A trajetória das mulheres nos esports

Conheça aqui um pouco da história das mulheres no universo gamer e nos e-sports

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mulheres nos esports

As mulheres no universo gamer e nos esports

Os esports se tornaram um fenômeno de grande amplitude e sua popularidade emergiu com o lançamento do popular jogo para computador League of Legends. Isto, além de outros jogos que conquistaram muitos fãs, como por exemplo World of Wacraft e Dota. E se tornou um fenômeno tão grande que o Esport já é modalidade nas Olimpíadas! Agora, não poderia deixar de comentar sobre as mulheres nos esports e no mundo dos games em geral!

Entretanto, há momentos em que parece até ser um tabu quando falamos de mulheres no universo dos jogos eletrônicos. É irônico, pois em qualquer estatística que pesquisamos mostra que o público feminino é maioria nesse universo. Inclusive, o portal Terra mostra que temos no público gamer 53% de mulheres, e isso é dado da Pesquisa Game Brasil (PGB) divulgada em junho de 2020 (acesse a referência aqui).

Mulheres são maioria entre o público de gamers no Brasil, segundo pesquisa. Foto: Pexels/Divulgação.
Mulheres são maioria entre o público de gamers no Brasil, conforme pesquisa. Foto: Pexels/Divulgação.

Por que a baixa visibilidade para o público feminino? E quando possuem alguma visibilidade, chega junto a tanta estranheza?

Houve um post viral no Facebook, e em suma o cara reclama que não aguentou o bulliyng por ser nerd, para posteriormente ainda ver garotas no mundo gamer. Houve muitas risadas de pessoas que comentaram que o rapaz então não sofreu bulliyng o suficiente, já que então a empatia pelas jogadoras era 0.

Trajetória das mulheres nos esports

No início, as mulheres gamers eram quase invisíveis. Até poucos anos atrás, a população estranhava quando uma mulher dizia gostar de jogos eletrônicos e comumente havia a impressão que “esse espaço não te pertence”. Mesmo que muitas mulheres já participassem de campeonatos da Nintendo e fossem grandes consumidoras, ainda assim recebia os comentários sobre o “espaço que não lhe pertence”.

Como assim a garota não está brincando de Barbie com as amigas ou ajudando a mãe lavar louça, e sim sendo uma moleca jogando videogame? Até os dias atuais, provavelmente você mesma ouviu isso ou conhece alguém que ouviu.

Se relembrarmos os eventos de anime e eventos geeks mais antigos daqui do Brasil, sempre gerava estranheza quando uma garota estava participando dos campeonatos de jogos.

Se eu puder citar uma experiência pessoal, por volta de 2014 eu fui a única garota em um campeonato de Bomberman e nunca esqueci a tristeza de alguns dos rapazes por terem perdido para mim! Sim, eu fui a vencedora do campeonato. Por outro lado, houve risadas, já que também fui a única garota em outros campeonatos e ainda perdia. E eu nunca tive a oportunidade de ir a eventos que não fossem daqui de Goiás, mas jogadoras de outros estados sempre me falavam as mesmas coisas. Mesmo sendo ótimas jogadoras, ouviam piadas e risadas – isso quando as deixavam participar com os homens.

E as mulheres foram invisíveis assim nos jogos eletrônicos e nos esports até por volta de 2014. As próprias streamers, ao contarem suas histórias em entrevistas, falam que foram as únicas mulheres nos ambientes por muito tempo e isso começou a diminuir justamente por volta de 2012-2014, tendo mais visibilidade posteriormente.

Em 2019, entrei em uma comunidade do card game Magic the Gathering, e já tinha muitas garotas jogando – e ainda participei de um campeonato exclusivo para as garotas. E ver outras garotas jogando o card game foi incrível para mim.

