O Relógio do Juízo Final (Doomsday Clock) – Resenha

Geoff Johns e Gary Frank restabelecem o universo heroico da DC.

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Resenha da mini-série O Relógio do Juízo Final, da DC Comics, escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank

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“Daqui uma semana, a última coisa que vejo é o Superman enfurecido. Sua capa está rasgada e suas mãos, manchadas de sangue. Eu me encontro em Marte, incapaz de responder a uma simples pergunta: O Superman me destrói... ou eu destruo tudo?” – Dr. Manhattan – O Relógio do Juízo Final

Em 2016 a DC decidiu reformular seu Universo, já que os a iniciativa anterior, Os Novos 52, não tinha alcançado o resultado esperado. Com isso nasceu o Renascimento (Rebirth) da editora das Lendas. Tudo começou com um One-Shot (que é maravilhoso) que abriu as portas para a nova fase dos títulos da DC e ao final deixou algumas pistas do que estava por vir por meio desta reformulação, principalmente nas suas últimas páginas.

Depois alguns títulos começaram a explorar esse prelúdio como o que ocorreu no crossover entre Batman e Flash em O Botón. Mas o que realmente estava sendo planejado era uma mini-série em 12 partes, e eis que chegamos até O Relógio do Juízo Final (DoomsDay Clock) que teve seu início originalmente em Novembro de 2017 e foi concluída em Dezembro de 2019. E pelo tempo de duração, podemos notar que a série sofreu alguns “pequenos atrasos” lá fora. A obra contou com roteiros de Geoff Johns e arte de Gary Frank. Aqui no Brasil as 12 edições foram lançadas pela editora Panini Comics Maio de 2019 à Abril de 2020. Antes de ler O Relógio do Juízo Final, seria importante ter lidos essas duas obras citadas e também é claro, Watchmen.

A Premissa de O Relógio do Juízo Final

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Conforme descrito acima, as obras anteriores começaram a rascunhar algo que acabaria culminando em O Relógio do Juízo Final, já que diversas pistas e questões foram levantadas. Mas o principal intuito além de responder as questões, era fazer o encontro entre dois universos de heróis muito distintos. Esta união seria do Universo tradicional da DC com os heróis de Watchmen, a obra-prima dos quadrinhos que foi lançada na década de 80, e que contou com roteiros do mago dos quadrinhos Alan Moore e desenhos sensacionais de Dave GibbonsAntes de ler O Relógio do Juízo Final, seria importante ter lido: Watchmen , O One-shot Dc Renascimento e O Botón. Com isso a compreensão da obra ganha em muito.

Em O Relógio do Juízo Final, Geoff Johns e Gary Frank desenvolvem as questões impostas no Rebirth, que foi quando tivemos o retorno emocionante de Wally West, que voltou dizendo que havia algo errado com todo o universo em que os heróis viviam. Algo estava fora do lugar, algo estava faltando. Ele dizia que histórias haviam sido perdidas, ou simplesmente apagadas. Ou melhor dizendo, alguém havia modificado o curso da história dos heróis, só que ninguém conseguia perceber isso. Quem poderia /teria poder para fazer uma coisa dessas?

Começando a unir dois universos distintos

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Após a premissa ser estabelecida pelos títulos anteriores, chega o momento de O Relógio do Juízo Final começar a andar com as próprias pernas e dizer realmente a que veio. Johns começa apresentando o mundo de Watchmen alguns anos após o final da HQ original. O mundo está em colapso devido toda a descoberta por conta das ações de Adrian Veidt, ou também conhecido pelo seu codinome de herói: Ozzymandias.

Vedit observa seu mundo chegando ao limite (prestes a entrar em uma nova mais uma vez) mesmo depois de todo o seu esforço em seu “ato heroico” ao fim de Watchmen. Ele precisa desesperadamente de um novo plano. Sendo o homem mais inteligente do mundo, ele sabe que para salvar seu mundo mais uma vez, ele vai precisar da ajuda do ser mais poderoso de todos: Dr. Manhattan. Só tem um problema, ele desapareceu da Terra sem deixar vestígios após os acontecimentos de Watchmen.

