Supernatural: Vale a pena assistir a série?

943

Famosa no mundo adolescente, Supernatural alcança este ano seu final na décima quinta temporada, encerrando a aventura dos irmãos Winchester que enfrentaram quase todos os monstros que você imaginar, lidando com a mais diversas mitologias e criando a sua própria. Por mais que tenha a fama de série adolescente, algo comum às séries da CW, Supernatural foca numa trama séria e interessante, na maioria do seu tempo. Vamos entender como funciona a série:

Ficha da série
Nome: Supernatural (Sobrenatural)Ano: 2005
Duração: 15 Temporadas (320)Criador: Erick Kripke
Emissora Original: The CWGênero: Terror, Mistério, Ação.
Onde assistir?
– Globoplay
– Warner Channel

Sinopse: Os irmãos Winchester, após o desaparecimento de seu pai, vão em busca dele. Dean, o mais velho dos irmãos, vai até Sam a procura de sua ajuda para encontrar John. Conforme buscam por seu pai eles ajudam pessoas, salvando-as das mais variadas criaturas, se envolvendo em diversos mistérios e descobrindo os segredos do mundo.

Enredo

A trama acompanha, à principio, Dean e Sam indo em busca de seu pai. Mas, obviamente, não ficamos as 15 temporadas só nisso e este primeiro arco de encerra logo na terceira temporada. Na maioria das temporadas, temos uma ameaça principal, que, devido a liberdade criativa que a série assumiu, pode ser literalmente qualquer coisa. Algo que gera curiosidade para quem assiste, muitas vezes de entender quem são os monstros e para onde aquilo tudo vai levar. Infelizmente, a série se mantém muito presa a temática “Céu x Inferno”, sendo os demônios e o próprio Lúcifer os inimigos mais recorrente dos irmãos.

Por sofrer com o problema das longas temporadas que as séries da CW possui, acabam sendo necessários os episódios fillers, enfrentando alguma criatura nova, sendo estes os episódios onde a série explora mais a fundo as mitologias ao redor do mundo. Infelizmente não existem monstros o suficiente para encher os mais de 300 episódios e aqueles de fantasma e lobisomem são usados para preencher os buracos na ausência de criatividade. Para quem acompanha semanalmente, chega a ser torturante quando você percebe que o tema do episódio vai ser lobisomen.

Também tem humor

Apesar do tom costumeiramente sério, algumas destas criaturas que aparecem ao longo das temporadas, permitem uma liberdade maior de criar episódios temáticos, onde o humor muitas vezes ganha vez, principalmente com o personagem de Dean (Ou seria o Batman?). Num geral o drama e, obviamente, o terror são predominantes. O terror obviamente vem das criaturas, do desconhecido. Já o drama é abordado através da relação dos irmãos, que como qualquer pessoa que passe muito tempo juntos acabam tendo suas brigas e discordâncias. Apesar de um pouco chato e, até certo ponto, repetitivo, é inevitável e mantém a coerência.

Sobre os monstros é meio difícil falar sem dar spoilers, mas num geral temos fantasmas, zumbis, lobisomens, deuses, demônios, vampiros, anjos, ceifadores, etc. Alguns inimigos são originais da série e temos até mesmo a presença do Todo Poderoso. Eles vão aparecendo ao longo da série e ganham desde uma temporada inteira para serem abordados, como a maioria dos citados, até mesmo episódios únicos, para criaturas mais específicas ou pouco interessantes.

Os caçadores

O mundo de Supernatural é composto de diversas pessoas que, assim como os irmãos, também caçam as “coisas” e muitos destes se tornam personagens recorrentes da série. Além disso, aumentando a mitologia interna, temos os homens de letras, que da sua maneira também são caçadores. Fora os caçadores a série não tem muita mitologia própria para abordar, sendo a base toda feita em cima dos irmãos em meio as diversas criaturas que co-existem. Todavia, a existência de algumas cria incoerência quanto a existência de outras, algo que tem que se relevado.

Personagens

Agora que você entende como funciona o mundo da série, vamos conhecer os personagens principais:

Dean Winchester (Jensen Ackles)

O mais velhos dos Winchester, Dean é o garanhão, comilão e comediante da série. Eterno puxa-saco de seu pai, ele é quem cuidava de seu irmão durante a juventude em que viviam ambos sozinhos enquanto seu pai os largava nos diferentes hotéis do país para ir caçar alguma criatura. Diferente de seu irmão mais novo, ele nunca abandonou a vida de caçador.

Dean é protetor com Sam, algo vindo da sua infância e tem claros traumas de jamais ter sido criança já que sempre teve que lidar com o sobrenatural e com responsabilidades demais para sua idade. Algo que reflete diretamente em sua personalidade. É o oposto de Sam em vários quesitos, desde a inteligência, o jeito com as mulheres e o humor.

Sam Winchester (Jared Padalecki)

Mais novo do que Dean, Sam não sofreu o trauma de perder sua mãe, já que jamais chegou a conhece-la e sempre foi um pouco “blindado” da vida de caçador por seu irmão e pai. Essas questões da idade e não ter sofrido a perda da mãe, levaram o garoto a ter sentimentos diferentes do de sua família e Sam sempre quis ter uma vida normal. Ironicamente, ele acaba sofrendo a perda de sua namorada por uma atividade sobrenatural e acaba sendo obrigado a voltar para a vida de caçador, a qual descobre ser quase tão bom quanto o irmão e, ainda, que é muito mais envolvido com a morte de sua mãe do que imaginava.

Sam é o “nerd” dos irmãos, muito mais inteligente que Dean e o pesquisador da dupla, sendo a voz que fala com o telespectador e explica cada uma das situações enquanto Dean representa quem assiste e tenta entender, de maneira que tudo pareça natural apesar do excesso de didatismo as vezes.

