Silent Hill 3 (PS2) – Dando um fim ao começo.

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Imagem de SIlent Hill 3.

Após o fim do segundo game, abriu-se uma premissa interessante e que mostrara resultados. Silent Hill 2 é um ótimo game muito pela sua abordagem de James e sua mente perturbada. Imaginava-se, assim, uma gama de possibilidades que poderiam ser exploradas através de diferentes perfis psicológicos de futuros protagonistas dos games. Silent Hill 3, todavia, opta por retornar ao enredo central e dar uma continuidade ao primeiro game da franquia e encerrar a trama de Alessa, Samael e Harry Mason.

Inevitavelmente, melhor.

É de se esperar, de uma continuação, que tudo que veio antes, técnicamente falando, seja melhorado. Assim, os gráficos de Silent Hill 3 trazem uma ótima evolução, que fica mais visível quando revistamos cenários como o hospital, por exemplo. Há uma mudança dos ângulos de câmeras, menos fixos, que trazem alguns problemas de jogabilidade. Tais ângulos, permitem uma visualização maior dos detalhes dos cenários, muito mais macabros que no segundo jogo, principalmente no Mundo Alternativo.

Se por um lado há uma criatividade na nova construção de locais, até mesmo ao fugir de Silent Hill durante um pedaço do game, por outro, há uma variedade pequena. O jogo é bem menor que o anterior e passamos muito tempo revisitando locais e aqueles novos, com exceção do parque, não chamam muita atenção. Todavia, o Mundo Alternativo, muito mais aterrorizante é o que salva essa saturação de locais.

Cenário do parque, um dos melhores de Silent Hill 3.

Bem Silent Hill, até demais.

Silent Hill 2 trazia poucas diferenças na jogabilidade do primeiro game. Mas isso não era um problema, pois pouco havia enjoado. O terceiro game, no entanto, continua bastante parecido com os dois primeiros, o que já passa a ser um problema. Há uma tentativa de melhoria de mecânicas, mas não funciona. A câmera possui ângulos mais difíceis e inconstantes.

O botão de ação é usado também para atacar inimigos sem mirar. Resultado? Ao tentar entrar numa porta, se não tiver bem posicionada, Heather simplesmente vira em direção ao inimigo. Nos cenários apertados do game, em que você muitas vezes não pode errar desvios, isso pode ser mortal. Neste game, os inimigos são muito mais difíceis do que nos dois primeiros, o que torna as premissas de economizar munição e fugir quando der, mais necessárias. A jogabilidade, no entanto, atrapalha esse conceito com uma única mecânica errada.

Heather, protagonista de Silent Hill 3.

A trilha sonora do game segue o padrão dos games anteriores, trazendo novidades e mantendo a capacidade de causar tensão. É um pouco ausente de vez em quando, mas em muitas dessas situações se deve a valorizar talvez o som dos inimigos, muitas vezes mais perturbadores do que qualquer trilha de fundo.

Cena do espelho em Silent Hill 3

Uma história sobre….gravidez?

Em Silent Hill, temos a busca de Harry por sua filha e no Mundo Alternativo, o inferno particular de Alessa. No segundo jogo, tudo, inclusive o Mundo Alternativo, gira em torno de James. Em Silent Hill 3, existem discussões quanto aos inimigos. A jogabilidade não encaixa com o roteira da maneira maravilhosa que o segundo, e nem inova muito como o primeiro. Fica, assim, aquela sensação de que falta um ingrediente no jogo.

Muitos dizem que a história gira em torno da gravidez de Heather – tanto de Samael, quando de um possível filho verdadeiro. Eu não vejo elementos suficiente pra corroborar essa teoria, se for verdade, foi porcamente executado. O que me leva a pensar isso é o fato do game dar a entender que o inferno que vemos, é, na verdade, o de Claudia. Assim sendo, seria mais provável que todas as referências a gravidez serem desejos de Claudia por estar no lugar de Alessa e dar a luz a Samael. A cena final do game, em que ela engole o feto de Heather, corrobora esse pensamento.

Conclusão sobre Silent Hill 3

Em conclusão, o que vemos no terceiro game é um processo de cansaço de diversos elementos. Tentativas falhas de renovar alguns deles e uma aprimoração no sistema de dificuldade do jogo, mais equilibrado do que o segundo. Todavia esse sistema é prejudicado pela própria jogabilidade. Trazendo de volta o plot do primeiro game, a história dá um bom encerramento, mas sem o mesmo ar de originalidade que já vimos antes. A morte de Harry é corajosa, mas incoerente. Heather, no entanto, é uma boa protagonista e segura bem a história.

Daqui em diante, o que vemos é uma tentativa de inovação e volta as origens seguidas de falhas que não só prejudicaram o andamento da franquia Silent Hill, como também prejudicam o roteiro da trilogia original ao causar incoerências no roteiro das mesmas. Silent Hill 3 não é ruim, só é pior que os dois primeiros. Já o que vem depois, bom, ai é discutível.

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