado, que alimentam ainda mais a curiosidade de quem assiste.

Law e Corazon

Extremamente importante ao longo da saga, Trafalgar Law recebe um destaque de Mugiwara em Dressrosa. Alguns desavisados inclusive poderiam imaginar que ele entraria para o bando ao final do arco devido a estrutura da história, que é muito parecida com a de Nami nessa questão de ter um passado com o vilão que o tirou tudo. Corazón é um personagem clichê, mas uma grata surpresa no meio daquela bagunça de personagens que estão em Dressrosa. Ele sem dúvida é um dos mais interessantes, possuindo um arco divertido ao lado de Law, mas acabou vítima dos Flashbacks, que é a única causa de morte de personagens em One Piece.

Talvez fosse exagero matar Law, mas Oda peca um pouco em deixá-lo em estado de quase morte somente para deixar todo protagonismo da luta final para Luffy e isso não gerar nenhuma consequência. Talvez ter mantido ele sem o braço teria passado o peso do confronto.

Os Revolucionários

Mais para o clímax do arco, temos a primeira participação efetiva dos revolucionários na história, que viriam a aparecer novamente logo em seguida durante o Riverie e foram introduzidos aqui. Após os Flashbacks mostrando a infância de Luffy, ficava claro que Sabo não havia morrido. Contudo, Sabo é a demonstração pura de fraqueza de Oda que até o momento só teve coragem de matar um personagem importante na história e criou um substituto igual para ele, tirando todo o impacto que a morte de Ace deveria trazer para a história. Lufy perdeu um dos seus irmãos, mas ganhou um clone das sombras dele.

Fujitora

Servindo de introdução e novamente mais um questionamento em relação a marinha e o governo mundial, o arco de Fujitora na história começa legal, mas fica incoerente com o passar do tempo. O personagem é um almirante da marinha e deveria ter poder suficiente para conter Doflamingo ao final e a razão para sua neutralidade sobre a situação foge totalmente da lógica do personagem. Ele é apresentado como uma boa pessoa que busca mudar a marinha, mas que para atingir seus objetivos permite que Doffy mate milhões de pessoas durante a gaiola de Doffy.

Obviamente que Oda queria que Luffy derrotasse o vilão e usou a desculpa de evitar que a marinha levasse os créditos para manter seu personagem mais forte na ilha como mero telespectador. Mas falhou ao ter que balancear a ameça de Doflamingo, que deveria ser mortal, com os ideais do Almirante que se demonstraram contraditórios e até cruéis. Isso seria facilmente resolvido com Fujitora ficando do lado de fora da gaiola por algum motivo e tendo que somente observar.

Grande frota do chapéu de palha

A maior razão de Dressrosa ser tão grande, sem dúvidas é a apresentação dos personagens que compõem a frota de Luffy. Confesso que tive que fazer um pouco de esforço para engolir a aceitação de todos em seguir Luffy, mas era algo necessário para o personagem atingir o status de Rei dos Piratas e não há tempo para desenvolver uma frota inteira. Então Oda optou por utilizar Dressrosa para desenvolver os “comandantes” de Luffy que irão com certeza ter sua importância lá na frente.

Suas lutas não são la das mais interessantes, mas sem dúvida o coliseu é uma parte divertida e uma ótima maneira de introduzir os personagens naturalmente. Muita gente reclama que isso enrolou muito a história, mas confesso que enquanto assistia não senti o tempo passar e a ansiedade era grande. As lutas são descartáveis para quem não pretender ver o arco inteiro, mas eu fiz questão de assisti-las. Diferente da luta final deles com os homens de Doffy que meio que quebrou a expectativa sobre alguns e essas sim foram enroladas.

As lutas

Do outro lado temos boas lutas, como a de Zoro e o hilário Pika com sua voz fina. Eu defendo que a divisão do bando fez bem para a história e trouxe lutas diferenciadas ao final com os novos comandantes de Luffy. Mas por essa questão do cansaço que a história causou em quem assiste acabou não sendo tão bom quanto podia e somente Zoro escapa. A luta de Luffy e Doffy sofre também por causa deste costume de Oda de fazer Luffy iniciar sua luta primeiro que todos e a ir mostrando bem devagar, em paralelo com as demais lutas.

Esse corte todo é para causar a impressão de simultaneidade e evitar a conveniência do “chefe” ser o último a lutar, mas não faz muita diferença quando você acaba deixando essa luta por último da mesma maneira, só fazendo as batalhas parecerem mais demoradas. As vezes o simples não é feio e a velha estrutura de hierarquia “do mais fraco pro mais forte, um de cada vez” é a mais eficiente e mais agradável de ser assistida.

E em meio a tantas lutas desinteressantes, Oda ainda corta a que teria o maior grau de interesse, mesmo que irrelevante entre Fujitora e Sabo, dois personagens recém apresentados e que teriam chance de demonstrar mais de suas capacidades e justificar sua fama e cargos na Marinha e Exército Revolucionário, respectivamente.

Concluindo

Com um ar de “Épico”, o arco de Dressrosa é prejudicado por ser usado para inclusão de personagens demais na história. Preparando, com certeza, o terreno para o futuro e desenvolvendo o agora, tudo ao mesmo tempo. Oda cria uma narrativa muito cansativa, que tem seus momentos divertidos e de empolgação, mas que acaba por tirar a atenção de algumas coisas que seriam importantes, mas recebem menos atenção devido a “concorrência” narrativa que acontece por causa do excesso de plots. Talvez Dressrosa precisava de outra ilha prévia além de Punk Hazard.

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