Jogadoras trans e a representatividade nos games

Todos nós gostamos de ser representados, seja na novela, no cinema ou em um jogo eletrônico. Venha conhecer as Jogadoras trans e a representatividade nos games.

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Anteriormente, já falamos aqui no portal sobre a trajetória das mulheres nos esports: uma trajetória que trouxe muito sucesso para várias jogadoras e para várias streamers, mas também cheia de machismo, assédios e preconceito. Certamente, precisávamos trazer logo sobre as jogadoras trans e a representatividade nos games. Afinal, todos gostam de ser representados, seja na novela, no cinema ou em um jogo eletrônico. E da mesma forma que muitos reclamam que “agora, só tem gay em novela da Globo”, muitos também reclamam que “nossa, agora só tem lésbica nos jogos”, “tudo tem que ter lacração e militância”.

Sim, parece que o direito de existir é lacração.

Sim, muitos gostam ainda de usar algum discurso citando a Bíblia, mas esquecendo que o Brasil é um Estado laico (país que não se manifesta em assuntos religiosos, garante a liberdade religiosa e não adota religião oficial), então o importante é a legislação e o respeito para com o próximo. Direitos humanos também virou “coisa de comunista”, mas se você reparar, verá que a Constituição Brasileira é extremamente capitalista e mesmo assim preza pelo respeito e pelos direitos humanos. (E você pode conferir aqui: Constituição)

Dito isso, deixo meus lamentos (nada sinceros) para aqueles que não aceitam a diversidade, seja dentro ou fora do mundo gamer. Ninguém é obrigado a ser igual a você!

E vamos enfim falar sobre as jogadoras trans e a representatividade nos games.

As jogadoras trans e a representatividade nos games

Em primeiro lugar, para quem não está familiarizado com a expressão: a pessoa transgênero (ou simplesmente trans) é aquela que possui uma identidade de gênero que difere do seu sexo atribuído ao nascer. Ou seja, nasce como homem mas se identifica como mulher ou vice-versa. O termo também abrange pessoas que são não-binárias.

E da mesma maneira que o público feminino é maioria dos jogadores, diferente do que se pensava anteriormente, se engana quem ainda acha que quase não existem pessoas trans ou LGBTQIA+ no mundo dos games. Sim, é um público grande e que consome bastante. E talvez, a gente esteja jogando muitos jogos criados por trans e nem estamos sabemos!

Então, por que não existir a luta para ter mais representatividade nos games? Ter mais representatividade não significa que agora só vai existir jogos com 100% dos personagens LGBTQIA+. Talvez, a questão seja normalizar quando aparecem personagens LGBTQIA+, já que isso nunca foi novidade na história da humanidade. Da mesma forma, normalizar quando encontramos streamers LGBTQIA+. Fala-se de “mimimi”, mas muitos não deixam os streamers trabalharem em paz.

Enfim: quem são os jogadores trans, especialmente as garotas? Claramente não temos conhecer todos os jogadores trans (ainda mais que um “oi, eu sou uma pessoa trans” não é a primeira frase de alguém), mas posso lhes apresentar algumas streamers que conheci recente. Se você conhecer mais streamers legais, não hesite em deixar os nomes delas nos comentários!

Queen B

Raphaela De Laet, mais conhecida como Queen B, é um grande nome quando fala-se de League Of Legends. Atualmente, a maioria de suas transmissões ao vivo são no Facebook Gaming, utilizando o apelido Briny de Laet. Raphaela também possui um canal no YouTube, que vale muito a pena conferir.

Travety Glamour

 Travety Glamour. Jogadoras trans e a representatividade nos games.
Travety Glamour. Fonte: Instagram oficial da streamer: @travetyglamour

A diva Travety Glamour é uma streamer que aprecia o terror e faz transmissão ao vivo pelo seu Twitch. E inclusive, ela já postou fotos em seu Twitter de cosplays dos personagens do terror. Para quem quiser seguir a streamer no Instagram ou no Twitter: @travetyglamour.

Brynhildre Underwood

Brynhildre Underwood - Jogadoras trans e a representatividade nos games
Brynhildre Underwood. Fonte: seu perfil oficial no Instagram – @Bryn_the_valk

Diretamente dos Estados Unidos, a streamer Brynhildre (seu público a chama carinhosamente apenas de Bryn) faz transmissão ao vivo de jogos diversos, normalmente dando ênfase a jogos com mais ação. Ela também faz uma stream por semana só pra conversar sobre “assuntos trans”: como é a rotina, os efeitos de hormônios, mudanças na vida, entre outros. A preferência é pelo seu Twitch (acesse aqui), mas também tem um canal no YouTube (acesse aqui). Para quem quiser seguir no Instagram: Bryn_the_valk.

