Trilogia Homem-Aranha de Tobey e Sam Raimi | Análise

Homem-Aranha de Tobey Maguire

X-men, o primeirão mesmo, revolucionou a industria no cinema em questão de adaptação dos coloridos e exagerados super-heróis. A partir daí, surgiram alguns novas tentativas na década de 2000-2010. Claro, já haviam muitos filmes anteriores, mas o sub-gênero estava meio sumido. Porém, foi Homem-Aranha (2002) que trouxe para as telonas um heróis mais próximo dos quadrinhos, uma adaptação do que viamos nas HQs, onde o cinema se adaptou, e não os personagens. O estrondoso sucesso do primeiro filme fez com que rapidamente chegasse o segundo filme, tão bom quanto o primeiro e que evolui em alguns aspectos. A franquia protagonizada por Tobey Maguire é lembrada até hoje, ainda que, na minha opinião, pelos méritos errados.

Homem-Aranha (2002) – Nota 7,5

Comecemos pelo começo. O maior risco de todos, e que costumeiramente trava muitas ideias envolve o início de uma franquia. Há a necessidade de trabalhar bem a adaptação de forma que ela adapte, mas também soe como uma história original. A maior consequência disso envolve as famosas origens, que costumam tomar um bom tempo de tela em diversos filmes de heróis.


Aqui não é diferente, porém Sam Raimi trabalha tão bem seu tempo, que atinge com perfeição o timing de criar o herói – que todos saberiam que Peter se tornaria. O Aranha tem diversos vilões e, assim como Batman, qualquer filme que o envolva poderia facilmente possuir mais de um. Raimi não cai nessa armadilha, afinal, precisa contar a origem de um personagem, desenvolver seu triângulo amoroso com M. J e Harry e ainda criar um vilão. O tempo é bem distribuído para todos.

Ainda que a distribuição do tempo seja boa para todos terem seus momentos, a maioria não aproveita. Tobey é lembrado com muito carinho pelos fãs, mas é um Peter, no máximo, Ok… Já Dunst e James Franco são sofríveis como Mary Jane e Harry. Para salvar, temos o incrível Willian Dafoe como Norman Osborn e Duende Verde, que entrega uma boa atuação nos dois papéis.

Já os efeitos, poderiam ser bons na época, mas ficaram datados – algo que não ocorreu com o segundo, lançado só dois anos depois. Porém, ainda são bem aceitáveis, visto a dificuldade de adaptação do personagem. E é natural que o segundo filme mostre evolução, não só pela tecnologia, mas também pela equipe técnica estar mais adaptada as dificuldades.

Homem-Aranha 2 (2004) – Nota 8

No segundo filme, temos uma evolução de diversos aspectos. Já com suas convicções devido ao sucesso do primeiro, Sam Raimi teve liberdade maior para adaptar e trabalhar o Aranha e seu universo. Começa neste filme um meticuloso trabalho de universo, que acabou interrompido pelo não lançamento do quarto filme. De certa forma, ao vermos o terceiro filme, fica a impressão de estarmos assistindo a uma série – algo que seria evoluído lá na frente com o UCM.

Na questão técnica, os efeitos, como mencionei antes, ficaram muito melhores, com destaque para os braços do Dr. Octopus. Aliás, o vilão do filme, assim como no primeiro, salva tudo no quesito atuação. Tobey é um pouco mais exigido, mas continua razoável como Peter. Os outros dois protagonistas ainda melhoram em seus papéis, mas não o suficiente.

Sem estar preso a necessidade de desenvolver a origem do herói, o segundo filme consegue gastar mais tempo – inclusive em cenas de ação – com seus personagens. Tobey, no entanto, não carrega bem a carga dramática e as mudanças que o roteiro exige. É difícil falar isso devido a alta qualidade do produto final, mas caberia outro vilão ainda no meio disso tudo – mas vai saber se isso não estragaria , não é? Enfim, vamos falar do patinho feio da franquia.

Homem-Aranha 3 (2007) – Nota 5,0

Há quem defenda Homem-Aranha 3. Por esta razão, fui ver o filme para escrever este post sem qualquer tipo de preconceito. Aliás, tentei assistir aos três filmes de forma a abandonar totalmente qualquer julgamento anterior ou nostalgia – farei o mesmo com o Aranha do Andrew. Entendi, em partes, que há sim motivos para não achar o filme uma bomba como ele é tratado e criou-se a mistica com o passar do tempo. Porém, assim como o segundo não é esta perfeição toda, mas é muito bom, o terceiro não é tão ruim, mas ainda é ruim.

