LIGA DA JUSTIÇA – O GOVERNO – RESENHA

Em uma historia densa, a Liga da Justiça tem que lidar com dilemas políticos e sociais enquanto tenta salvar um Planeta vizinho.

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Capa da edição da Editora Panini

Título Original: Justice League “The Rule” (2018) 48-50 | Lançamento no Brasil: Maio/2021 (Liga da Justiça 05/50)
EditoraPanini | Número de Páginas: 96 | Preço: 20,90
Roteiro: Simon (Si) Spurrier | Arte: Aaron Lopresti | Tradução: Matheus Ornellas

SINOPSE DE LIGA DA JUSTIÇA – O GOVERNO

” Liga da Justiça – O Governo, nos apresenta Batman, Flash, Lanterna Verde, Mulher-Maravilha e Superman partem da Terra ao auxílio de uma nave-cargueiro à deriva no espaço e repleta de jovens alienígenas. Porém, ao tentar devolver as crianças a seu planeta natal, a Liga da Justiça se depara com uma situação do mais profundo terror. Uma situação complexa e que traz uma grande critica social.”

Ao lermos a premissa dessa HQ da Liga, já podemos notar que ela vai sair um pouco da “zona de conforto” dos títulos regulares de Super-Heróis. Simon Spurrier (Universo Sandman – Hellblazer, Star WarsDoutora Aphra) em Liga da Justiça – O Governo, nos conduz a uma história sobre como o heroísmo pode (ou não) influenciar todo um mundo. E quais os limites (ou não de novo) para a intervenção dos heróis.

DIPLOMATAS

O começo da história de Liga da Justiça – O Governo, é bem simples e segue basicamente o que vimos ali na premissa. Esta não é a primeira e nem a última vez que a Liga da Justiça vai interceder e ajudar em um resgate pelo universo. Porém, assim que eles encontram a nave a deriva e assim constatam que se tratam de crianças de um planeta desconhecido, a história já começa a dar o seu verdadeiro tom. Pois nessa ocasião a nave está sendo atacada por uma criatura, e a Liga se divide quanto ao que fazer com ela. Atacam, matam, ou tentam uma outra opção? Esse comecinho é importante, pois exatamente essas diferenças de opiniões e visões, serão os grandes catalisadores da trama.

Dito isso, quando eles de fato chegam ao planeta de origem das crianças, e os devolvem em segurança ao seu povo, a Liga é exaltada pelos nativos. Isso ocorre não apenas pelo fato do resgate dos pequenos, mas também porque o planeta passa por momentos de tensão e uma disputa sem fim entre dois povos que habitam o planeta. Os dois lados nutrem um ódio visceral pelo outro, que se estende a eras, causando assim um clima hostil a todo instante. E além disso, o planeta é governado a mão de ferro por sua Imperatriz, que simplesmente impõe regras severas para manter todos sob seu controle.

Quando o povo vê a Liga da Justiça descendo dos céus, enxergam neles seus deuses / salvadores, e que poderiam tirá-los desse cenário tortuoso. Quando a Liga recebe de fato essa proposta, surge o questionamento: a Liga da Justiça, deve (ou pode) assumir esse governo? E eis que o estopim da trama começa a explodir.

REIS OU HERÓIS?

Ao receberem essa proposta / pedido, para serem os regentes daquele Planeta, a Liga da Justiça se divide. Afinal diferentemente de encarar uma ameaça como Darkseid onde todos estão focados e o objetivo é bem mais simples, aqui as decisões são mais complexas. Todos da Liga tem um ponto de vista sobre o assunto, alguns deles acabam concordando em algum coisas e já em outras nem tanto. Batman, Flash e Lanterna opinam bastante e todos são bem relevantes para a história. Mas sem sombra de dúvida o foco maior fica entre a divergência de opiniões entre Superman e Mulher-Maravilha.

O Superman entende que eles devem assumir isso, afinal a Liga da Justiça tem que salvar e ajudar o máximo de vidas. E governar esse planeta tão necessitado, é neste momento uma dessas obrigações da do grupo. Já a Mulher-Maravilha discorda, diz que eles devem ajudar sim, mas sem governá-los. Uma vez que a Liga da Justiça não sabe nada sobre aquele planeta, incluindo seus costumes, culturas, geografia e tudo o mais. E que desta forma eles não poderiam impor suas visões a esse planeta.

