Bacurau (2019) – Resenha

Insano e original, novo longa brasileiro é um dos melhores filmes do an

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Bacurau – Resenha do filme brasileiro premiado em Cannes

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Ano: 2019
Título Original: Bacurau
Dirigido porKleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Ganhador do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019, Bacurau chegou às telonas do cinema nacional e certamente merece atenção. A produção franco-brasileira tem na direção Kleber Mendonça Filho (O Som Ao Redor, Aquarius), um dos melhores cineastas brasileiros da atualidade, que mais uma vez apresenta um trabalho genial e, sobretudo, surpreendente.

Para se ter ideia, é até mesmo difícil enquadrar o longa em algum gênero habitual, uma vez que possui elementos de gêneros e temáticas distintos, mas que se cruzam para dar vida a estória. Podemos dizer, entretanto, que Bacurau é uma distopia que navega pelo suspense, terror e drama com toques de western e ficção-científica.

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A trama se passa em um futuro próximo, no sertão brasileiro, na pacata cidade fictícia de Bacurau. Logo no princípio, somos apresentados a uma realidade onde os recursos básicos na região são ainda mais escassos que na atualidade e são também controlados por alguma espécie de autoridade maior.

De carona em um caminhão pipa, Teresa (Bárbara Colen) retorna à cidade natal (Bacurau) para o velório de sua avó, Carmelita, uma espécie de matriarca local. A morte da idosa acaba por reunir todo o povoado, e Teresa reencontra familiares e amigos, se readaptando à rotina simples da cidade interiorana. Uma cidade despida de vaidade e preconceitos, onde o senso de comunidade prevalece.

A calmaria de Bacurau começa a se dissipar quando os moradores constatam que a cidade, repentinamente, desapareceu do mapa. Ao mesmo tempo, estranhos e violentos incidentes começam a suscitar pânico nos habitantes locais, de modo que uma terrível cadeia de barbárie se inicia.

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Bacurau é um daqueles filmes que prendem o espectador do início ao fim. Possui um ritmo contínuo de suspense, mesmo em momentos em que a estória se permite ser contada ao retratar os hábitos locais e pequenos diálogos, que também são vitais. Sua principal chave é não perder o efeito surpresa em nenhum instante. Sabe ser leve, sabe ser intrigante e, sobretudo, sabe ser visceral quando necessário.

A direção de Kleber e Dornelles é precisa, entregando uma produção de primeiríssima linha tanto nos aspectos técnicos como fotografia e trilha sonora (que é maravilhosa) quanto dramáticos, um trabalho realmente digno das grandes premiações mundo afora. Vale ressaltar as atuações da sempre genial Sônia Braga como a doutora Domingas e de Silvero Pereira como o temido Lunga, uma espécie de cangaceiro dos novos tempos.

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Bacurau é, antes de tudo, uma ode ao Nordeste e sua cultura, sempre em resistência. O filme faz questão de valorizar as raízes do povo nordestino e a cultura das pequenas cidades do agreste, como seus costumes e o modo de vida muito próprio, sintetizado, por exemplo, em toda sequência que mostra o velório de dona Carmelita ou às referências ao modus operandi dos cangaceiros, apresentadas em determinado momento da trama. E com muita propriedade, tece também fortes críticas – subjetivas ou explícitas – à xenofobia sofrida pela região e ao chamado “complexo de vira-lata”.

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Em meio a um ano tão repleto de estreias badaladas no cinema mundial, o brasileiro Bacurau certamente merece ser visto nas telonas e, com todo mérito, deve postular entre os indicados do Brasil ao Oscar de Filme Estrangeiro.

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