E vou enfatizar: eu mesma costumo acompanhar poucos streamers, então só tenho essas três para sugerir para vocês. Mas isso não impede de vocês comentarem se conhecerem mais streamers interessantes! E espero que gostem das sugestões, ainda mais que sei que poderá ser muito importante para alguém.

Algumas streamers legais também são: Samira Close, Sharonlayne, Indaiass e Nicky Mitrava. Eu não fiz um tópico para cada uma delas pois são artistas transformistas que trabalham como streamer de jogos e como drags queens. Nem sempre um artista transformista é trans, mas como costumam estar dentro do meio LGBTQIA+ e como é uma arte fantástica, tivemos que as citar aqui!

Os personagens trans nos jogos eletrônicos.

Poison. Matéria: Jogadoras trans e a representatividade nos games
Poison. Créditos: Zerochan Anime Image Board

Seja no cinema, na televisão, nos jogos eletrônicos ou nos esportes, sempre é interessante vermos alguém que nos represente. O triste é quando percebemos que muitos querem ser sempre representados, mas não aceitam pessoas fora da cisheteronormatividade sendo representadas. Para quem não é habituado com o termo: Cisgênero (Cis) é aquela pessoa que se identifica, em todos os aspectos, com o seu “gênero de nascença”. Por exemplo, eu nasci mulher e me identifico como uma, diferente de uma pessoa transgênero que nasce com um gênero mas não se identifica com ele. Heterossexual é quem se atrai pelo sexo oposto. Falo em cisheteronormatividade porque estamos muito acostumados a ver apenas pessoas ou personagens ficcionais cis e heterossexuais, e quando foge disso, gera estranheza. Padrão de beleza também acaba se encaixando nisso.

A mais recente polémica, falando-se de representatividade num modo mais geral, é o tanto de gente que detestou ver um Thor gordo no novo God Of War. Muitas pessoas gordas ficaram felizes, outros já diziam que estava vendo nada de errado, pois na mitologia nórdica descreve mesmo um Thor grande e forte – e em momento algum fala que é um cara estilo bombado de academia.

Enfim, eu trouxe os personagens transgêneros que conheço no mundo dos jogos eletrônicos. É muito importante citá-las, pois costumam parecer invisíveis e precisamos diminuir essa invisibilidade! E se você conhecer mais personagens trans e que não foram citados na matéria, deixe nos comentários!

Poison

Certamente, a Poison é uma das personagens trans mais famosas dos jogos eletrônicos – e está aí fazendo sucesso há um bom tempo! Ela começou como uma personagem não-jogável, sendo uma vilã de Final Fight, mas com o tempo acabou se tornando uma personagem jogável da franquia Street Fighter. E por ser uma das personagens trans mais famosas, a escolhi para ser a capa da matéria.

Flea

Flea. Foto: Alpha Coders (personagem de: Square)
Flea. Foto: Alpha Coders (personagem de: Square)

O personagem é de Chrono Trigger que embora se apresente como uma garota, se reconhece como homem. Ele é um dos vilões e possui poderes psíquicos, sendo um dos generais de Magus e um dos chefes mais difíceis de ser derrotado.

Cremisius “Krem” Aclassi

Cremisius "Krem" Aclassi

Eu amo muito a saga Dragon Age: história bonita, personagens cativantes e uma ótima jogabilidade. Todo um combo maravilhoso, e que fica ainda mais perfeito para os gamers que desejavam ver mais representatividade LGBTQIA+ nos jogos eletrônicos. Uma boa parte dos personagens são bissexuais, e notamos isso desde o primeiro jogo da franquia.

E em Dragon Age: Inquisition temos o personagem Cremisius Aclassi. Também conhecido como Krem, é membro da companhia de mercenários Bull’s Chargers. Ele serve como segundo em comando do Touro de Ferro. Após a morte dos pais, Krem se juntou ao exército, mas como os trabalhos femininos nas forças armadas são fortemente restritos, ele escondeu seu gênero subornando o curandeiro que realizava exames físicos militares. Isso durou vários anos, mas quando o curandeiro foi chamado para trabalhar, o novo curandeiro descobriu o segredo de Krem e o denunciou às autoridades. Diante da ameaça de escravidão ou execução por falsificação de documentos militares, Krem fugiu.

Não demorou para que se metesse em nova confusão, e foi quando conheceu o Touro de Ferro. Touro de Ferro o defendeu e curou seus ferimentos, além de perguntar se queria um novo trabalho.

Mais visibilidade nos jogos eletrônicos

Os três personagens citados são os que eu já conhecia há tempos, mas há outros além desses. O canal WagnerDarkDragon publicou o vídeo “Personagens Trans nos Games”, que você pode assistir abaixo:

A LGBTfobia

Infelizmente, uma coisa séria é a LGBTfobia dentro do público dos jogos eletrônicos. Homofobia é crime, mas alguns parecem se esquecer constantemente desse fato!