O roteiro de Spurrier acerta em cheio ao levar essas discussões, de como deve funcionar um governo, e em questionar até onde os heróis podem / devem intervir. Seria soberba dos heróis da Liga tentarem segurar as rédeas de um planeta que mal conhecem? Ou realmente eles não podem negar esse pedido de um povo tão desamparado? A forma como isso é conduzido durante Liga da Justiça – O Governo é muito interessante. Já que, ela o faz de uma forma que não fique tão maniqueísta, e assim gerando ótimos diálogos e questionamentos sobre esses diversos pontos de vista.

EXEMPLO OU COMANDO?

Quando a história abrange com mais afinco essa discussão, a obra ganha muito em qualidade e relevância. Porque esse é um assunto que acontece o tempo todo no nosso mundo. Em meio aos embates sobre que decisão a Liga deve ou não tomar, Superman e Mulher-maravilha vão tentando entender um pouco mais desse mundo. E ao mesmo tempo, outros acontecimentos ocorrem em paralelo (envolvendo o planeta e um povo inimigo) vão fomentando ainda mais esse dilema.

E mais uma vez, vale ressaltar a habilidade de Spurrier em trazer um assunto desse tipo para uma HQ de super-herói e tratar disso tão bem, sem deixar isso piegas ou panfletário. Realmente os diálogos entre a Mulher-Maravilha e Superman, e dela com o Batman, trazem momentos realmente relevantes, e que agregam demais a leitura. A história de Liga da Justiça – O Governo , tem sim sua parte de ação, luta contra algumas ameaças que vão surgindo (e que contam com uma bela arte de Lopresti, que combina demais com o clima da história), mas a verdadeira luta, são os dilemas e valores desses super-heróis.

E durante o desenrolar da trama, é muito legal poder ver o planeta e seu povo nos sendo apresentado, e assim junto com a Liga, vamos tentando entender os porquês de seus dois povos se odiarem tanto, ou a razão pela qual a Imperatriz a governava pela força ao invés do exemplo. E principalmente, qual seria a solução pra isso?

LIGA DA JUSTIÇA – O GOVERNO, VALE A PENA?

Em meio a tantas revistas mensais de super-heróis que muitas vezes não saem da “mesmisse”, é uma grata surpresa que essa edição 05/50 da Liga da Justiça, publicada aqui no Brasil pela Panini tenha uma história tão legal e relevante. Após a saída de Scott Snyder que era quem estava escrevendo a fase anterior da Liga, o título carecia de uma história marcante. E em Liga da Justiça – O Governo, sem sombra de dúvidas é uma história que vale a pena ler e ser comentada.

Infelizmente por ter saído em um título mensal, dentro da publicação regular (e não em um encadernado, ou minissérie) é bem capaz que essa seja uma história que pouca gente acabe lendo. O que é uma pena, dada a qualidade do título. E outro ponto positivo, é que o leitor que se interessar, pode ler tranquilamente apenas esse número / edição. Já que é uma história fechada e que não requer grande base de cronologia para poder apreciar a obra.

É muito satisfatório ler um material assim, que se arrisque um pouco mais e traga uma história tão bacana. Impossível ler e não traçar em paralelos com a nossa realidade. Povos que simplesmente se odeiam porque sempre foi assim, mas eles mesmos não sabem o porque disso. E o quão tênue podem ser os pontos de vista sobre um mesmo assunto. Nos mostrando o porque é tão importante o diálogo e principalmente saber escutar os outros e tentar entender o cenário como um todo. Como disse a Mulher-Maravilha: ” Porque o medo e a ignorância não são nada contra a esperança e a curiosidade“.


E aí meu caro(a) leitor(a) do Meta Galáxia, espero que vocês tenham gostado da resenha. Liga da Justiça – O Governo, foi uma leitura realmente surpreendente. Por ser pouco comentada, quase passou batido por aqui, mas ainda bem que deu tempo de ler um quadrinho tão legal. Recomendação total. Até o próximo post e forte abraço!

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