Análise: Ajin – 2° Temporada

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Ajin

Na primeira temporada de Ajin tivemos a apresentação da história de Nagai Kei e seu confronto contra Sato. Maiores qualidade da primeira parte da história, as diferentes vertentes abordadas pelo anime e os confrontos contra o ótimo vilão se mantém e crescem de qualidade nesta segunda parte. Entretanto o final destrói boa parte do que foi desenvolvido e cria um ar de temerosidade quanto a uma eventual terceira temporada.

Ficha Técnica
Nome: Ajin – 2° TemporadaData: 2016
Duração: 13 Episódios (~20 min cada)Diretor: Hiroyuki Seshita
Gênero: Ação, Terror, Seinnen.

Antes de irmos para a análise da segunda, você pode conferir aqui a da primeira.

Animação

Vamos começar falando sobre a animação, que obviamente continuando apostando no 3D da primeira parte, porém, mostra uma melhora na fluides das cenas. No entanto, ainda peca um pouco na expressão dos personagens, que soam robóticos a todo momento. Aliás é uma pena, pois os dubladores dão um show (principalmente os de Kei e Satou, que são Mamoro Miyano e Houchuu Ootsuka, respectivamente – o segundo, muito experiente e voz de alguns personagens em anime importantes como em One Piece, recentemente Demon Slayer e é a voz de Jiraya em Naruto). Eles certamente acabam tendo sua atuação prejudicada pela animação pouca atenta a este detalhe.

A 2° temporada de Ajin

Após ter saído completamente vitorioso em todas as batalhas ao final da primeira temporada, o Ajin Sato continua seu plano em busca de conquistar o direito dos ajins. Cada vez mais ambicioso, ele arquiteta a morte de pessoas importantes e se torna uma ameça não só para o Japão, como para o mundo. Paralelo a isso, estão Nagai Kei e Nakano Kou, que terminaram a primeira temporada decididos a enfrentar o vilão.

O roteiro demora um pouco para engatar até chegarmos ao clímax da temporada. A maioria dos fatos apresentados parece enrolação. Principalmente o envolvimento dos americanos, que foi subutilizado na maior parte do tempo. Há uma tentativa de denegrir e ao mesmo tempo justificar a personalidade do protagonista. Mas os discursos soam repetitivos e o personagem acaba num ciclo em que, ora admite se importar com algumas pessoas pelas atitudes, ora volta ao velho discurso de que sentimentos não importam.

Falando em ciclos, as constantes tentativas de parar Sato não soam repetitivas pela questão da maior parte destas serem por parte do governo. Uma vez que nós sabemos que Sato irá sair vencendo, o roteiro brinca com as situações muito mais nos deixando curiosos sobre como ele fará do que se fará. Claro, é preciso uma grande força de vontade para crer na maneira absurda como o governo sempre sai derrotado. Não há ninguém mesmo esperto o suficiente para parar o homem? Além disso, a maneira fácil com que Sato adquire informações sobre a localização de pessoas ao mesmo tempo em que consegue não ser encontrado gera uma obvia incoerência.

Afunilamento

No final das contas, a maioria dos envolvidos de fora pouco acabam importando e o confronto final é obviamente entre Kei e sua gangue x Sato. Neste momento, temos algum desenvolvimento maior entre os personagens. Antes do confronto, Sato se revela mais ainda o que já se esperava: um sádico que vive num vício de guerra. A impossibilidade de morrer e o gosto pela guerra, justificam sua coragem de desafiar um país inteiro, mesmo que pareça insano. Uma pena só, que esta decisão desmoraliza toda a questão moral da discussão que se formava sobre os direitos dos Ajins. Seria corajoso e incrível ver uma vitória de Sato ao conquistar a ilha que lhe foi oferecida somente para Ajins.

Esta questão da ilha, aliás, gerou a traição da maioria dos aliados de Sato e também gerou a fúria de Tanaka. Este que em vários momentos foi mostrado hesitante, mas sem qualquer justificativa continua ao lado do vilão até o final. Mesmo que tenha sido uma oportunidade perdida, a opção por Sato ser um vilão só porque SIM é interessante. Não acho defeito exatamente pelo argumento que usei antes, ele é um viciado em guerra e imortal. Suas motivações vão além dos clichês envolvendo dinheiro ou (por irônia) a imortalidade ou coisa parecida. Mas sim, como ele mesmo diz a Kei, porque o mundo não aceita alguém com seus gostos, então ele mesmo teve que criar a situação em que se sente bem.

O final de Ajin (ou não…)

Como defeito, fica as conveniências de roteiro e o mal desenvolvimento da maioria dos personagens. Mas o protagonista, que tem tanto carisma quanto uma parede pintada de preto e Sato, que encontra uma complexidade exatamente na simplicidade final de suas motivações, inegavelmente têm seus desenvolvimentos bem feitos.

O final, muito bem elaborado e executada, começa a mostrar um pequeno cansaço nas constantes reviravoltas do vilão. Mas esse problema não fica tão explicito pelo confronto final com Kei em que ele sofre uma derrota simbólica (e com certeza não foi planejada).

Mas ai o roteirista resolve dizer que tudo foi um plano e que Sato (diferente das 200x em que ele falou que um Ajin sem a cabeça morreria) está vivo. Além disso, a fala do personagem da a entender que tudo foi planejado e que ele continuará a ser uma ameça. Não questiono a continuidade da história, que tem potencial para outros vilões e confrontos, assim como o próprio protagonista tem potencial para eventualmente ser vilanizado. Mas Sato já cansou, já deu o que tinha que dar e a opção de mantê-lo vivo estragou a bela oportunidade de terminar a história dele com um final digno e bem executado.

Claro que, sempre há a possibilidade do autor se superar e eu queimar a língua (ou os dedos, neste caso), mas acho improvável que o retorno dele se justifique sem que a história se torne repetitiva (principalmente considerando seus métodos de atuação). Enquanto o mangá continua, ainda não há qualquer sinal da Netflix sobre uma terceira temporada e se for possível esquecer o final do último episódio e considerar a derrota de Sato o final verdadeiro, eu prefiro que continue assim.

ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Animação
Roteiro
Som
Dublagem
Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul...Amante de infinitas coisas, desde animes, games, filmes, séries, música, futebol, literatura...Toda e qualquer uma dessas artes, mas, principalmente, a escrita, que torna minhas palavras imortais igual ao meu tricolor!

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