EVANGELION: 3.0 VOCÊ (NÃO) PODE REFAZER – RESENHA

Terceiro filme conta um abordagem mais dramática e contemplativa

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Título Original: Evangelion: 3.0 You Can (Not) Redo / Evangelion: 3.0 Q Quickening / ヱヴァンゲリヲン新劇場版:Q
Lançamento Original: 17 de Novembro de 2012
Direção: Hideaki Anno
Duração: 95 minutos
Disponível em: Amazon Prime Vídeo

SINOPSE de Evangelion: 3.0 Você (Não) Pode Refazer

“Evangelion: 3.0 Você (Não) Pode RefazerQuatorze anos após o Terceiro Impacto, a Terra é um deserto pós-apocalíptico, e a civilização humana está em ruínas. As pessoas que Shinji conhece estão quase irreconhecíveis. Preso dentro da Evangelion Unit-01, ele é recuperado do espaço por Asuka e Mari, apenas para ser um prisioneiro de Wille, uma facção militar liderada por seu ex-guardiã: Misato Katsuragi. Frios e amargos, seus ex-aliados o veem com suspeita e se recusam a apoiá-lo quando ele chega, devido as consequências de suas ações.

Isolado e magoado, Shinji conhece e rapidamente torna-se amigo do enigmático Kaworu Nagisa, que lhe oferece calor e uma luz sobre o status da guerra de Nerv com os Anjos. Mas a breve paz entre Shinji e Kaworu é na verdade a véspera de uma nova batalha. Shinji descobre que seus inimigos não são mais anjos, mas ex-companheiros. Neste confronto amargo para determinar o futuro do mundo, Shinji aprenderá em primeira mão que o passado realmente não pode ser desfeito.

Ao lermos a premissa do terceiro filme dos rebuilds de Evangelion, já podemos notar uma grande diferença em relação aos seus antecessores. Isso porque os dois primeiros são intercalados diretamente, enquanto aqui há um salto no tempo de 14 anos. E essa ação traz consigo mudanças e mistérios que mudam o status quo da obra. Se o segundo filme já trazia mudanças significativas para a trama, em Evangelion: 3.0 Você (Não) Pode Refazer, isso é potencializado ainda mais.

PERDIDO

Como dissemos acima, Evangelion: 3.0 Você (Não) Pode Refazer é bem diferente dos seus antecessores. E uma sensação que provavelmente o espectador vai sentir no início, é o de estar perdido. Pode ficar aquele incomodo de ter esquecido algo. Ou, como se tivéssemos pulado uma parte. A sensação de que está faltando uma explicação para todo aquele mundo que nos é apresentado é iminente. E dentro da trama temos um personagem que está da mesma forma que nós, que é o Shinji. Provavelmente essa deve ter sido a ideia de Hideaki Anno. Nos deixar tão perdidos quanto o seu protagonista.

A abertura do filme inicia com uma sequência de ação muito bem feita tendo foco na Mari. Mais uma daquelas cenas de encher os olhos. Mas ao mesmo tempo surgem questões de contra quem eles estão lutando. Na sequência, a medida que os personagens vão aparecendo (mais velhos e amargurados), mais perguntas vão surgindo. E novamente aquela sensação de ter perdido alguma coisa volta a tona. Aos poucos algumas coisas nos vão sendo ditas. (Ou melhor, vão sendo ditas a Shinji). Que já é um personagem que possui diversos dilemas, e agora mais do que nunca quer saber o porque de tudo estar ao avesso. (Como por exemplo porque Misato e os demais agora estão na organização Wille, que combate a Nerv).

Em um primeiro momento essa sensação de confusão e de peças faltando pode incomodar. Mas com o avançar da trama, isso faz do filme mais instigante. Pois querendo ou não, como ele não “se explica” totalmente, sobram brechas para teorias, uma vez que a lacuna entre o segundo filme e este é enorme. A única coisa que sabemos, é que o ato de Shinji ao final do filme anterior foi o fato gerador de tudo isso.

CONSEQUÊNCIAS

Para os espectadores que haviam visto a série original (e o filme End of Evangelion), possivelmente pode ter sido gerado uma certa expectativa quanto a abordagem sobre o “Terceiro Impacto” (ou quase) mostrado no final do segundo filme. Mas aqui em Evangelion: 3.0 Você (Não) Pode Refazer, a abordagem não vai tanto por esse caminho. O filme não se interessa tanto em destrinchar a causa e o processo do “Quase Terceiro Impacto”, mas sim em lidar com as consequências dele.