Para começar, o elogio que se deve fazer ao filme se encontra principalmente na noção de continuidade que ele nos traz, algo que já ocorria no segundo. Porém, esta continuidade também é razão do maior problema dele: Venon! O vilão tinha tudo para ser bem construído, se Eddie tivesse sido introduzido no filme anterior – e havia espaço pra isso. Fica claro ao final que tudo envolvendo o personagem foi forçado e ruim. Pra não dizer tudo, a aparência é muito boa.

O tempo não corrige tudo…

Voltando ao filme como um todo, parece obvio dizer isso em 2021, mas o tempo não corrigiu nem amenizou este problema: o filme tem muito personagem! Isso não seria um problema, visto que elogiei no primeiro filme o fato do roteiro saber equilibrar bem a introdução de todos. Todavia, ainda no terceiro filme, há um drama entre Peter, Mary Jane e Harry, o que já toma bastante tempo. Todo este drama – aliado a simbionte de Peter -, deixa pouca margem para os novos personagens. Não é difícil imaginar que o resultado é uma superficialidade na abordagem de quase todos.

Em efeitos, já mencionei Venom, mas vai um destaque para o Aranha, melhor do que nunca e também para o Homem-Areia – sua cena de origem é perfeita. Todos os vilões e cenas de ação estão incríveis. Me incomoda, porém, a insistência em mostrar o rosto de Eddie ao invés de Venom, que aparece, se somar, nem por um minuto em seu ‘traje’ completo. Este problema, aliás, evidencia outro, que é o clímax corrido, depois de vermos um amontoado de cenas do Peter ‘Emo’ – em mais uma atuação mediana de Tobey.

No fim, Homem-Aranha 3 tem seus méritos, tanto técnicos, quanto no roteiro – o homem areia é um ótimo vilão. O que estraga o filme, infelizmente, é a presença do simbionte, que não faz sentido desde sua conveniente queda na terra bem ao lado de Peter Parker. Depois disso, tudo que advêm da presença alienígena, é mal feito ao extremo.

Análise da franquia

Em última análise, a franquia protagonizada por Tobey Maguire possui um saldo positivo. Sem duvidas, é a melhor franquia do Aranha até aqui, mas isso é muito mais mérito do diretor do que do ator. Isso porque Tobey não entrega em momento algum um Peter Parker muito bom, além de um homem-Aranha bem calado. Por falar em elenco, os vilões – Duende Verde no primeiro, Octopus no segundo e Homem-Areia no terceiro salvam no quesito atuação. Coincidência até notar que estes devem ser exatamente aqueles que voltarão em ‘Sem Volta Para Casa’.

No quesito de efeitos a evolução é clara e atinge seu auge no terceiro filme. Porém, no mesmo filme o roteiro encontra o fundo do poço, em situações repetidas – com os dramas entre Peter e Mary Jane e a mocinha sendo sequestrada pela TERCEIRA VEZ SEGUIDA. Há também uma inconsistência no Aranha desenvolvido até, com atitudes questionáveis naquela altura do campeonato.

Muitos lembram dos ótimos filmes que Raimi dirigiu e entregou e associam isso aos atores, o que é um grande engano. Como eu disse antes, é a melhor franquia de filmes, mas não é a melhor adaptação – no quesito personagem – nem do Homem-Aranha e nem de seu alter-ego Peter Parker.

ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Nota da Trilogia
7
Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul...Amante de infinitas coisas, desde animes, games, filmes, séries, música, futebol, literatura...Toda e qualquer uma dessas artes, mas, principalmente, a escrita, que torna minhas palavras imortais igual ao meu tricolor!
X-men, o primeirão mesmo, revolucionou a industria no cinema em questão de adaptação dos coloridos e exagerados super-heróis. A partir daí, surgiram alguns novas tentativas na década de 2000-2010. Claro, já haviam muitos filmes anteriores, mas o sub-gênero estava meio sumido. Porém, foi Homem-Aranha...trilogia-homem-aranha-tobey-e-sam-raimi-analise

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