Rede de Ódio (Hejter/The Hater) Netflix – Resenha

Retrato fidedigno da política e sociedade atual, Rede de Ódio é um imperdível filme Netflix

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Rede de Ódio – Resenha do filme polonês da Netflix

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Ano: 2020
Título Original: Hejter
Escrito: Mateusz Pacewicz
Dirigido por: Jan Komasa

Atual, intenso, intrigante e tão real quanto perturbador. Rede de Ódio (Hejter) é um filme polonês disponível na Netflix e pode facilmente ser incluindo entre as melhores produções cinematográficas da plataforma no ano.

Dirigido pelo jovem diretor Jan Komasa, o longa faz uma poderosa leitura da onda de polaridade que tomou a política (e as redes sociais) mundo afora, com um retrato específico do contexto polonês e europeu quanto ao crescente discurso ultranacionalista e anti-imigratório.

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A trama narra a estória de Tomasz Giemza (Maciej Musiałowski), um estudante de Direito que é expulso da Universidade de Varsóvia após ser acusado de plágio. Os estudos de Tomasz eram financiados pela família Krasucki – de caráter progressista – com quem possui uma relação de “aparentamento”. Temendo os efeitos da expulsão, Tomasz se reaproxima dos Krasucki – que na realidade o menosprezam – e especialmente de Gabi, filha do casal, por quem é completamente obcecado (revelando-se também um assustador stalker).

Tomasz, a princípio, esconde de seus “padrinhos” a expulsão. Desempregado e sem ter para onde ir, o rapaz consegue, graças a sua inconveniência e cara de pau, um emprego em uma agência onde fica incumbido de disseminar fake news. Unindo sua já nata habilidade em redes sociais com uma capacidade impressionante de mentir, Tomasz se afunda cada vez mais na rede de mentiras criada por ele mesmo, gerando efeitos colaterais inimagináveis e catastróficas não só aqueles ao seu redor, mas até mesmo à toda Varsóvia.

Uma rede de ódio, crimes e mentiras

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Rede de Ódio é uma perfeita pintura do extremismo que dominou as mais recentes campanhas políticas, com disseminação de notícias falsas vias redes sociais incitando crimes de ódio a minorias, difamação de imagem de autoridades e instituições e promoção de ataques em massa a rivais políticos – pessoas públicas ou comuns.

Empresas como a retratada no filme, na qual Tomasz trabalha, existem aos montes – de forma velada ou não – e são ou já foram responsáveis direto pelo resultado final de eleições, como a grande repercussão que a veiculação de notícias falsas no Facebook teve na campanha de 2016 de Donald Trump. E mesmo nas eleições de 2018 no Brasil, quando o Whatsapp se tornou, em definitivo, uma poderosa arma de desinformação.

Como supracitado, apesar da fácil identificação do cenário político a níveis globais, o longa recorta a situação especial dos países europeus em seu já longevo conflito social em questões étnicas, escancarado uma parcela considerável da população – que parece cada vez mais visível – protestando por uma Europa “livre de povos estrangeiros” (em especial de religião islâmica), anti-imigrante, com aspirações fascistas e nacionalistas, portando discursos de extremo ódio a qualquer um que defenda campos progressistas.

O fascinante e perturbador Tomasz Glemza

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A realidade imposta pela trama é o fio-condutor de todas as coisas e do grande impacto de Rede de Ódio, mas a maior parte de seu apelo se dá também pela fantástica atuação de Maciej Musiałowski.

O filme se passa, basicamente, em toda visão do personagem, uma mente tão brilhante quanto desequilibrada, capaz de não medir esforços para alcançar seus objetivos. Tomasz retrata um tipo muito específico e comum de millenial – solitário, imerso em redes sociais e tomado por aspirações radicais cada vez mais difundidas nos mais diversos âmbitos da internet.

Tomasz é um sociopata, carismático que consegue se enredar nos mais diversos ambientes e contornar situações que lhe pareciam impossíveis. O filme avança sob a escalada mental que o personagem sofre, tornando seu ambiente cada vez mais tenso, incerto, hostil, onde o espectador se coloca a apostar até onde o protagonista e suas mentiras o levarão (e levarão os personagens que o acompanham).

Em resumo

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Chocante de tão real e dotado de um roteiro incrível e ótimas atuações, Rede de Ódio é bem mais que um filme sobre política e o poder – para o bem ou para o mal – das redes sociais; é uma obra que provoca e incomoda, como o bom cinema contemporâneo é capaz de fazer.

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