Ao elaborar um novo plano, Ozzymandias acaba recrutando um “novo Rorschach” e dois personagens novos: Marionete e Mimico. O casal de vilões é brevemente apresentado e assim esse quarteto tem a missão de encontrar o Dr. Manhattan, e assim acabam indo parar em uma outra Terra. Mais precisamente, eles desembarcarem em uma cidade chamada Gotham City.

Apesar de ser uma solução não tão complexa, o trabalho de Johns é interessante, pois quando o mundo de Watchmen é reapresentado, tudo estava para acabar.  E esse cenário é crível, uma vez que todo o teatro de Ozzymandias cai por terra, apesar de ter obtido o resultado esperado quando foi executado. Buscar dr. Manhattan é incrível. Temos aqui a apresentação de três personagens novos, que vão ser bem interessantes. Aos poucos, Johns dá seus primeiros passos.

As primeiras Inteirações

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Ao chegarem em Gotham, Ozzymandias e seu grupo precisam de pistas. Após uma breve pesquisa, ele acaba achando duas pessoas que poderiam ajudá-los na busca por seu antigo companheiro de equipe. A resolução que Ozzymandias chega é a de que eles devem procurar os homens mais inteligentes daquela Terra: Lex Luthor e Bruce Wayne. Assim, Ozzymandias vai até Lex, e Rorschach vai atrás de Bruce. E estes encontros são um tanto interessantes. Assim podemos ver as primeiras inteirações entre os dois mundos, que rendem ótimas cenas e diálogos.

A narrativa de Johns e Frank, respeitam muito o legado de Watchmen, seja pelas palavras ou pelas páginas com 9 quadros, mas em nenhum momento eles se apoiam apenas nisso. Eles prestam uma bela homenagem ao legado, pois mesmo quando os universos se encontram a qualidade se mantém em alto nível.

E o Relógio do juízo Final que começou mais focado em Watchmen começa a pender mais para o universo DC tradicional. Como  narrativa de Watchmen tinha um ar mais pesado, pois se tratava de uma desconstrução do mundos heróis (era o oposto do que costumamos ver nos títulos regulares da DC) havia essa preocupação.

Mas fiquem tranquilos, tudo ocorre muito bem. Logo, os autores começam a ter sua própria assinatura e passam longe da narrativa ficar com cara de plágio. A fusão ocorre muito bem, respeitando ambos os universos, sem um descaracterizar o outro.

Novos Personagens

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Como a trama já ficou estabelecida na Terra tradicional da DC, você pode se perguntar: mas são apenas esses personagens de Watchmen? Onde estão os demais que vimos na obra original? Bom, o núcleo de personagens de Watchmen acaba sendo estes que citamos antes, porém alguns outros são citados no decorrer da história. Mas temos que lembrar um detalhe muito importante, temos 3 novos personagens que aparecem pela primeira vez em O Relógio do Juízo Final, e todos eles são originados do universo de Watchmen.

Temos o novo Rorschach, que logo que aparece causa um espanto ao leitor, justamente devido aos fatos apresentados no final de Watchmen. Quem seria esse cara e por que ele estaria ajudando Ozzymandias depois de tudo que ele fez ao mundo? Na edição número 4 temos uma pausa na história para podermos vislumbrar o seu passado, que é muito bem contado por Johns. O personagem tem um trajetória triste  que acaba culminando em se tornar o novo Rorschach. Esse passado é muito bem construído, fazendo com que nós leitores, tenhamos um novo olhar para o personagem.

