Arco Arlong Park – One Piece (análise)

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O Arlong Park

Em primeiro lugar, talvez não todos, mas se você perguntar para os fãs de One Piece: “Onde exatamente você decidiu que ia assistir o anime inteiro e encarar a quantidade absurda de episódios?” 90% responderá: “No arco do Arlong Park”. E isso não é por causa do vilão (mesmo que ele seja bom) e sim porque este arco reúne tudo que One Piece sabe fazer de melhor.

Arlong Park e os Tritões

Há um certo desperdício neste arco de Arlong Park, que ficaria muito mais completo com a história completa dos tritões, que é contada no futuro, mais de 500 episódios depois. Provavelmente Oda não tinha sequer planejado todo contexto envolvendo o vilão, mesmo se contarmos a menção a Jimbe. Todavia mostra o impressionante planejamento feito para a história num geral. Ainda assim fica mais interessante de se assistir uma segunda vez. Entendendo melhor os discursos que a principio parecem puro clichê de Arlong, mas que ganham uma razão no futuro. Ainda assim jamais servem de justificativa.

Um ponto forte é a capacidade em criar o clima para o final do arco que é muito melhor feito aqui do que nos anteriores. Toda a carga emocional que é construída lentamente, nos detalhes e que culmina em pequenos momentos que conseguem passar o peso daquela cena. Me refiro, claro, a cena de Luffy entregando o Chapéu de Palha a Nami. Desde a primeira participação efetiva da garota na história, ela viu em vários momentos Luffy valorizar seu tesouro e protege-lo. Ela aprendeu a admirar Luffy e entender o valor do objeto e nós também em paralelo.

“Luffy, me ajude…”

Assim, a cena dele deixando o Chapéu a cargo dela passa a emoção não só pelo momento de Nami que é demonstrado de uma maneira poucas vezes vistas antes. Principalmente com a automultilação dela num momento de descarga de toda raiva e sentimentos acumulados ao longo dos anos. Igualmente há o simbolismo do gesto simples de Luffy que passa a confiança para ela e também nos faz admirar cada vez mais o protagonista. Esse é o momento que Luffy conquista Nami e os telespectadores/leitores juntos.

Posteriormente a esse momento temos a luta final, que tem como a cena do quarto de Nami mais uma mostra de poder de Oda em lidar com simbolismos e nos passa a emoção de um simples quarto sendo destruído. Esse é o ponto alto da luta que conta com o defeito de se estender um pouco demais e acabar muito de repente. Diferentemente das lutas do bando, que são bem distribuídas e interessantes. Como o Karatê Tritão e o estilo de seis espadas de Hatchan. A saber, Hatchan é o “morreu, mas passa bem” do arco.

E o flashback faz outra vítima

Em relação aos flashbacks de Nami, são naturalmente só para reforçar a infância sofrida dela, assim como aconteceu com os demais que perderam pessoas importantes ainda jovens (menos Sanji). Mas diferente deles o sofrimento de Nami não parou aí e só de pensar que ela passou oito anos trabalhando em conjunto com as pessoas que lhe causaram tanto sofrimento, da para eleger ela como a infância mais sofrida. Ainda nos flashbacks, Oda trabalha bem a personagem de Bellemere em pouco tempo através dos conflitos com Nami. Por consequência fazendo com que nos importemos com ela rapidamente antes de sua morte (mais uma vítima do flashback).

Outros pontos

A trilha sonora funciona perfeitamente com todos os momentos que a exigem, através das mais diversas variações da abertura, consegue trazer a angústia e o peso de vários momentos. Falha um pouco nas lutas também, muito pela inconsistência, sendo usado quase que aleatoriamente e deixando de ser usado em momentos que deveria. Já a animação continua a mesma dos arcos anteriores, se eles não te incomodaram, Arlong Park também não incomodara. O design dos tritões é interessante e variado, com Oda utilizando bem suas características corporais para os diferenciá-los em combate também.

Depois do Arlong Park…

Agora o bando parte para a Grand Line, com uma parada super importante antes. Depois, inicia a primeira grande saga do anime onde Oda começa a mostrar toda sua genialidade, mas também os seus maiores defeitos ao desenvolver o anime. Não desistiu de ver ainda? Bem, agora você não desiste mais.

3 COMENTÁRIOS

  1. É um arco incrivel, onde sentimos raiva, tristeza e alegria, toda a historia da Bellemere, o papel de vilão pra ser odiado do Arlong (que cumpre perfeifamente), o monento de desespero da Nami, Luffy colocando o chapéu nela e gritando “É PRA JA” e eles partindo pro Arlong Park arrepia até hoje, é simplesmente um dos melhores momentos da historia dos animes… são tantos momentos que esse arco tem, a ideia de contarem a historia da Nami por ultimo (dos cinco de East Blue) foi uma jogada muito inteligente e funcional, pena a Toei enrolar um pouco com o Luffy ficando preso umas duas vezes, mas as outras lutas foram legais (minha favorita é a do Usopp mostrando ser bem inteligente).

    Mas um momento que é interessanfe destacar, é o Luffy não saber desse passado da Nami, o que da uma camada ainda mais pra cena do chapéu e ao personagem Luffy, pois o Luffy não quer seus companheiros pelo passado deles, mas sim por gostar deles pelo que ele conheceu no presente, e aquela dele vendo todos os mapas e imaginando tudo, o dialogo dele com o Arlong sobre “usar a Nami” foi incrivel, e aquela frase depois da luta com o Luffy dizendo “NAMI… VOCE É MINHA COMPANHEIRA” tem um efeito muito… mas muito alto, toda aquela construçâo e duvidas do pq a Nami odeia piratas, e do pq não queria ser companheira deles valeu muito a pena, é um fantastico que NUNCA sera esquecido.

    • Olha, você citou bastante coisa e não citou tudo, só isso já da o ar de grandiosidade desse arco, é tudo de bom e mostra tudo que Oda é capaz. Sem duvidas o melhor do East Blue!

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