Entretanto, eu pude perceber o receio de muitas garotas ao jogarem nos campeonatos com os rapazes, mas isso é principalmente pelo medo de assédios. Afinal, sempre tem aquele cara que parece que nunca viu uma mulher na vida, e fica dando cantadas constrangedoras e pegando no corpo da mulher sem sua respectiva autorização. Você vai para um campeonato para competir ou para flertar? Nessa comunidade, é mais raro ver rapazes desrespeitosos, mas normal as garotas ainda preferirem os campeonatos femininos.

Parte dessa visibilidade atual é graças aos canais de gamers, que têm ganhado mais espaço neste meio, seja por transmissões pelo Youtube ou então pelo Twitch. Nas plataformas de streaming, a pessoa pode transmitir suas partidas para os seus seguidores, com o propósito de dar dicas e interagir com outros fãs de jogos. Algum tempo atrás, era mais comum gravar o jogo e postar o vídeo no YouTube, mas agora é mais comum fazer transmissões ao vivo.

Uma problemática que existiu: como dito anteriormente, as mulheres nos jogos eram praticamente invisíveis. Então, as garotas que transmitiam jogos possuíam tal problema, não tendo a mesma fama que os rapazes. Atualmente, o universo dos games está melhorando para as mulheres. Inclusive, há listas diversas de streamers que você pode acompanhar: uma lista é 20 streamers mulheres para acompanhar e assistir em lives, feita pela globo.com. Listas assim foram criadas para ajudar a visibilidade das mulheres streamers e diminuir o preconceito.

Além disso, também precisa sempre existir campanhas diversas contra o machismo e contra o racismo. Conforme a globo.com, Layze “Lahgolas” foi a primeira caster negra contratada pela Riot Games. O fato é um importante exemplo da necessidade de investir em espaços seguros e em oportunidades para que mulheres participem do cenário. Lahgolas foi acolhida pela Wakanda Streamers e teve a oportunidade de entrar no mercado. Afinal, os esports é um espaço que sempre foi de direito das mulheres.

Lahgolas foi impactada diretamente por Wakanda Streamers e Sakuras Esports — Foto: Divulgação / Twitter
Lahgolas foi impactada diretamente por Wakanda Streamers e Sakuras Esports — Foto: Divulgação / Twitter

E certamente, é bom ver mulheres conquistando espaço nos games e nos esports:

Sim, nós jogamos

O canal MGGBrasil também postou um vídeo legal, que mostra a experiência de garotas nos videogames. Muitas jogam desde a infância, e falam sobre como se divertem e se emocionam enquanto jogam. Assistam abaixo:

Projetos focados para as mulheres nos e-sports

Sim, existem alguns projetos para as mulheres nos e-sports! Certamente vocês precisam conhecê-los: Sakuras Esports, que é uma organização e apoio para o público feminino, principalmente de League of Legends; Projeto Fierce – Games e eSports e Wakanda Streamers. Ainda mais para quem deseja ser jogadora profissional, confira então quais projetos você se identifica mais!

Eu mesma sou uma das poucas garotas em uma comunidade de Magic the Gathering, mas é uma comunidade em que eu sou extremamente respeitada. E fui bem acolhida, mesmo quando ainda não sabia jogar direito. E se você está em uma comunidade ou organização que não te respeita, então não merecem você! Procure comunidades em que a galera te respeita. E se você prefere jogar com outras garotas, até para evitar os assédios e os ataques de ódio, então não deixe de entrar em contato com as organizações sugeridas. Além disso, não é difícil achar outras comunidades na internet.

Machismo nos e-sports

Durante a adolescência, eu jogava World of Warcraft de vez em quando na conta da minha mãe, e garanto que já ouvimos muitos dos mais diversos comentários. Incluindo o momento em que não acreditavam que minha mãe fosse uma mulher, já que jogava bem! Comento isso, pois a trajetória das mulheres nos esports (ou em qualquer área) estão marcados de episódios assim, onde se duvida da capacidade da mulher.