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Os outros dois personagens novos de O Relógio do Juízo Final, são a Marionete e o Mimico. Logo quando eles aparecem no início da história já causam uma boa impressão, pois parecem ser personagens interessantes. E isso acaba sendo reforçado, uma vez que Ozzymandias os selecionou para a missão de salvar o mundo. Mas quem seriam esses vilões? Na edição número 6, assim como aconteceu com a número 4, a história dá uma breve pausa para contar a origem dos vilões. É uma história trágica, que mistura amizade e principalmente amor. Mesmo os dois sendo dois vilões extremamente violentos, não há como negar que o amor entre eles é real. Vemos a história deles desde a infância, quando esses laços são criados. Uma baita história de origem. (E o lance das armas do Mimico são muito legais também!)

Johns e Frank acertam muito em introduzir esses novos personagens, que em um primeiro momento, não parecem ser tão importantes assim. Mas ao conhecermos os passados dos três, eles terão papéis decisivos nos rumos da história, principalmente próximo da reta final. Aqui vemos mais uma vez o bom balanceamento entre os dois universos, sem perder a essência, principalmente de Watchmen.

A Teoria dos Supermen = A Nova Guerra Mundial

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Um dos pontos mais interessantes de O Relógio do Juízo Final, é que Johns traz para a sua obra um grande conflito no qual o universo DC está envolvido. Assim como em Watchmen havia toda a tensão da Guerra entre Estados Unidos e Rússia, aqui temos uma tensão semelhante. Porém, ao invés de armamentos nucleares e ogivas, o assunto se trata de uma suposta criação de “Meta Humanos”. A Rússia inicialmente grita para o mundo que é simplesmente muito estranho cerca de mais de 90% dos superseres serem dos Estados Unidos. Será que há alguma verdade em tais afirmações?

Mesmo sem haver uma resposta, uma pequena faísca já é mais do que suficiente para que o mundo fique em polvorosa. O reflexo disso para os heróis é catastrófico, pois muitas pessoas ao escutarem isso se sentiram enganadas, e começaram a fazer protestos e movimentos para banir os super-heróis. Vários deles já estão sendo caçados por exemplo. Estaria o povo sendo parte de um grande teatro por parte dos grandes governos? Os heróis na verdade não foram concebidos por meio de acidentes mas sim por meio de experimentos?

Para dar mais ênfase, Johns e Frank acabam sempre deixando apêndices ao final de cada edição, sendo recortes de jornais, anotações, matérias da internet. Estes itens acabam por aos poucos irem construindo esse cenário em volta da Teoria dos Supermen, nome dado por conta do Superman ter sido o primeiro dos super seres a aparecer. E conforme vamos lendo, o leitor passa a se questionar: isso existe ou é uma teoria da conspiração? E esse é um ingrediente bem pontuado pelos autores, pois dão um charme a mais a trama e que nos faz pensar mesmo se aquilo não tem um fundo de verdade. E o mundo fica em estado de alerta, pois uma grande Guerra Mundial entre esses superseres, pode explodir a qualquer momento.

Dr. Manhattan e as cordas

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Com todo esse pano de fundo construído estaria faltando apenas mais um detalhe pra deixar tudo ainda melhor. O grande motivo da vinda de Ozzymandias e seu grupo para a Terra da DC, onde estaria o DR. Manhattan? Após alguns fatos, enfim um dos seres mais poderosos dos quadrinhos dá as caras por conta de uma ação de Ozzymandias. Quando o personagem enfim surge, a HQ vai ganhando novos contornos, muito por conta de uma das suas melhores características: a sua visão da linha do tempo. Assim como vimos em Watchmen, Dr. Manhattan não separa passado, presente e futuro, para ele a linha do tempo é uma só, já que ele é um ser onipresente.

A narrativa de O Relógio do Juízo Final ganha muito com essa nova visão dos fatos. Johns a encaixa muito bem na história e aos poucos já vamos ganhando novas pistas do que aconteceu ao Universo DC, conforme vimos nas obras anteriores a esta. Alguns pequenos detalhes são resgatados e trabalhados aqui. Uma boa sacada é trabalhar esse conceito de passado, presente e futuro usando personagens que personificam isso.