Castiel (Misha Collins)

Castiel é introduzido mais para a frente, entrando somente na quarta temporada, mas rapidamente se tornando importante para os irmãos. É o principal personagem além dos Winchester e passou pelas diversas situações com eles, se tornando um “terceiro irmão” de ambos. À principio o personagem é meio chato, principalmente pela sua frieza e arrogância, mas com o passar das temporadas ele ganha uma personalidade mais “humana” e o processo de aprendizado dele é hilário de se acompanhar, já que anjos não interagem com humanos normalmente e tentar entende-los é um dos desafios de Castiel.

Crowley (Mark Sheppard)

Crowley é um demônio que representa o “outro lado da moeda” em Supernatural, sendo ponte para histórias envolvendo o inferno, principalmente após a quinta temporada, onde ele realmente passa a ganhar mais importância gradativamente. Apesar de ser o “quarto membro” do elenco principal, ele jamais chega a ser amigo dos protagonistas, mas frequentemente enfrentam inimigos em comum e colaboram, isso quando ele não é o inimigo principal. Sua personalidade é a que mais agrada os fãs, sendo o que se espera de um demônio, inteligente e conhecedor do mundo, dando apelidos aos protagonistas e tendo todo o ar do “arrogante gente boa” que vemos em vários vilões por ai. Por ser introduzido mais para a frente da história, é difícil falar dele sem dar muitos spoilers, mas fica a tentativa.

Lúcifer (Mark Pellegrino)

Como dito anteriormente, a maior parte da série acaba se resumindo a luta entre céu e inferno e suas consequências. Naturalmente, o maior representante desta luta é o causador dela, Lúcifer, que acaba sendo o vilão mais recorrente da série e tem uma personalidade de vilão “fodão” que diz as frases certas e é cruel quando tem que ser. Assim como Crowley, detalhes demais podem ser considerados spoilers, mas o personagem representa bem a imagem conhecida de Lúcifer. Inclusive, seus problemas com seu criador. Vale também a menção a ótima atuação de Mark Pellegrino, que garante a permanência no papel, já que o personagem poderia ser facilmente interpretado por qualquer ator, a qualquer momento.

Análise Pessoal

Agora que você entende melhor como funciona a série e conhece um pouco de seus protagonistas, vamos falar de qualidade (ou ausência dela). Se as informações que teve até agora ainda te deixam em dúvida, leia o trecho a seguir que é uma análise pessoal da série e suas longas 15 temporadas.

A estrada até aqui!

Longe do auge que um dia atingiu, Supernatural surpreende pela criatividade em criar seus diversos plots ao longo de suas 14 temporadas, que parecem longas demais quando se imagina, mas incrivelmente possui conteúdo para tanto. Você já deve ter ouvido a famosa “Devia ter acabado na 5° temporada”, e até certo ponto podemos considerar que, teria sido melhor para a série realmente. O plot encerrado no quinto ano fecha bem tudo que havia sido desenvolvido até ali e de maneira extremamente satisfatória encerra a jornadas dos irmãos.

Outro fator que contribui para o hate pós-quinta é a qualidade extremamente inferior das duas temporadas seguintes, que não chegam nem perto do que havia sido feito no quinto ano. Desde os vilões com pouco carisma até as criaturas pouco interessantes. A história volta a tomar um rumo quando retorna a abordagem bíblica e expande um pouco mais sua própria mitologia.

A principal crítica que posso fazer e que trará reclamações de quem estiver assistindo, é a dos fillers. Os episódios de enrolação que nada agregam a trama principal estão lá para encher os mais de 20 episódios por temporada e isso prejudica muito o ritmo de uma série que se possuísse 12 episódios por temporada, com as mesmas tramas centrais, com certeza teria um outro olhar da crítica especializada. Naturalmente, como série de terror, vai depender do seu nível de medo se assustar com os episódios ou não, mas é obvio que com o passar do tempo as tramas assustadoras vão perdendo força conforme você vai se acostumando com o estilo da série e seus monstros. Mas os roteiristas se salvam em alguns episódios temáticos muito interessantes, que infelizmente podem ser contados nos dedos, mas valem a pena.

Tirando isso…

Não posso fazer uma avaliação da série excluindo seus defeitos, então mesmo que você possa pular as já mencionadas 6° e 7° temporadas e os episódios fillers de cada uma, eles ainda fazem parte e tornam a série como um todo menos do que ela tinha potencial para ser, derrubando a sua qualidade geral em qualquer avaliação. Algumas tramas dramáticas acabam falhando e chegam a ser irritantes com o egoísmo e a birra aparecendo em momentos em que os personagens já deveriam ter amadurecido sobre algumas questões, mas felizmente elas não ocupam muito espaço. Já que os monstros, tiros, exorcismos e tudo mais ocupam a maior parte do enredo.

Cheia de altos e baixos (mais altos), Supernatural sobrevive e chegou este ano a sua última temporada, expandindo sua mitologia e fechando um ciclo com um inimigo mais interessante do que o que se esperava. O fim não encontra o mesmo impacto do seu ‘primeiro final’, mas se encaixa com ele e dá um ar de conexão entre as temporadas. No fim, o encerramento de Supernatural mantém uma coerência da série como um todo.


Eaí, agora tem conhecimento suficiente para decidir se assisti ou não a jornada Winchester em busca de salvar pessoas e caçar coisas? Quer uma dica? Vá em frente e, na dúvida, sempre experimente assistir uma temporada pelo menos. A opinião sobre Supernatural que importa é a sua!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here