Spinning Out (Netflix – 1ª Temporada) – Resenha

Uma das melhores séries da Netflix, que quase ninguém viu...

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Spinning Out (ou simplesmente Spin Out) é uma serie da Netflix que foi criada por Samantha Stratton. Spinning Out teve sua estreia no início de 2020, mais precisamente em 01 de Janeiro e contou com 10 episódios. A série chegou em 2020 como uma das grandes surpresas dentre as novas séries do catálogo da Netflix. Porém, surpresa mesmo foi que após pouco tempo do seu lançamento, Spinning Out foi cancelada ainda em sua 1ª Temporada. Mesmo com esse triste status, vamos falar dessa série, e do porque você deve dar uma chance a ela, e quem sabe em algum momento, a Netflix volte atrás nessa decisão.

A Premissa de Spinning Out

Kate Baker, a protagonista de Spinning Out

Spinning Out é uma série que tem como pilar central (ou pelo menos inicial), as competições de patinação no gelo. Dentro desse cenário temos Kat Baker (interpretada pela britânica-brasileira Kaya Scodelario) que é a protagonista da série. Ela já foi tida como um grande talento da patinação, sendo considerada por muitos como uma prodígio. Porém, certo dia, Kat acaba se acidentando em uma competição ao tentar executar um movimento. Hoje, Kat trabalha como garçonete em um bar e seguiu com a vida. Mas os fantasmas do passado e sua paixão pela patinação ainda estão dentro de si.

E quando falamos dos fantasmas do passado ou traumas, eles realmente são muito importantes para se entender o status atual de Kat e dos demais personagens que a cercam. Spinning Out parte daqui para explorar muitos outros temas além do esporte e das competições de patinação do gelo. A série tem um lado dramático muito bem trabalhado, e aborda diversos pontos como: bipolaridade, depressão, abuso, traumas, superação, cobrança e etc. Tudo bem desenvolvido e pontuado, sem soar gratuito apenas para chocar o expectador.

O Desenvolvimento da Trama e dos Personagens de Spinning Out

Já falamos uma prévia de Kat, por conta dela ser a nossa protagonista. E apesar disso, Spinning Out não foca apenas nela, e conta com personagens secundários muito, mas muito bem trabalhados. Vamos falar um pouco deles e em como eles acrescentam à trama, assim podendo desenvolver diversos tópicos ao mesmo tempo, mas sem perder o foco e a qualidade.

Carol Baker de Spinning Out

Kat Baker é filha de Carol Baker (January Jones) que no passado também teve uma carreira promissora na patinação. Porém Carol teve que interromper sua carreira devido alguns acontecimentos (não vamos entregar o que são, para não estragar a surpresa) e isso sempre a frustou muito. Além do sentimento de algo inacabado em relação ao sonho de ser uma atleta olímpica, Carol possui bipolaridade. Juntando tudo isso, a relação de Kat e Carol é muito conturbada, sempre permeada por brigas e cobranças, uma vez que Carol enxergava em Kat a “sua” chance de se tornar a patinadora que ela nunca conseguiu ser.

Serena Baker

Para completara “casa”, temos Serena Baker (Willow Shields) a irmã mais nova de Kat. As irmãs se dão bem, porém em certos conflitos envolvendo Carol, as duas tomam partidos distintos, uma vez que Carol vê em Serena sua última chance de ter sucesso na patinação, uma vez que, hoje Kat está fora dos ringues e trabalha como garçonete. Spinning Out trabalha de maneira muito concisa os dramas familiares dessas três personagens, lidando com rejeição, cobrança, pressão e o fato da bipolaridade é muito bem retratado aqui, mostrando o quão sério o assunto é, e os seus desdobramentos.

Marcus Holmes, de Spinning Out

Kat trabalha no bar com seu amigo Marcus Holmes (Mitchell Edwards) que além de ser seu chefe, nutre algo a mais pela protagonista. No comecinho, parece que Marcus vai ser um mero coadjuvante, mas conforme a trama da série avança, ele ganha um papel bem relevante que traz consigo muitas discussões sobre escolhas de carreira, sonhos, e até situações de racismo e desigualdades sociais dentro de alguns âmbitos. Ponto pra série que soube aproveitar bem o personagem e o fez ter importância para o desenrolar da trama.

Jenn Yu, a melhor amiga de Kate. Spinning Out

Não podemos deixar de citar uma das personagens mais interessantes de Spinning Out, que é a melhor amiga de Kat, Jenn Yu (Amanda Zhou). Elas se conhecem desde a infância, quando acabaram competindo uma contra a outra. De adversárias à amigas, as duas desenvolvem um genuíno laço. É Jenn que sempre apoia Kat nos momentos de maior dificuldade e a pessoa responsável pelas piadas, por tentar levantar o alto astral de quem a cerca.

Assim como Marcus, em determinado momento, Jenn acaba tendo o seu momento, mostrando mais da personagem, assim visualizamos alguns detalhes do seu passado e sua luta interna contra um problema físico. Assim como Kat, ela também lida com a pressão de ser a atleta perfeita para sua família, pois esse é seu sonho e o de todos. Ela tem extrema relevância na trama, ainda mais quando um segredo de Kat é revelado e assim a amizade delas é posta a prova.