Johnny Trovoada, representa o passado da Sociedade da Justiça da América, que nesta realidade nunca existiu. O presente é representados pelos personagens centrais da trama, que buscam desesperadamente salvar seus futuros. E futuro é representado por Satúrnia, integrante da Legião dos Super Heróis, que voltou a essa era em busca de consertar a linha do tempo. Mas ela também nota que tem algo de errado. Enquanto todos esses personagens buscam concretizar suas missões / desejos, o Dr. Manhattan os observa, sempre fazendo um contraponto, ou melhor, ele acaba fazendo um papel similar ao nosso, de leitores.

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Conforme a trama de O Relógio do Juízo Final vai avançando, algumas resposta nos vão sendo dadas, para e em seguida surgirem novos questionamentos. Um bom exemplo disso é que no meio da história, vamos acompanhando uma trama paralela, que é um filme policial muito famoso da década de 50: “Nathaniel Dusk – O Adiamento”, estrelado pelo ator Carver Colman. Assim como em Watchmen onde tínhamos “O Conto do Cargueiro Negro” correndo lado a lado com a história principal, aqui temos esta.  E o que em um primeiro instante parece soar como apenas uma atração extra, começa a ganhar novos contornos com o desenrolar da história.

Após esses fatos a trama que vinha em um ritmo um pouco mais “lento” começa a ficar mais intenso e diversos fatos bombásticos vão acontecendo. O problema levantado com a Teoria dos Superman ganham novos capítulos e temos então o trágico incidente de Moscou envolvendo o super-herói Nuclear e consequentemente o Superman (este até então estava isento de qualquer julgamento, já que ele era um herói do Mundo e não apenas dos Estados Unidos). O modo como as coisas convergem aqui é muito bem construídos por Johns e Frank, um show de narrativa e arte. Pois conseguimos notar o desespero e os sentimentos do Nuclear e do Superman, que aparentemente estão envoltos em algo muito maior do que eles pensam.

As consequências disso acaba levando os outros tantos heróis da DC para Marte, já que tudo indica que o Dr. Manhattan estaria por de trás dos acontecimentos de Moscou. E o que temos aqui é simplesmente épico. São dezenas de personagens que se unem das mais diversas equipes do Universo DC e partem pra cima do Dr. Manhattan. O desenrolar desse embate é espetacular. Pois a batalha nos é mostrada principalmente pelo ponto de vista dele, e ao encarar diversos tipos de poderes, é interessante como ele os analisa e lida com eles, por isso a capa da edição número 9 é tão impactante. Um exemplo muito bom desse confronto é a resolução dele sobre a “magia”.

Enquanto o caos se dissemina em um mundo onde a Teoria dos Supermen explodiu e onde a maioria dos heróis não estão mais na Terra, o nosso mundo está caminhando para um futuro cada vez mais preocupante e incerto. E a questão acerca do Dr. Manhattan fica ainda mais gritante, assim como Ozzymandias, passamos a nos perguntar: por que este ser tão poderoso está aqui? O que ele realmente quer?

Descrença vs Esperança ; E o porque de acreditar na vida e no valor dos Heróis

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Na altura da edição número 10 de O Relógio do Juízo Final, temos aqui um capítulo simplesmente espetacular. Aqui temos um belo vislumbro do ponto de vista do Dr. Manhattan sobre o mundo onde ele se encontra. E assim algumas questões começam a ser respondidas a medida que as cortinas começam a cede. Com a sua visão sobre a linha do tempo, ele vai refletindo acerca de diversos momentos acerca deste universo da DC. Finalmente entendemos o paralelo e importância da história do ator Carver Colman, que é uma bela jogada por parte de Johns.

