LIGA DA JUSTIÇA – O JARDIM DA CLEMÊNCIA – RESENHA

Jeff Loveness coloca a Liga da Justiça em uma história mais introspectiva ao confrontarem os seus próprios desejos

47
Título Original: Justice League “The Garden Of Mercy” (2018) 51-52 | Lançamento no Brasil: Junho/2021 (Liga da Justiça 06/51)
EditoraPanini | Número de Páginas: 96 | Preço: 20,90
Roteiro: Jeff Loveness | Arte: Robson Rocha | Tradução: Matheus Ornellas

SINOPSE DE LIGA DA JUSTIÇA – O JARDIM DA CLEMÊNCIA

A Liga da Justiça (Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna verde) cai no mundo natal da Clemência Negra e se torna vítima da ameaça psicológica mais poderosa que já enfrentou! Uma flor é suficiente para incapacitar até mesmo o herói mais forte, com um planeta inteiro cheio delas, os heróis devem fortalecer suas mentes ou sucumbir aos efeitos devastadores das plantas.”

A premissa de Liga da Justiça – O Jardim da Clemência, coloca os heróis mais uma vez em um conflito que vai além dos combates aos super vilões. Nesta história veremos os heróis enfrentando os seus mais profundos desejos e o quanto isso pode afetar a própria realidade.

CLEMÊNCIA NEGRA

Após salvarem o dia no arco anterior “O Governo“, a Liga da Justiça acaba caindo no planeta natal da planta / parasita, Clemência Negra. Mas o que é exatamente esta planta? Em uma história clássica do Superman, intitulada “Para o Homem que Tem Tudo” (escrita pelo mestre Alan Moore e desenha por Dave Gibbons) podemos ver o poder da planta. Na trama mencionada é aniversário do Superman, e assim Batman, Robin e Mulher-Maravilha vão até a Fortaleza da Solidão, para lhe fazer uma surpresa e presentear o amigo.

Porém, ao chegarem, encontram o Superman com uma planta fincada em seu peito, e ele entra em um estado de “sonho”. A Clemência Negra se alimenta da essência do individuo, e assim lhe faz viver em um mundo de sonho, que seria o seu grande desejo. Na ocasião, o Superman ficou em preso em uma realidade onde o Planeta Krypton não havia explodido, e ele levava uma vida normal, com esposa e filho.

Ou seja, em Liga da Justiça – O Jardim da Clemência, os heróis terão que superar seus maiores desejos se não quiserem sucumbir as tentações impostas pela planta parasita.

SONHO E REALIDADE

Jeff Loveness então começa a trabalhar com a narrativa questionando o papel dos heróis, em especial trabalhando a figura do Batman. Quando os heróis são tragados para o Planeta por seus desejos dormentes, eles passam a se questionar qual o real papel deles e como isso afeta a si próprios e daqueles mais próximos.

Qual seria o intuito de lutar todos os dias, se parece que as ameaças nunca acabam? E no meio desses pensamentos, podemos vislumbrar esses exemplos pela Trindade da DC. Superman, Mulher-Maravilha e Batmam repensam seus papéis. Será que eles estão de fato salvando o mundo? inspirando outros a lutarem pelo bem e a justiça? Ou simplesmente estão tragando todos para dentro de suas tragédias pessoais?

Conforme a Clemência Negra começa a operar, mais e mais desses pensamentos começam a fluir pelas mentes da Liga. E a cada instante, fica mais tentador ser feliz com a realização desses desejos. Dado todo esse contexto, como fazer para se desvencilhar dessa ilusão (que é tão real) e voltar ao presente?

EXISTE UM FINAL FELIZ?

Utilizando a figura do Batman a partir da metade da história, temos a exploração dos desejos de Bruce Wayne. A narrativa mais intimista entra em uma longa conversa de Bruce com a sua então falecida mãe, Martha Wayne. E novamente os pensamentos sobre suas ações, assim como as ramificações de novas possibilidades lhe são ofertados.

Inevitavelmente surgem inúmeros questionamentos, sobre o que ele de fato poderia fazer. Será que o combate ao crime, se fantasiando de morcego, foi a melhor alternativa para ele e Gotham? Ou ele poderia fazer muito mais como um empresário, cuidando da cidade e sendo necessário em outras decisões, como projetos sociais?

Loveness trabalha bem esse conceito e essa reflexão, utilizando a figura de Bruce. Pois realmente, isso se aplica não apenas aos heróis, mas a qualquer pessoa que está batalhando por algo. Dias, semanas, meses ou anos em um objetivo. Será que somos livres dentro desse contexto? E o mais importante: isso realmente está nos fazendo bem ,em busca desse “sonho”?

Liga da Justiça – O Jardim da Clemência, vale a pena?

Com um bom roteiro de Jeff Loveness e uma arte espetacular do brasileiro Robson Rocha (que infelizmente nos deixou recentemente, vitima da COVID), da Justiça – O Jardim da Clemência é uma boa história. Não chega a ser uma obra-prima, porém cumpre muito bem o seu papel. Por ter sido concebida em apenas duas partes (edições 51-52) talvez tenha faltado mais “tempo” para alguns aprofundamentos.

Pois a história em si estava bem interessante, e ficou aquele gostinho de ver mais essa abordagem que tivemos com o Batman, aplicada aos demais heróis. Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde, quais seriam os seus maiores desejos e como eles resolveriam essas questões? Essa seria a única ressalva quanto a história, talvez ela ser curta demais.

Em suas páginas finais, há uma diálogo muito bom entre Batman e Superman, onde os dois expõe um pouco dessa experiência. Entre sonhos e realidade, fica a reflexão de que, podemos tornar alcançar nossos objetivos, mesmo que isso leve tempo e esforço. Podemos nos permitir mudar e sonhar, até que isso de fato ocorra, e assim, a nossa realidade já seja o sonho em si.


E aí meu caro(a) leitor(a) do Meta Galáxia, espero que vocês tenham gostado da resenha. Liga da Justiça – o Jardim da Clemência Negra, foi uma leitura bem bacana de se fazer. Assim como o arco anterior que comentamos, é bom quando nos deparamos com uma história assim dentro de uma revista mensal. Mesmo não sendo uma história perfeita, vale a leitura. Até o próximo post e forte abraço!

Clique aqui para mais resenhas de quadrinhos no Meta Galáxia!

Jeff Loveness coloca a Liga da Justiça em uma história mais introspectiva ao confrontarem os seus próprios desejos

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here