Arco Skypiea: Batalhando contra Deus – One Piece | Análise

366

One Piece possuí uma forma peculiar de contar sua história, dividida basicamente em “dentro do arco” e “fora dos arcos”, com praticamente uma exceção que é Marineford. Num geral, ocorre muita coisa em paralelo a Luffy enquanto o protagonista está vivendo suas aventuras particulares, como eu mencionei na análise de Jaya. Ainda assim, nenhuma é tão particular quanto o arco Skypiea, que pode soar cansativa no anime, mas que, sem duvidas, é uma grande história.

A história de Shandora

Shandora é aquele ar de diferente em Skypiea e trás a tona uma discussão que talvez não fosse o objetivo de Oda, mas que funciona ainda assim, sobre a evolução. Além de ser uma ótima história sobre amizade, que pode ser a primeira camada de avaliação, Oda vai além ao trazer o confronto de ideais. Norland trás o novo, tecnologia, cura, novas vestimentas e tudo mais, assim como os Shandians possuem sua fé e sua cultura. Tudo remete muito as grandes navegações e a descoberta de novos territórios, ainda que aqui tudo ocorra de maneira muito pacífica e os ‘indíginas’ sejam os ‘vilões’ que se negam a aceira o novo. Não sei se Oda só quis utilizar a história desta maneira pelo roteiro, ou os japoneses possuem uma visão deturpada sobre as colonizações.

Tirando este detalhe, há muitas lições a tirar e o desenvolvimento da amizade entre Norland e Calgara é bem feita e cumpre sua função de gerar decepção quando Norland retorna e não encontra grande parte da ilha de Jaya. Acredito só que o flashback que conta esta parte de Skypiea está mal localizado ou, no mínimo, poderia ter sido quebrado em partes, pra que a gente adquirisse o mínimo de simpatia pela luta de Wiper antes, já que o personagem se torna extremamente irritante. Claro que a história do sino possui o timing perfeito com o presente, por isso acredito que ficaria melhor quebrar o flashback.

Já no presente…

Por outro lado, poderia agravar um problema que já é grande no Arco Skypiea que é o ritmo lento que algumas coisas acontecem. Não no mangá, onde o ritmo é legal, ainda que algumas partes soem mais desnecessárias que outras – como os Shinkans, por exemplo. Já é difícil se apegar a Skypiea quando se percebe que dificilmente aquilo tudo influenciará no futuro e a coisa piora quando temos plots irrelevantes dentro de um ‘arco irrelevante’. A história de Norland e Calgara pelo menos é interessante.

Tirando os Shinkans e tudo que os envolve, Enel cumpre bem sua função e possui um ótimo desenvolvimento como vilão. Não que seja novidade um vilão com complexo divino, mas todo o desconhecimento sobre o mundo real o torna tão inocente quanto muitos dos que estão ali. Outro ponto é a valorização da terra como algo divino pelos moradores do céu. Podemos dizer com toda certeza que Oda utilizou magistralmente o fato de serem moradores do céu e trouxe um arco único para One Piece. Um vilão imponente e interessante; um pano de fundo bem desenvolvido e; lutas mais bem trabalhadas do que as vistas em Alabasta, por exemplo.

Todavia, é nítido que o anime sofre com o ritmo lento que é aumentado pela sensação de inércia da história, que após entrar na Grand Line não parecia ter avançado nem um pouco. No manga este ritmo é menos sentido, mas isso se deve também ao fato de não possuir dois arcos fillers o precedendo como ocorre no anime, mas, mesmo internamente, ainda flui de maneira bem mais agradável.

Conclusão

o Arco Skypiea é capaz de emocionar e cumpre com a promessa de uma aventura no céu. É épico como deve ser, único como só uma ilha no céu seria, mas ainda faz parte de um contexto em que, assim como Dressrosa, não se encaixa tão bem. Sofre no anime com o ritmo lento e extensões de lutas já pouco interessantes mesmo no mangá. Agradará, no fim, aqueles que gostam de uma boa história e conclusões bem desenvolvidas, mas incomodara aqueles que gostam de ver uma história que anda pra frente.

5 COMENTÁRIOS

  1. Eu revi esse arco agora a pouco, e acho que o “problema” em si do arco é justamente essa sensação de que “a historia não ta indo pra frente”, uma sensação que é dada justamente por arcos fillers em animes, por isso muita gente o trata assim. Mas olhando isoladamente o arco, vi que é um dos melhores, pois tem uma das melhores ilhas, com um trabalho sobre a propria excelente(acho que só perde pra Wano nesse quesito), e toda a mitologia que a cerca foi algo muito bem feito pelo Oda.

    Eu sempre vejo Wano como um grande upgrade de Skyipea, pois o Oda ta conseguindo trabalhar bem toda a historia sobre uma ilha, ao mesmo tempo que desenvolve muito bem a trama principal, mostrando que a historia esta andando pra frente, sem essa sensação de “filler” que Skyipea tem um pouco.

    • É uma boa analogia, eu pensei o mesmo sobre Dressrosa, que além destes quesitos, também possui outras qualidades. Mas realmente, Skypeia por si só é magnífica. Como eu disse no texto, a sensação de inércia da história só incomoda pela sequência de arcos parados que o anime teve logo que entra na Grand Line. Wano tem esse quesito da importância para o contexto, mas vamos ver se terá um encerramento tão incrível e impactante.

      • Bem lembrado sobre Dressrosa, agora sobre Wano, até agora pra mim ta no top 5 facil de arcos, mas tambem to na expectativa se vai ter um final impactante, ou pelo menos fechar todod os nucleos bem, mas dou um voto de confiança pro Oda, pq ele é possivelmente o melhor mangaka nesse quesito de fechar arcos (nem preciso dar exemplos né kkk).

        • Sem duvidas os encerramentos de núcleos dele são incríveis. Já salvaram vários arcos aparentemente ruins. Wano tem seus problemas, mas, de cabeça, provavelmente ta no top 5 mesmo. Vamos ver o fim antes de chegar a essa conclusão.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here