Mas o mais importante desse capítulo, é entender o porque do Dr. Manhattan estar aqui. Conforme a narrativa vai passando, vamos entendendo o porque dele ter sido atraído para cá. O mundo de Watchmen é um ambiente mais pessimista e cético quanto aos super-heróis. Quando a obra foi lançada um dos termos que a definiram foi a de ser uma desconstrução dos heróis. Era uma abordagem mais realista e crua, e por muitas vezes triste. Esse era o mundo do Dr. Manhattan, tanto que ele se cansou e decidiu procurar um outro lugar ao final da obra.

Ao chegar na Terra da DC tradicional, ele se deparou com um mundo mais otimista e por conseguinte, mais heroico. O número de heróis era imenso. E ele notou que já haviam existido diversos “mundos” ou melhor, “Terras”. Sendo um ser de raciocínio apurado e poder quase ilimitado, ele visita essas Terras e seus diversos momentos chaves. Ele  ota que ocorreram diversas mudanças, várias reformulações.

Porém, não importava oque acontecesse, sempre havia um fator em comum dentre todas as realidades. Um ser sempre estava presente, ele sempre era o centro dessas Terras. Este ser é o Superman. Dr. Manhattan passa a se questionar o do porque um único homem pode mudar todo um universo. Por que este homem é tão importante? O que ele tem de tão valoroso? Esse era o mundo do Superman, que fazia contraponto com o mundo do Dr. Manhattan. Um mundo que tinha esperança, um mundo de heróis.

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Para um ser que é praticamente um deus, e que enxerga as cordas, algo não fazia sentido. Então nos é revelado o que realmente ele fez ao Universo da DC e os diversos desdobramentos que isso ocasionaram. Com um simples gesto, os impactos foram monstruosos, mudando para sempre os rumos da todo um universo.

Sabemos desde o lançamento do one-shot do Universo DC Renascimento que ele tinha algo a ver com tudo isso, mas quando somos apresentados aos fatos, é impactante. Fora que ao viajarmos pela linha do tempo, Johns tem um cuidado e carinho impares, pois ele acaba prestando uma bela homenagem pela história da DC e do ícone do Superman. É um capitulo realmente muito bem trabalhado, lindo e emocionante.

Em paralelo, Lex Luthor e Lois Lane estão no encalço de alguém (quem será hein??) que talvez tenha alterado a realidade. A solução que Johns acabou dando pra essa investigação e de como Lex acabou seguindo tais pistas são bem legais e interessantes, que são complementados pelos documentos extras da edição nº 11. Com praticamente todas as cartas postas à mesa, com diversas narrativas convergindo até aqui, chegamos ao momento inevitável, o encontro entre a a descrença e a esperança. O Encontro entre Dr. Manhtattan e Superman.

Do que é feita a Esperança? Do que são feitos os Heróis?

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Ao chegarmos nos momentos finais de O Relógio do Juízo Final, haviam dois sentimentos que se mesclavam e conflitavam. Um era a ansiedade de ver o final, uma vez que a obra vinha muito bem. A outra era o medo, de justamente no final estragar uma obra que já nasceu com quase tudo contra ela, uma vez que estaríamos mexendo na obra máxima dos quadrinhos, Watchmen. E felizmente, Johns e Frank nos entregaram um final simplesmente fascinante e emocionante.

Quando o encontro entre os ícones finalmente ocorre, o mais poderoso dos seres contra o maior dos heróis. E felizmente a resolução desse embate se dá da melhor forma possível. Johns acertou em cheio ao desenvolver a batalha destes dois por meio de seus ideais e motivações. Quando eles se encontram, o mundo vive um momento delicado. O Superman virou um alvo a nível mundial, sendo caçado por todos os países. Temas políticos entram em jogo, deixando o Homem de Aço ainda mais exposto e vulnerável. Ou seja, tudo e todos estavam contra o Superman. E os próximos momentos, o Dr. Manhattan simplesmente não conseguia enxergar. O que estaria para acontecer para ter tal ação sobre ele? O mundo acabaria, ou ele morreria?

