DCOMPOSIÇÃO (DC) – RESENHA

Tom Taylor faz uma divertida e assustadora reimaginação dos personagens da DC Comics em meio a uma infecção mundial

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Resenha de DComposição, quadrinho que mistura terror ao mundo dos personagens da DC Comics

“Não voltarei. Não preciso. Pois a verdade é que já consegui o que queria.”Darkseid

DComposição é uma minissérie da DC Comics que foi lançada originalmente lá fora em seis partes (Dceased 1-6) entre os meses de julho 2019 à dezembro 2019. A obra conta com roteiros de Tom Taylor (Injustiça Deuses Entre Nós) e diversos artistas como Trevor Hairsine (Capuz Vermelho e os Foragidos), Stefano Gaudiano (The Walking Dead) e Rain Beredo (Venom).

A obra foi lançada recentemente no Brasil pela Editora Panini Comics em formato de encadernado (capa dura) e conta com 240 páginas. Além da série principal, a publicação da Panini também contém a história “Um Bom dia Para Morrer” (DCeased: A Good Day to Die 1), que é um complemento da trama. (Link de DComposição na loja da Panini). OBS: E que bela tradução /adaptação do título do quadrinho, ficou simplesmente sensacional.

A Premissão de DComposição

A Liga da Justiça trava mais uma difícil batalha contra aquele que talvez seja o seu maior inimigo: Darkseid. E após um combate ferrenho, a Liga acaba vitoriosa no embate e expulsa Darkseid da Terra, de modo que ele nunca mais volte tentar uma nova invasão. Apesar de ter perdido a batalha, Darkseid sorri e vai embora, alegando que já havia conseguido o que queria. Mas o que ele quis dizer com isso?

Os heróis notam que Victor Stone, o Cyborg não está com eles. Logo sabemos que Darkseid o havia sequestrado, e após algumas tentativas o vilão consegue finalmente extrair de Stone a sua tão sonhada Equação Antivida. Porém, ao ser liberta a equação se torna algo incontrolável, e assim desencadeia uma onde de morte, como se fosse uma espécie de vírus de proporções inimagináveis.

Cyborg consegue retornar a Terra, porém agora com a Equação Antivida liberta, ela se espalha e passa a infectar todos os seres que estão em contato com a Internet. Como uma espécie de um vírus tecnorgânico, e assim transforma a pessoa em uma espécie de zumbi, que tem como objetivo ceifar toda a forma de vida. Cyborg ainda tenta fazer algo a respeito utilizando sua tecnologia (já que ele foi a origem disso) mas sem sucesso. Ou seja, o mundo está a mercê de um caos.

Não é apenas um caça-níquel “zumbi”

No mundo dos quadrinhos e da cultura pop em geral, sabemos que uma premissa envolvendo zumbis (ou algo parecido) não é nenhuma novidade. Temos histórias assim aos montes como a saga Zumbis Marvel e também talvez a HQ mais relevante desse seguimento que é The Walkind Dead. Tendo isso em mente, logo pensamos: qual seria a motivação de se fazer DComposição? Seria apenas uma obra pra surfar em cima desse assunto? De início pode parecer que sim, mas felizmente DComposição é uma baita surpresa positiva.

O roteirista Tom Taylor tem sido um dos grandes nomes do mercado dos quadrinhos nos últimos tempos. Tanto seus trabalhos para DC e Marvel sempre costumam ser acima da média. E aqui em DComposição ele prova mais uma vez que sabe contar uma boa história. Como dissemos acima, tudo pode parecer muito genérico no começo para se trabalhar uma obra com essa temática já um tanto batida. Mas aqui fica provado mais uma vez que tudo depende de um bom argumento para se contar uma boa história.

E o que veremos aqui em Dcomposição não é apenas um caça-níquel mostrando como os personagens a DC ficariam caso fossem “zumbificados”. Há um contexto a ser trabalhado, questões a serem discutidas, ou seja, a história está longe de ser apenas uma galhofa. Há uma seriedade e tensão que é abordada na história, pois realmente todo esse problema do vírus é abordado com preocupação pelos heróis em sua tentativa de salvar o mundo.

