Brinquedo Assassino (2019) – Remodelado e tunado!

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O novo Brinquedo Assassino
Ficha Técnica
Nome: Brinquedo Assassino (Child Play’s)Data de Lançamento: 22 de agosto de 2019.
Direção: Lars Klevberg Elenco: Mark Hammil (Chucky), Gabriel Bateman, Aubrey Plaza, Brian Tyree Henry, Beatrice Kitsos, Ty Consiglio.

Há, desde o início da década e até um pouco antes, uma dificuldade clara do cinema de terror em criar, repetir ou se reinventar. Extremamente saturadas com os intensos anos 80 e 90 as obras de terror sofrem com o excesso de repetição de fórmulas em filmes novos e continuações. Já que raramente saem da mesmice. A solução para salvar algumas franquias que não tinham mais razões para ter continuações, foram os remakes. Assim, os monstros mais famosos do terror, como Freddy Krueger e Jason, ganharam suas novas versões. Na maioria, superiores as suas mais recentes e infinitas continuações, mas longe do brilho das originais.

Felizmente, Chucky ganhou um trabalho muito melhor do que seus companheiros de assassinato em massa, com um remake equivalente ao original, até mesmo em suas falhas. Apesar de chato, é inevitável a comparação com seu conteúdo original, ao passo em que o filme tenta se diferenciar de sua fonte. Isso porque utiliza os mesmo personagens e alguns detalhes da trama, como o serviço da mãe de Andy.

Uma nova voz para o Brinquedo Assassino

Começar pelos pontos positivos antes de iniciar as reclamações, que são em menor número. A decisão de mudar o dublador do personagem principal cabe bem quando aliada à tentativa principal do filme: Se diferenciar do original. O roteiro tenta criar um outro Chucky e poderia fazê-lo mesmo se usasse a mesma premissa de magia negra. Todavia escolhe uma alternativa que não só atualiza o personagem, como o diferencia mais ainda do original, que é a inteligência artificial.

Há pouco foco na questão da tecnologia em si, ou mesmo no consumismo, algo que poderia “engordar” mais o filme se fosse bem feito, já que o roteiro da as brechas para isso, mas acaba optando pela zona de conforto e aborda o assunto em alguns poucos diálogos. A abordagem do aprendizado de Chucky acaba sendo a única crítica do filme: o perigo são sempre os seres humanos. Principalmente pelo boneco ter tido sua programação alterada, mas também pelo ambiente em que convive. Fica um pouco forçado a maneira com que ele só aprende coisas erradas, mas não sabemos exatamente se o programador só retirou seus protocolos de segurança ou o reprogramou para agir daquela maneira.

Tão inocente…e sanguinário :3

O aprendizado do boneco acaba sendo o grande atrativo do filme e a principal razão de sua existência. Afinal, todos conhecem Chucky e sabem no que ele se tornaria, sendo difícil gerar suspense com sua versão antiga. O processo que ele passa é o que segura a atenção de quem assiste e é muito bem feito. Ignorando a questão dele só aprender o que é errado, vemos a evolução de uma máquina aprendendo a “ser humano” e tentando entender a complexidade das emoções, interpretando-as de maneira simples e literais.

O filme, no entanto, não se aprofunda muito nessa questão, preferindo utilizar estes aprendizados somente como premissa para a transformação do boneco em um assassino. Na verdade, o boneco poderia fazer alguns questionamentos. A maneira com o que o novo Brinquedo Assassino é introduzido faz com que ele converse muito mais com o telespectador, gerando até certa empatia quando entendemos seu comportamento. O que é mais uma diferença do original que sempre foi mal e teve sua loucura reforçada nos filmes recentes. Cabe também uma rápida menção à movimentação do personagem, que consegue ser incrivelmente inferior a TODAS os outros filmes da franquia, algo sem qualquer justificava além de preguiça.

Um novo Andy em Brinquedo Assassino

Apesar do esforço para trazer algo novo, o filme perde várias oportunidades de aprofundar algumas boas premissas e utilizar outras antigas. Uma delas é Andy, que, apesar de ter um bom elenco de apoio, funcionava muito melhor como a criança do primeiro filme. Chega a ficar até estranho a relação da “garotada” com um boneco, algo difícil de engolir hoje em dia. Mas, já que o personagem de Andy foi alterado, também foi utilizado um conceito muito interessante que é torná-lo suspeito pelos assassinatos, algo pouco abordado nos originais e que ocorre de maneira natural aqui, sendo outro atrativo, mas que funcionaria melhor se ele continuasse solitário durante o resto do filme.

Os jumpscares aparecem em certa quantidade, mas não chegam a incomodar, diferente do humor. Sim, filmes trash costumam ter bastante humor negro, mais ainda os de Chuck. Todavia essa parte da personalidade do personagem fez falta e houve a tentativa de substituição através da inocência, que é o gatilho humorístico no lugar de seu sarcasmo. Na maioria das vezes funciona, mas há cenas prolongadas demais e que não soam tão naturais, dando a impressão que o filme não decide seu tom em momento algum e acaba mantendo uma instabilidade na percepção do que estamos a assistir.

Enfim

Mesmo tendo sido bem aceito por boa parte da crítica, o Remake do boneco mais famoso do mundo não é superior ao seu original. Mas mesmo o original não era uma obra prima, sofrendo, por razões diferentes, de premissas mal aproveitadas. Pelo menos o deste ano possuí razões mais aceitáveis de continuar a existir, muito mais tunado – e podendo até mesmo se tonar uma ameaça apocalíptica – Chucky vai voltar.

Talvez com o mesmo objetivo que todas as suas versões: ser o seu melhor amigo.

ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Nota do filme
7.5
Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul...Amante de infinitas coisas, desde animes, games, filmes, séries, música, futebol, literatura...Toda e qualquer uma dessas artes, mas, principalmente, a escrita, que torna minhas palavras imortais igual ao meu tricolor!

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