Em meio ao caos, O Superman persiste, cai e se levanta mais uma vez. E por um gesto aparentemente simples, ele acaba impactando o Dr. Manhattan, que mesmo usando toda sua percepção e poderes não compreende o porque daquele ser agir assim. E essa simples fagulha faz com que Manhattan finalmente compreenda algo e assim possivelmente encontrando a resposta pela qual tanto ansiava. Por que o Superman é o centro desse Universo? A resposta era tão simples que até ele se surpreende. Porém é uma resposta poderosa. Pois nunca se tratou de poder, mas sim de esperança.

O relógio do juízo final - Doomsday clock - resenha 03

Todas as pontas vão sendo amarradas e a partir daqui temos uma conclusão simplesmente linda desse embate. A compreensão do Dr. Manhattan sobre a esperança  este mundo dos heróis nos é mostrada de uma maneira muito bonita e impactante. O mais poderoso dos seres enfim sabe o que tem que fazer daqui para frente. E a decisão que ele toma vai mudar tudo mais uma vez. Quando somos apresentados a essa compreensão, assim como Manhattan, também somos impactados. Pois o ser mais poderoso de todos, pode finalmente voltar a se permitir sentir esperança.

O Relógio do Juízo Final, vale a pena?

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O Relógio do Juízo Final (Doomsday Clock) quando anunciado tinha muita coisa jogando contra e poucas a seu favor. As duas principais delas era: fazer uma continuação de Watchmen e assim estragar a obra; a outra seria mesclar os dois universos, que tem propostas tão diferentes. Posso dizer sem pestanejar que Geoff Johns e Gary Frank foram extremante corajosos ao embarcarem nessa jornada. A obra além de ter essa pré-desconfiança, passou por problemas de produção, assim atrasando em muito em relação ao prazo inicial. Muitos cogitavam que a obra nem seria concluída. E o resultado após todo esse caminho é extremamente satisfatório. Então sim, vale muito mesmo a pena acompanhar O Relógio do Juízo Final.

A obra não tenta ser uma “continuação” (e nem tem essa pretensão) de Watchmen, na verdade ela se trata sobre restabelecer o Universo tradicional da DC. Watchmen funciona mais como uma “ponte / um meio” para se chegar a esse fim. E isso foi muito bem trabalhado ao longo de suas 12 edições. Além de todo esse trabalho em respeitar a obra original, a dupla criativa conseguiu entregar um novo marco nas grandes sagas da DC. Sem dúvida alguma, essa foi a melhor saga dos últimos anos do Universo das Lendas. E olha que se você tem um conhecimento mais profundo da cronologia da DC, vai se esbaldar em diversas referências postas por Johns no decorrer da saga. A unica ressalva da obra seria que alguns personagens poderiam ter tido mais tempo na obra, como a Mulher-Maravilha. Mas nada que comprometa a diversão.

Em suma, O Relógio do Juízo Final é uma bela carta de amor / e um pedido de desculpas da DC para ela mesma e seus fãs. Apesar de ser uma boa inciativa e contar com bons títulos e sagas, Os Novos 52 não caíram nas graças do grande público. Isso se deu por conta da mudança brusca em alguns personagens e a exclusão de outros. O mundo ficou mais sombrio e muitos não reconheciam mais seus heróis. Mudanças são sempre bem vindas, mas aqui talvez da DC tenha se precipitado em alguns detalhes.

Ao chegarmos nas últimas páginas de O Relógio do Juízo Final, somos impactados pela linda e emocionante resolução da saga. Além de fechar as pontas da obra, Johns deixou diversas sementes plantadas que podem ser utilizadas no futuro, e olha que tem umas coisas que parecem ser bem interessantes ali. Ao final, o sentimento de esperança nos preenche naturalmente e aquece o coração do leitor. O Universo DC está de volta. A esperança e o heroísmo voltaram para casa.


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