O Batman que Ri (The Batman Who Laughs) – Resenha

Com um clima sinistro e de terror, minissérie traz de volta um dos melhores vilões da DC

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Resenha do quadrinho: O Batman que Ri, com roteiro de Scott Snyder e arte de Jock.

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“… Olhe pra droga de um morcego. Não é projetado para voar da forma como um pássaro é, com ossos leves e asas com penas. Ele usa a própria carne como asas, esticada, até os dedos que estão muito longe. O voo de um morcego significa desafiar o que vem naturalmente, alcançar o que é difícil… o que é doloroso, porém sublime.”  Bruce Wayne, em O Batman que Ri

O Batman que Ri é uma minissérie lançada originalmente em 7 partes lá fora (The Batman: Who Laughs 1-7), e que também contou com uma edição especial (The Batman Who Laughs: The Grim Knight). O roteiros fica a cargo de um velho conhecido do “Batverso”: Scott Snyder, e a arte fica por conta de Jock, outro que já tem familiaridade com o Morcego. Na verdade, a dupla repete aqui a parceria já vista antes em Detective Comics (como o excelente arco Black Mirror) e na obra de terror Witches.

Aqui no Brasil, o Batman que Ri foi publicado pela Editora Panini Comics em 4 edições que contemplam os títulos mencionados antes. As edições tem uma média de 56 páginas  e cada uma saí por conta de R$ 10,90.

A Premissa de O Batman que Ri

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Entre os anos de  2017 /2018,  a DC Comics teve a mega saga “Noites de Trevas Metal”, que balançou as estruturas do universo das Lendas. A Saga que também foi escrita por Scott Snyder, consistia em apresentar um Multiverso Sombrio, e assim diversas versões do “Batman” invadiram o nosso mundo. Existia uma versão do Batman baseado em cada um os membros da Liga da Justiça. A Saga em si foi um tanto galhofa, pois contava com cada absurdo e clichês, porém, ela também era divertidíssima, justamente por esses pontos. E no meio dessa trama, eis que surgiu o Batman que Ri.

Assim como citamos, ele é uma das versões malignas de Bruce Wayne, porém,  este era sem dúvida alguma é o pior de todos. Tanto que ele agiu como líder inimigos desse esquadrão de Batmans. Ele vinha de uma realidade perturbadora, onde em um confronto com o Coringa, o Batman acaba matando-o. Em um ultimo ato, o Coringa libera uma toxina que acaba deixando o Batman contaminado. Uma vez contaminado, ele acaba cedendo a loucura do Palhaço do Crime, e assim esse ato dá origem ao Batman que Ri. Ou seja, ele é uma mistura de Batman com Coringa. Alguém que possui todas as habilidades do Batman, só que com a loucura do Coringa. Com isso temos um dos mais perigosos vilões da DC.

Neste Minissérie, alguns eventos estranhos começam a ocorrer em Gotham, e claro que o Batman começa a ir atrás para investigar. Conforme novas pistas vão sendo descobertas, o Morcego acaba se deparando com algo realmente muito estranho. Estão surgindo cadáveres de diversos “Bruce Waynes”, vindos de ninguém sabe onde. O Batman sabe que seu novo inimigo está por de trás isso. E logo uma rota de colisão inevitável é traçada entre eles.

Desenvolvimento da trama

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Com a premissa já estabelecida, a trama começa a avançar para o embate inevitável entre os “Batmans”, porém antes disso temos alguns pontos muito interessantes. Quando surgem esses cadáveres, cada um deles tem uma característica única, conforme as análises vão nos mostrando. Ainda não sabemos o porque desses corpos estarem surgindo aos montes, mas sabemos ao menos que todos eles fizeram algumas escolhas diferentes em relação ao nosso Batman.

O Morcego passa a observar que cada um deles parece que em algum momento de suas vidas optou por seguir um outro caminho para ajudar Gotham City. Scott Snyder acerta em cheio nesse ponto, pois ao mostrar diversas possibilidades de vida, faz com que Bruce fique ainda mais pensativo quanto a sua luta e juramento. Estaria ele fazendo a coisa certa para Gotham e principalmente para ele? São questões muito bem pontuadas que trazem reflexões a Bruce e ao leitor.