Grandes Acertos

O grande acerto de DComposição é o equilbrio em trazer esse tema de zumbis /apocalispe para o universo DC sem descaracterizar seus personagens. Tom Taylor tem total liberdade criativa aqui e assim ele brinca com os personagens em diversas situações. Pois, a ameaça do vírus está fazendo o mundo inteiro um caos, mas imagine o que aconteceria se personagens como Superman ou Flash fossem infectados? Quais seriam as chances da humanidade? Existiria um plano de contingência para isso?

Taylor já havia feito um excelente trabalho em Injustiça Deuses Entre Nós, e aqui em Dcomposição ele acerta a mão mais uma vez. Assim como em seu outro trabalho, aqui ele tem liberdade para fazer o que bem entender com os personagens, e ele acerta muito nas escolhas. Temos diversas situações em que o autor faz ótimo uso dos poderes / características dos personagens dentro do contexto desse apocalipse iminente.

Além de todo o texto e narrativa certeiros de Taylor, a parte da arte também não decepciona, e casa bem com a proposta da obra. Além da arte em si da obra, as capas também são um show a parte. No final da edição da Panini há diversas capas variantes que dão vontade enquadrar de tão bonitas. (Algumas são referências a grandes filmes de terror).

E como dissemos acima, existem vários momentos que são dramáticos e até mesmo alguns mais gore, mas ainda assim mantendo a essência dos personagens. Os conflitos e dilemas criados no decorrer da trama dão um charme todo especial para a obra.

Alguns personagens estão simplesmente incríveis nessa luta pela vida, dois bons exemplos disso são: Arqueiro Verde e Canário Negro. Os dois roubam as cenas em diversos momentos. A Trindade também tem um cenas memoráveis, em especial uma do Superman contra um outro herói que é simplesmente épica.

Pequenas Ressalvas

Depois de tantos elogios, chegou o momento das ressalvas. Elas são mais uma queixa de um fã do que realmente defeitos que comprometam a obra. Devido ao formato da minissérie, tem muitas coisas /momentos que acontecem muito “rápido” dando a ligeira impressão que a obra teve que correr com algumas coisas. Pois existem alguns momentos onde certas decisões são tomadas / ou alguns personagens aparecem, onde não conseguimos enxergar esse desenvolvimento.

Mas isso se deve em muito pelo número de edições e assim muita coisa deve ter que ser resumida. Mas para os leitores é inegável que fica aquele sentimento de “queria ver mais dessa parte”, “queria ver mais acerca de tal luta ou personagem”. Mas felizmente, parece que a DC se deu conta disso e lá fora já foram lançadas séries spin-offs pra preencher essas lacunas.

Então resta torcer pra Panini Comics trazer aqui para o Brasil essas séries também, pois realmente ficou aquela expectativa quanto alguns personagens. E isso só é reforçado quando vemos os extras da edição, onde temos a ideia original de Taylor, e vemos que ali são citados personagens que nem deram as caras.

E além disso, também já está sendo lançada a DCeased 2 , que também é escrita por Taylor, já que ao final da saga fica um baita gancho para uma continuação. Panini, traga tudo isso por favor!

DComposição, vale a pena?

Sem dúvida alguma vale muito a pena, pois DComposição é uma das gratas surpresas do ano. Com certeza muita gente olhou o lançamento e deixou de lado, já que não parecia tão atrativo. E isso é entendível, justamente por todo o contexto apresentado no começo da postagem, já que muitas pessoas podem ter pensado que se tratava de um simples caça-níquel pra ver novos visuais dos personagens da DC em uma história vazia.

Mas felizmente, DComposição é uma baita HQ. Divertida, dramática, gore, e emocionante, a obra faz com que o leitor fique simplesmente imerso dentro da trama. E é quase impossível chegar ao final do quadrinho e não estar com vontade de ler mais sobre esse universo.

DComposição é uma daquelas obras que chegam do nada e simplesmente arrebatam o leitor, pois é um quadrinho que é de certa forma despretensioso, mas que tem algo interessante a nos contar! Quando você menos perceber, já estará infectado pela qualidade e carisma da obra.


Espero de coração que você tenha apreciado a resenha. DComposição é um dos quadrinhos mais divertidos do ano. Por isso, dê uma chance!

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