E para ter essa abordagem mais reflexiva, a obra dá uma desacelerada em relação a seus antecessores. Enquanto os outros filmes eram mais imediatistas na abordagem dos dramas, aqui o clima mais melancólico está de volta. Com mais tempo para trabalhar esses assuntos, o filme se torna mais lento e intimista. Pelos olhos de Shinji também vamos tentando entender o mundo insano em que ele despertou, e que agora tenta desesperadamente se (re)encaixar. Afinal, Shinji nunca se encaixou em qualquer mundo que seja.

Durante o longa temos a apresentação do personagem Kaworu Nagisa, que logo demonstra ter uma afinidade ímpar com Shinji. E é ele quem nos guia por esse novo mundo enquanto vai explicando algumas coisas a Shinji. Anno acerta ao dar esse destaque para o personagem, uma vez que Shinji perdeu os laços com seus antigos companheiros. Kaworu e Shinji tem conversas bem filosóficas e existencialistas que dão um grande peso para o filme e os rumos de Evangelion.

VOCÊ (NÃO) PODE REFAZER

Quando a amizade de Shnji e Kaworu ganha mais força (como a belíssima cena do piano) o clima melancólico e para “baixo” começa a ganhar pequenos contornos mais otimistas. Shinji é um personagem que não consegue romper com seus estigmas. Ele sempre tentou fazer a coisa certa, mas o resultado é sempre o oposto. E aqui mais uma vez vamos observando esse processo se formando. Todos o culpam por o mundo estar dessa forma. Ele é privado de várias ações, assim se sentindo fraco mais uma vez. Mas quando Kaworu surge, traz uma pequena luz a sua existência.

Em meio a tantas conversas, Kaworu sugere que ainda existe esperança. E mais uma vez aproveitando o título do filme, o mesmo se encaixa perfeitamente para a trama. Shinji sabe que não pode desfazer o passado. E sabe que apesar de todas as suas boas intenções, os resultados foram catastróficos. Mas mesmo que o passado não possa ser desfeito, isso não significa que o futuro não possa ser “refeito”. E esse é o grande ponto do filme.

Por isso que Kaworu rouba a cena quando aparece, pois o personagem mesmo em pouco tempo de tela traz reflexões bem pertinentes. Em meio ao caos é possível recomeçar. E traz a pergunta: Shinji pode de fato fazer isso e quebrar o seu ciclo? Ele realmente, pode refazer seu destino e o do mundo?

EVANGELION: 3.0 VOCÊ (NÃO) PODE REFAZER, VALE A PENA?

Com uma abordagem mais contemplativa, Evangelion: 3.0 Você (Não) Pode Refazer é um ótimo filme dessa série de rebuilds. É um filme que se preocupa muito mais em expor as dores dos seus personagens do que explicar as causas. É mais em como lidar / viver com aquilo e se há alguma possibilidade real de futuro. Então para quem gostou muito dos outros dois filmes, pode estranhar bastante o ritmo desse. Menos foco na ação e mais voltado ao drama.

E por mais que a abordagem seja essa, nem todas as questões desse âmbito são respondidas. Na verdade surgem mais perguntas do que respostas. E sinceramente, essa é a intenção do filme. Deixar o cérebro coçando, com essa sensação de filme “solto”. E por mais que fiquem diversas coisas em aberto, pode-se dizer que o filme cumpre muito bem a sua função.

Mas que função seria essa? De respirar um pouco e pensar em todas as consequências dessa história toda de Anjos, EVA’s, Nerv e tudo mais. E realmente nos fazer pensar se existe alguma possibilidade de felicidade em meio a todo esse turbilhão de caos e coisas ruins. Tentar nos fazer enxergar alguma esperança mesmo com o mundo de ponta cabeça e que não faça sentido algum. E justamente por isso, não deixar de sentir esperança em um possível recomeço.


E aí meu caro(a) leitor(a) do Meta Galáxia, espero que vocês tenham gostado da resenha. Em um primeiro instante Evangelion: 3.0 Você (Não) Pode Refazer pode soar um “filme esquisito”. Mas dê uma chance a obra, pois ela tem muito a acrescentar. E um adendo: pode ficar em paz, pois essa sensação de “filme solto” é resolvida no último filme série. Por isso que ele se chama: Evangelion 3.0+1.0: A Esperança, ao invés de um “4.0”. Então, fique ligado aqui no site, para conferir as demais resenhas dos Rebuilds de Evangelion!

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