A Universa Uol conversou com as jogadoras Gabriella Senra, a drag queen Nick Mitrava e Lucroft, para publicar a reportagem “Me chamam de vagabunda por jogada ruim”: machismo e lgbtfobia entre gamers. Reportagem sensacional que encontrei anteriormente, enquanto escrevia sobre a trajetória das mulheres nos esports.

Conforme a reportagem, Gabriella conta que joga desde a sua adolescência, se identifica como pansexual e evita ao máximo dialogar por chats de voz, para assim evitar ser xingada. Afinal, se uma mulher faz uma jogada ruim, recebe muito mais xingamentos, e além disso já lhe ocorreu de acharem que era obrigada a seguir ordens de outros jogadores.

Já Nicky Mitrava é jogadora, streamer e drag queen de Fortaleza e que também já foi alvo de ataques, mas acredita que não deverá nunca a abaixar a cabeça por causa de homens preconceituosos. Querendo ou não, o espaço também é dos jogadores LBTQI+, então ela drag queen evita se esconder e ter receio dos homofóbicos.

Quanto à Lucroft, ela é uma mulher trans e streamer de Recife. Apenas no Instagram, possui mais de 39 mil seguidores. E claro, também reclama do preconceito e até mesmo da pouca representatividade nos jogos eletrônicos. A pouca representatividade que possui, comumente entra em estereótipos. Além disso, como se já não bastasse a pouca representatividade, sabemos que há sempre aquele que reclama dos personagens LGBTQI+!

Enfim, podemos notar que os três entrevistados já tiveram os seus momentos de se esconderem para não serem alvos de ódio – e mesmo nos seus trabalhos como streamer, recebem esse ódio. Da mesma vibe: reclamam de mimimi, mas atrapalham quem está trabalhando.

Lembrem-se: homofobia é crime. Se você for alvo de homofobia, não tenha medo de denunciar. A pessoa não teve dó de te atormentar, então não tenha dó de fazer boletins de ocorrência!

A streamer trans Bryanna Nasck e sua luta pela representatividade

Bryanna Nasck, streamer e influenciadora trans não-binária. Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal
Bryanna Nasck, streamer e influenciadora trans não-binária. Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal

Não poderia faltar, entre as jogadoras trans, a diva Bryanna Nasck que sempre luta para ter maior representatividade nos games.

Os jogos fazem parte da vida da Bryanna Nasck desde que o irmão a colocou na frente de um computador, aos 4 anos de idade. Além de uma grande paixão ou hobbie, os jogos também foram uma ferramenta de autoconhecimento. Em entrevista para a reportagem Free Fire: como a streamer trans Bryanna Nasck está virando o jogo da Start Uol, ela conta que gosta de MMORPGs por se tornar um personagem e poder viver em um mundo aberto. Nisso ela percebeu que sempre gostava de escolher personagens femininos, o que foi importante para explorar a sua identidade.

“Eu me identifico enquanto Bryanna Nasck”, resume após contar que se identifica como pessoa trans não-binária. E essa identificação pareceu chamar bastante a atenção do público, ainda mais que atualmente a influenciadora tem mais 35 mil seguidores apenas no Instagram. Além disso, ela tem mais de 42 mil seguidores no Twitter e 135 mil inscritos em seu canal no YouTube. E certamente que eu traria os vídeos dela aqui, além da reportagem!

Bryanna Nasck ficou conhecida por jogar Free Fire, e sempre levando uma boa dose de diversidade. Inclusive, ela avalia como são as conversas com o público do jogo, e conta que raramente sofre o preconceito com o público mais jovem. “As pessoas ridículas geralmente são as mais velhas”, ela fala para a Start Uol. Ela sempre conversa com o público, normalmente sendo conversas divertidas e com muitas explicações para as dúvidas de seus seguidores. Além disso, ela faz vários vídeos legais e ainda comenta no seu canal e na reportagem sobre quem foi demitido de empresas por transfobia!

Em conclusão sobre as jogadoras trans e a representatividade nos games

Essa é, enfim, a nossa matéria sobre jogadoras trans e a representatividade nos games. Sei que pode não parecer ser do meu lugar de fala, já que não sou do meio LGBTQIA+. Porém, como mulher que já sofreu muito com o machismo e com os assédios, e também como pessoa gorda, estou amando poder escrever sobre a representatividade. Isso, fora todo o preconceito que vejo meus amigos e familiares passando. É muito importante para todos nós!

Não deixem de comentar o que acharam!

Leiam toda a reportagem: Free Fire: como a streamer trans Bryanna Nasck está virando o jogo

Leiam em nosso portal: A trajetória das mulheres nos esports, O Esport nas Olimpíadas e Guia de animes da temporada de Outubro de 2021.

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