O canal MGGBrasil postou o vídeo “Por que não vemos mais mulheres nos sports e games?”

Tal vídeo é de extrema importância, pois mostra a realidade das jogadoras, que muitas vezes desanimam e até desistem por não suportarem os ataques de ódio. No vídeo mesmo podem se ver casos diferentes de assédios e de ódio, muitas vezes sendo assédio até para garotas menores de idade. E é comum as garotas serem xingadas e tiradas dos jogos online não por jogadas ruins, mas simplesmente por serem garotas. Muitas até evitam dizer que são garotas, para evitar isso.

Sendo assim, elas aproveitam também para aproveitar e mostrar times femininos, então não deixem de assistir:

O canal Gaules também publicou um vídeo maravilhoso, chamado “Minha reflexão sobre o e-sport masculino e feminino”:

Campanha contra o machismo nos games: “Game Sem Preconceito”

Atualmente, a gamer Gabriela Scheffer compete como atleta profissional de e-sports. Para que ela mesma e outras garotas possam jogar em paz, ela resolveu criar uma campanha contra o machismo.

Por influência do pai, Gabriela Scheffer curte jogos eletrônicos desde a infância. Então, não demorou para resolver jogar de maneira profissional, e já participou de competições de Rainbow Six Siege – e foi vencedora três vezes. Mesmo sendo uma ótima jogadora, já vivenciou situações humilhantes. Questões como machismo e assédio são comuns até no meio gamer, infelizmente, mas não impediu a jogadora de criar a campanha “Game Sem Preconceito”.

Afinal, muitos reclamam de “mimimi” e “isso é frescura”, mas os mesmos gostam de atrapalhar a pessoa está apenas tentando trabalhar ou se divertir. É no mínimo irônico!

“Durante os jogos, percebi que não é fácil ser mulher nesse meio”, a jogadora relata para a reportagem da Universa Uol. Ela se dedica bastante de seu tempo para os e-sport, seja treinando, participando dos campeonatos ou fazendo streamings. Mas comumente recebe muitos xingamentos em suas redes sociais, simplesmente por ser uma mulher gamer. Não foram poucas as vezes que ela foi xingada e que ouviu que deveria estar lavando a louça, ao invés de jogar. É no mínimo bizarro, e não surpreende quando vejo pessoas comentando que isso só pode ser inveja, pois ela está conquistando muitas vitórias – além de um ótimo computador.

Enfim, a campanha veio quando ela viu as mesmas reclamações no Twitter, vindas de outras garotas. E a campanha está fazendo o maior sucesso, tendo reportagens e vídeos que mostram a realidade das mulheres que gostam de jogos. Para entender melhor a campanha, leia a matéria ‘Vivi situações humilhantes’: ela criou campanha contra machismo nos games e assista ao vídeo abaixo:

Em conclusão sobre o universo das mulheres nos esports

Considerando todo o artigo, se perguntem algumas coisas: primeiramente, você gosta de ser desrespeitado e xingado apenas por gostar de se divertir? Em segundo lugar, você gostaria de ver as mulheres de sua família ou sua namorada serem assediadas em qualquer ambiente, inclusive dentro do mundo gamer? Então, não seja você a fazer o mesmo com as outras pessoas.

Comumente, mostramos muitos dados e reportagens de diferentes autores, de diferentes jornalistas e pesquisadores. Para quem desejar entender ainda mais sobre a complexidade do machismo e como isso atrapalha as mulheres em qualquer área, leia: Mulheres gamers falam de machismo: ‘Muitas meninas querem desistir’.

E além disso tudo, para as garotas que estiverem lendo: não esqueça nunca os seus sonhos!

Enfim, essa é um pouco da história das mulheres nos esports! Não deixem de comentar o que vocês acharam da matéria sobre as mulheres nos esports!

Leiam também em nosso portal: O Esport nas Olimpíadas e SAGA dá dicas para desenvolvedores games!

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