Falcão e o Soldado Invernal (Disney+) – Resenha

O legado do Capitão América está mais vivo do que nunca

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WandaVision deu o pontapé inicial da fase 4 do MCU na Disney+, onde se desenvolverão as minisséries que darão margem aos novos filmes da Marvel. Se a série estrelada por Visão e Wanda marcou pela originalidade, Falcão e o Soldado Invernal se firma como uma obra tão poderosa quanto os melhores filmes do MCU, resgatando a formidável ação e desenvolvimento de personagens já queridos pelos fãs.

A trama se segue logo após os eventos de Vingadores: Ultimato, trazendo como protagonistas Sam Wilson, o Falcão (Anthony Mackie) e Bucky Barnes, o Soldado Invernal (Sebastian Stan). Após a partida de Steve Rogers, Sam ficou com a responsabilidade sobre o escudo do Capitão América e, consequentemente, seu legado. O Falcão, contrariando o que Steve esperava – e Bucky também – delega o destino do escudo ao governo americano, julgando-se não preparado para carregar este fardo e preferindo focar-se em suas questões familiares.

Bucky, por sua vez, após a batalha com Thanos e o exílio em Wakanda, volta aos Estados Unidos buscando a redenção por seus crimes como Soldado Invernal, mas lida com constantes pesadelos e a sensação de insuficiência quanto a capacidade de se perdoar. Seu caminho e o de Sam se cruzam novamente, e os dois maiores aliados do Capitão América lutam juntos em uma empreitada contra um grupo de apátridas dotados de supersoro denominados “The Flag Smashers”, movimento este iniciado por Karli Morgenthau (Erin Kellyman), reunindo os excluídos pelo Conselho Global de Nações após o blip (o estalo de Thanos), com o objetivo de propagar um mundo sem fronteiras e com mais igualdade de recursos.

Sam, ao entregar o escudo ao governo americano, não imaginou que daria aos EUA o poder de eleger um substituto ao Capitão América. Para isso, foi escolhido o condecorado soldado John Walker (Wyatt Russell), acompanhado de seu fiel escudeiro Lemar Hoskins, o Battlestar (Clé Bennet). Walker e Hoskins também entram em conflito com os Flag Smashers, mas divergem da conduta adotada por Sam e Bucky – que, por sua vez, também repudiam um novo sucessor de Steve Rogers.

A trama, portanto, gira essencialmente sobre o legado de Steve e como (e se) ele deveria ser conduzido por Sam e Bucky. Porém, debruça-se sobre uma série de questões pessoais dos personagens e conflitos de cunho social e político que permeiam toda narrativa.

Sobre fronteiras e representatividade

Falcão e o Soldado Invernal é uma série de ação – e é perfeita e fantástica nesse quesito – mas seria apenas uma excelente série de super-herói se não tivesse como pano de fundo temas tão relevantes e bem adaptados ao roteiro no desenvolvimento da trama em si e de seus personagens.

Sam e Bucky dividem o protagonismo da série, é fato, mas é o Falcão quem carrega o fardo de Steve Rogers e que tem, em dado momento, o poder de assumir o manto do Capitão. Quando opta por não faze-lo, a resposta dos Estados Unidos é clara: precisam de um substituto de Steve Rogers que espelhe a imagem (física) dele – um homem loiro, de olhos e pele clara, símbolo de décadas de um padrão estadunidense, ainda que esta pessoa sequer seja um Vingador.

Ao descobrir a existência de um supersoldado negro idoso (Isaiah Bradley) escondido no gueto – que poderia ter sido um substituto de Rogers após a Segunda Guerra -, Sam compreende que sempre foi, aos olhos do governo e mesmo da grande massa, inaceitável um herói negro representar o maior símbolo heróico dos Estados Unidos, cujo racismo está enraizado nas mais diferentes nuances. Mas é o mesmo Sam, também, que possui ainda uma chance de mudar esta cultura – o que exigiria dele uma coragem muito maior do que enfrentar Thanos ou qualquer outra ameaça à humanidade.

A presença dos Flag Smashers como antagonistas na trama também é interessante. Embora o contexto exibido seja extremo – o blip causado por Thanos é algo sem precedentes na história da humanidade -, a discussão da qual se origina o grupo liderado por Karli traça um claro paralelo às questões do mundo real sobre refugiados de guerra e quais políticas são direcionadas a estas pessoas – políticas estas, por sua vez, coordenadas especialmente pelos países responsáveis pela miséria e condições de abandono as quais estes refugiados e imigrantes acabam submetidos.

Tais questões não são extremamente aprofundadas, mas são suficientemente tratadas para dar um contexto verossímil às motivações dos personagens e suas causas – que não representam necessariamente bem ou mal, mas pontos de divergência. E são também suficientes para que Sam, um personagem até então de segundo escalão no MCU, ganhe um protagonismo contundente, aliado a um carisma que já era nato e é, agora, ainda melhor desenvolvido pela atuação fabulosa de Anthony Mackie.

Falcão e o Soldado Invernal é o Capitão América 3.5

Podemos fazer essa afirmação por duas seguintes condições: a vitalidade da trama para a sequência do Capitão América e seu universo dentro do MCU, e a qualidade cinematográfica que de fato a série possui. Cada um de seus seis episódios parecem nos colocar diante das telonas do cinema, assistindo uma obra frenética, cativante, repleta de reviravoltas e com lutas e efeitos especiais de tirar o fôlego. Coreografias, trilha sonora, fotografia e atuações são um verdadeiro espetáculo e compõem uma obra tecnicamente sem defeitos.

A série também nos apresenta (e reapresenta) a uma gama de personagens que serão importantes para a fase 4 dos estúdios Marvel – como a triunfal volta do Barão Zemo (Daniel Brühl), Sharon Carter (Emily VanCamp) e figuras que, nos quadrinhos, tornam-se futuros heróis e jovens vingadores, como Eli Bradley e Joaquin Torres. É, portanto, um capítulo extremamente importante do MCU e conectado de forma central às futuras séries e longas que serão produzidos pela Marvel/Disney.

Falcão e o Soldado Invernal é uma série indispensável. Está disponível no Disney+.

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ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Falcão e o Soldado Invernal

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