O clima estabelecido por Snyder é de certa forma assustador, e isso é fortemente reforçado pela arte de Jock, que a faz um traço mais “sujo”. Ele utiliza muito bem as sombras, olhares e expressões para passar toda tensão e terror estabelecidas. Sim, o Batman que Ri é um quadrinho que conta com uma atmosfera mais pesada, com um vilão que bota medo, não só pela sua força e visual (que é simplesmente sensacional), mas também por todo o caos que ele impregna na vida de Bruce.

Conforme a trama avança, vamos tendo mais convicção disso, a medida que vamos sabendo mais dos planos do vilão. Afinal, Bruce Wayne está enfrentando um contra parte sua, ele enxerga que o Batman Que Ri é uma possibilidade que pode ocorrer caso ele ultrapasse a linha de seu juramento. Ou seja, qualquer vacilo pode fazê-lo se tornar aquilo contra a qual ele está lutando. Em paralelo temos uma segunda narrativa sendo desenvolvida, onde temos James Gordon na linha de frente. Um personagem de seu passado volta e um novo inimigo surge, e diga-se de passagem, que inimigo sensacional.

Confrontos e Resoluções

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O roteirista Scott Snyder tem uma “certa perseguição” por grande parte dos leitores, que alegam que ele nunca consegue concluir suas histórias de maneira satisfatória. Uma boa premissa, um bom desenvolvimento, mas quando é chegada a hora de fechar, as escolhas que o autor toma geralmente não caem nas graças de boa parte dos leitores. Em o Batman que Ri, felizmente a resolução é interessante, mas ainda assim há ressalvas a serem feitas.

Os pontos positivos da obra são sem dúvida alguma as analogias que Snyder sempre faz em suas obras. É muito legal de ler isso, pois são sempre coisas que são bem colocadas que nos dão um novo olhar sobre um ponto de vista comum, assim ganhando um novo brilho. Os diálogos também são bons, objetivos  e bem construídos. Tanto que mesmo com um vilão tão poderoso, o maior confronto do Batman vai ser com ele mesmo justamente para não se tornar aquilo que agora ele mais teme. E ao trazer os diversos Bruces, isso ganha ainda mais enfâse.

As ressalvas ficam por conta de algumas resoluções um pouco “fáceis” que antecedem o fim da HQ. Apesar das ótimas ideias de Scott Snyder, as soluções soam um pouco absurdas / fáceis demais mediante as situações que estavam sendo apresentadas até então. Até fica parecendo que a história teve que “correr” um pouco para fechar. Pois próximo do grande embate, haviam coisas muito interessantes postas, e mesmo que a resolução tenha sido satisfatória, fica a leve impressão que poderia ter sido melhor. Isso para as duas narrativas, tanto de Bruce quanto a de Gordon.

O Batman que Ri, vale a pena?

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Em suma, o Batman que Ri é um quadrinho muito divertido, mesmo com as ressalvas apontadas acima. A obra tem um clima macabro e sombrio muito bem construído pela narrativa  e arte. Isso faz o leitor sentir que as ameças impostas pelo vilão são críveis, ainda mais quando vemos o impacto que isso vai causando na mente / corpo do nosso Bruce Wayne.

Sem dúvida alguma o Batman que Ri é um dos melhores personagens criados nos últimos anos pela DC. O personagem ganhou tanta popularidade que até fez uma pontinha em Mortal Kombat 11. O vilão que em um primeiro instante parecia ser apenas uma coisa genérica ou um caça-níquel, surpreende com a sua visão distorcida de mundo, e no meio de tanta raiva e ódio, consegue fazer coisas que colocam Bruce em cheque, se ele realmente está dando o seu melhor como Batman.

Então sim, O Batman que Ri vale a pena. É uma leitura que vai agradar pra quem já conhece o personagem, e quem ainda não teve contato com ele, provavelmente vai ficar instigado em saber mais sobre. O personagem tem ganhado relevância, tanto que ele tem aparecido algumas vezes no título da Liga da Justiça. Sem dúvidas a DC deve ter planos para ele, vide pela última página desta minissérie, que já deixa aquele gancho. E que venha muito mais.


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