Justin Davis, o playboy / mala  que no fundo não é tão ruim assim. Spinning Out

Por fim, não poderia faltar Justin Davis (Evan Roderick), o playboy, mimado e garanhão de Spinning Out. Ao falar dessa maneira soa genérico, mas é como o personagem acaba sendo apresentado no início da trama. Porém, logo percebemos que apesar de todas as mordomias que tem, Justin leva muito à sério quando o assunto é patinação. Aos poucos a imagem de mala sem alça acaba dando espaço para outros detalhes do personagem, assim nos mostrando que ele não é tão vazio assim.

Devido a um trauma na sua família (o núcleo familiar dele é bem importante pro decorrer da série) Justin acaba agindo de forma a se proteger, ao não se abrir com ninguém. Assim construindo relações vazias e sem importância. Quando ele conhece Kat, ambos enxergam um no outro, uma chance de se recuperarem na patinação no gelo, e as poucos a parceria no esporte acaba ganhando outros contornos. Falando assim, é a coisa mais clichê que têm no que se diz respeito ao desenvolver um romance. Mas a coisa tem mais detalhes do que parece, e a relação dos personagens é mais complexa do aparenta. Não é bem um felizes para sempre a todo instante. Existem assuntos muito delicados que são tratados aqui.

A Produção e atuações de Spinning Out

Kate em Spinning Out

Além das diversas qualidades citadas acima, Spinning Out conta com uma produção caprichada. As cenas de patinação no gelo são incríveis. As tomadas de câmera (aliadas a trilhas sonoras certeiras), mostram os movimentos e expressões dos personagens muito bem acertados. Principalmente naqueles movimentos de maior dificuldade, onde notamos todo o esforço físico mas também mental / emocional para se conseguir executar tal ato com exito. Além disso a fotografia ajuda bastante a colaborar para a trama, sempre buscando mostrar os detalhes, como olhares, sorrisos que por menores que sejam, fazem toda a diferença. E as cores frias ajudam a contribuir para demonstrar o clima de tensão que permeia a série.

Além da parte técnica, as atuações dos atores também merecem destaque. Pois como dissemos acima, a série além da parte do esporte conta com cenas dramáticas de impacto, que sem a entrega dos atores, não teriam o mesmo resultado. Destaque para January Jones e Kaya Scodelario, que arrebentam nessa entrega ao vivenciarem os conflitos entre mãe e filha, e principalmente o conflito consigo mesmas e seus demônios.

Spinning Out, Vale a Pena? Se vale, por que foi cancelada?

Spin Out

Spinning Out é uma série que beira a perfeição nessa primeira temporada. Pois ela sabe abordar muitos temas delicados e espinhosos com sutileza. Ou seja, aborda de maneira consciente sem deixar de dar a devida importância ao tema, e também ao não banalizar. E para se chegar nessas discussões trabalha de forma muito inteligente seus personagens, fazendo com que todos acabem tendo suas próprias nuances, de tal forma que não fiquem presos a protagonista e assim alcem seus próprios voos. É muito bom ver quando os personagens não ficam presos aos esteriótipos clássicos, eles não ficam estagnados na bidimensionalidade, assim se tornando mais palpáveis ao público. Citamos alguns dos principais personagens acima, porém, a série não se limita a eles. Ainda temos alguns outros que surpreendem, como os treinadores: Dasha Fedorova e Micth Sunders.

Mas se a série é tão boa, por que ela foi cancelada? Ela não tem defeitos? Defeitos ela tem sim, tem algumas passagens durante os episódios que são meio “repentinos” e soam estranho do decorrer da trama. Porém, as qualidade de Spinning Out são imensamente superiores que acabam deixando esses detalhes quase irrelevantes. De verdade, você acaba aceitando e segue em frente. Agora por que do cancelamento da série? Sinceramente, não consigo entender. Deve ter sido por não atingir o número de público que tinha sido traçado como meta, e assim ela não passou na “peneira”. Acredito que infelizmente tenha sido por esse motivo. Spinning Out deve ter competido com outras séries / filmes que estrearam ao mesmo tempo, e com isso deve ter ficado sem o “holofote” necessário para ser renovada. Uma pena. Pois se formos falar de qualidade, a série já deveria ter sido renovada automaticamente.

Spinning Out – Conclusão

Kate e Justin - Spinning Out

Em suma, Spinning Out é sem dúvida uma das melhores estreias de 2020 no que tange a séries num contexto geral e um dos melhores títulos disponíveis no catalogo da Netflix. A série teve uma qualidade absurda ao conseguir tratar de tanta coisa ao mesmo tempo durante seus 10 episódios. Spinning Out acabou passando batida por muita gente, justamente por saberem que ela foi cancelada com apenas uma temporada, assim dando a ideia que é uma obra “ruim”, e de baixa qualidade. Não se enganem, se tem uma série que vale o voto e o tempo de vocês, é Spinning Out. E com isso, quem sabe por um milagre, anunciem uma segunda temporada.

Afinal de contas, o mundo precisa disso, ainda mais com o gancho deixado no último episódio. Então reforço mais uma vez: SALVEM SPINNING OUT!

Bem, vamos ficando por aqui. Para mais matérias / resenhas de séries clique aqui! Quem sabe em um futuro assim não tão distante, possamos falar da segunda temporada de Spinning Out.

Análise Crítica
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