BATMAN OS TRÊS CORINGAS – RESENHA

Johns e Fabok enfim trazem a tona a questão que permeia o Universo DC há alguns anos: Quem são os Três Coringas?

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Título Original: Batman: The Three Jokers (1-3) | Lançamento no Brasil: Março de 2021 à Maio 2021 (3 Edições)
EditoraPanini | Número de Páginas: 48 (cada ed) | Preço: 14,90
Roteiro: Geoff Johns | Arte: Jason Fabok | Tradução: Rodrigo Oliveira

SINOPSE

Na antiga fase da DC Comics “Os Novos 52”, em determinado momento o Batman teve acesso a Cadeira de Mobius que pertencia a Metron, uma espécie de “observador” do Universo DC. Quando o Batman se senta nessa cadeira, ele acaba virando uma espécie de “deus” e assim consegue acessar várias informações acerca de todo o universo. Dentre essas informações, ele visualizou por um breve momento a existência de Três Coringas em sua realidade. E desde então ficou a pergunta: sempre existiram Três Coringas?

Partindo desse plot, em determinada noite em Gotham, três crimes distintos ocorrem quase que simultaneamente, e todos são atribuídos ao Palhaço do Crime. E aquela questão levantada anos antes volta à tona: Existem realmente OS Três Coringas?

OS TRÊS MORCEGOS

Para contar essa história, Geoff Johns acaba escolhendo também três protagonistas. São eles Batman / Bruce Wayne, Batgirl / Bárbara Gordon e Capuz Vermelho/ Jason Todd. Como dito na sinopse, os três Morcegos acabam se encontrando durante a investigação que aponta os crimes supostamente assinados pelo Coringa. Batman, Batgirl e Capuz Vermelho tem seus próprios motivos pessoais para querer encerrar esse assunto. Cada qual age à sua maneira, mas inevitavelmente os caminhos deles acabam convergindo.

Quando somos apresentados a esses personagens em uma trama contra um vilão tão icônico, podemos notar que Johns escolheu seus protagonistas com cuidado, já que cada um deles tem motivos muito palpáveis para estarem aqui. Pois mesmo sem termos tanto contato com eles, em poucas páginas, podemos entender a dor que eles carregam, sequelas de embates contra o Coringa.

OS TRÊS TRAUMAS

A trama de Batman Os Três Coringas nos mostra exatamente o porquê desses Morcegos terem sido escolhidos. Isso se deve pelos seus traumas e como isso está ligado a história de crueldade e loucura do Coringa. 

O Batman tem sua origem no fatídico dia do cinema, onde Bruce assiste seus pais serem assassinados por um bandido durante uma tentativa de assalto. E com isso teria início o nascimento do Batman e consequentemente entraria a luta eterna com seu eterno rival, o Coringa.

A Batgirl é traumatizada pelos fatos ocorridos em “A Piada Mortal” (escrita por Alan Moore), já que o Coringa queria provar que apenas um dia ruim separa o homem racional da loucura. E para isso ele havia escolhido deixar o Comissário James Gordon louco, após atirar e supostamente violentar a sua filha, Bárbara Gordon. Após esses eventos, Bárbara perdeu os movimentos das pernas devido aos atos do Coringa, e por muito tempo teve que abandonar o  manto de Batgirl. 

E por último o Capuz Vermelho, que ainda em sua época como o segundo Robin, foi “morto” pelo Coringa a pancadas com um pé de Cabra e deixado para morrer em uma explosão. Esses fatos foram mostrados em “Morte em Família” (escrita por Jim Starlin). Porém anos mais tarde o rapaz voltou a vida, e assim assumiu a alcunha de Capuz Vermelho. 

Em suma, os três Morcegos tem seus motivos e traumas para caçar o Coringa e assim resolver o assunto não só dos crimes que o vilão está causando mais uma vez, mas também para poder tentar amenizar as cicatrizes do passado. 

OS ACERTOS / RESSALVAS DA TRAMA

Geoff Johns acerta demais no tom de abordagem dessa trama, trazendo uma “pegada” mais madura e violenta. Isso é brilhantemente potencializado pela arte impecável de Jason Fabok. Sério, é impressionante o quanto esse ser humano desenha. São páginas e páginas que para simplesmente admirarmos. Johns e Fabok possuem uma ótima sintonia, desde os tempos em que trabalharam juntos no título da Liga da Justiça, durante “Os Novos 52”. 

A ressalva da trama pode ser atribuída talvez a não se aprofundar tanto em alguns pontos que são plantados, principalmente envolvendo os famigerados três Coringas. Sem dar spoilers, mas muitos leitores podem sentir falta de uma trama mais elaborada sobre esse ponto, dito isso por conta da resolução da trama, que pode ser sim um pouco “polêmica”. Muito disso pode ser por conta das expectativas criadas em cima do plot inicial. 

Quando Johns finaliza a trama de Batman Os Três Coringas, ele o faz de forma muito pontual e o amarra com algo já “estabelecido”. E por isso que muitas pessoas podem e vão torcer o nariz para isso. Mas em suma, é um bom final para a trama apresentada e faz sentido dentro da sua proposta.  

BATMAN OS TRÊS CORINGAS, VALE A PENA?

Apesar de toda a demora para ser publicado, Batman Os Três Coringas é um ótimo quadrinho. Mesmo que ele não atenda as expectativas de boa parte do público, a obra em si é bem divertida de se acompanhar. E por isso, ela vale a pena sim. Como ela foi publicada dentro do Selo Black Label (selo da DC voltado para um público mais adulto) a HQ abusa da violência gráfica e também dos diálogos mais ácidos e pesados, que combinam bem com o tom da história. No decorrer da trama, ficam os destaques para Bárbara e Jason, que ganham bons e importantes momentos para o seu desenvolvimento. 

Se o leitor for com “coração aberto” as chances de curtir o quadrinho aumentam, justamente pela sua conclusão. Pois, apesar da resposta de Johns para a sua própria pergunta sobre o que, ou quem seriam Os Três Coringas não seja a que o público queria, a sua conclusão é bem interessante e faz sentido para a continuidade da relação da Bat Família com o Coringa. E essa conclusão, pode causar uma sensação ambígua, tal qual uma piada, dependendo do ponto de vista. 


E aí meu caro(a) leitor(a) do Meta Galáxia, espero que vocês tenham gostado da resenha. Batman Os Três Coringas é um quadrinho que já nasceu polêmico. Entre erros e acertos, a obra trouxe um resultado bem satisfatório para este que vos escreve. Mas entendo perfeitamente quem também não curtiu tanto assim. Não é uma obra que reinventa a roda. Então, para o bem ou para o mal, a HQ está aí e vale a leitura. Até o próximo post e forte abraço!

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