Silent Hill 4: The Room – O mistério do Apartamento 302

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Há exatamente um ano, no mês de outubro de 2020 escrevi sobre a trilogia original de Silent Hill, analisando o primeiro, segundo e terceiro jogos. Esse ano, resolvi dar uma chance para o quarto game da série e os filmes, onde já escrevi sobre Terror em Silent Hill e ainda trarei o segundo filme. Destes, um dos melhores exemplares da franquia e que sofre um forte preconceito é o quarto lançamento da franquia da Konami. Silent Hill 4 é diferente do que veio antes e isso, apesar de ser seu maior motivo de criticas dos fãs, é sua maior qualidade.

um enredo bem particular

Começando pela história que em se tratando de Silent Hill sempre é relevante – principalmente pela capacidade de influenciar na jogabilidade. Desta vez, acompanhamos Henry, que há alguns dias vem tendo pesadelos. De repente, o homem se vê preso no apartamento 302, incomunicável, com portas e janelas o impedindo de sair e ninguém ouvindo seus apelos.

A premissa da história segue um tom um pouco mais pessoal assim como o segundo game, ignorando um pouco todo enrolo com Alessa do primeiro e terceiro jogos. A decisão se mostra acertada, visto que Silent Hill tem capacidade de criar roteiros originais sem necessariamente ficar sugando ao máximo os mesmos personagens e plots.

Ainda assim, mesmo o apartamento se localizando em outra cidade, Silent Hill influência a todo o momento nossa aventura com Henry. Outra questão legal é a conexão entre este jogo e o segundo em diversos pontos e referências. Dá pra fazer um paralelo com Resident Evil, onde o primeiro e terceiro games são mais conectados, assim como o segundo e o quarto. A franquia da Konami segue exatamente esta lógica, assim como também aposta no quarto game como uma mudança de jogabilidade na intenção de revitalizar seus jogos.

Não é tão diferente dos outros quanto parece

Diferente do que muita gente acusa, Silent Hill 4 muda só o suficiente em comparação com os demais jogos. O cenário do apartamento 302 é o protagonista do game e cria uma espécie de save point, mudando a estrutura com que você vai explorando os cenários. Ao mesmo tempo, cada vez que você volta pra ‘casa’, podem haver ameaças tentando possuir o local que, em primeira pessoa, cria um ambiente bastante hostil e aterrorizante no que deveria ser seu único local seguro.

O apartamento é responsável por boa parte da ambientação, além de toda sua influência na história de Walter. Outro ponto interessante é que o jogo expõe mais seu roteiro através dos files. Automaticamente, fica fácil associar as novas criaturas ao que nos foi explicado – caso você leia os files, é claro. Com isso, a imersão se torna absurda, com criaturas bizarras e um trabalho sonoro esplêndido com origens explicadas.

É fácil dizer que Silent Hill conseguiu se aproximar do segundo no quesito imersão, algo que é essencial na franquia em comparação com o terceiro. Por se tratar de um jogo de terror psicológico, é indispensável para a experiência que a história seja compreendida e bem associada com o que acontece ao nosso redor.

Conclusão

O jogo não é perfeito, sua seleção de armas é confusa e a segunda metade do jogo aumenta desproporcionalmente a dificuldade. Todavia, ainda é um grande exemplar de Silent Hill, mudando na medida certa e inovando sem perder a essência. A variedade de gameplay dá um ar de respiro para uma franquia que já vinha cansando. É estranho observar que quase nenhum elemento foi reutilizado nos lançamentos de XBOX 360/PS3, talvez isso justifique a queda de qualidade.

Silent Hill 4 é tão bom quanto os demais e consegue utilizar o que de melhor há no segundo jogo, que é o melhor de toda a franquia. Desta vez, todavia, contando uma história sobre Walter e o apartamento 302, tendo nós e Henry como meros telespectadores.

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