Afinal, Fillers são realmente um grande problema? | Análise

Existe uma antiga discussão na Internet sobre os famigerados episódios fillers dos animes. Num geral, são episódios nada a ver com nada que agregam zero conteúdo para a história original. No entanto, os fillers têm mais por trás do que simplesmente enrolar e servem para algumas estratégias. Vamos discutir hoje as funções deste tipo de episódio e se eles realmente são um grande problema.

O que são fillers?

Para começo de conversa, é bom especificar o que consideraremos filler neste post. Em resumo, qualquer conteúdo que não faça parte da obra original em nenhum aspecto. Não considerarei extensões comum de cenas, como golpes extras em lutas, por exemplo, mas falarei deste tipo de coisa. Filler, portanto, será qualquer episódio que fuja do plot principal. Normalmente, este tipo de episódio serve para garantir que o manga não será alcançado pelo anime, deixando os produtores do anime sem conteúdo para adaptar. As vezes, são usados para especiais, resumos, recapitulações, etc.


Em One Piece, por exemplo, temos arcos fillers que servem de prólogo para os filmes do Novo Mundo do anime. Com isso, estes episódios fogem totalmente ao que está ocorrendo no momento, interrompendo o arco vigente. Existe esta diferença entre os fillers, onde alguns tentam se encaixar na cronologia principal, enquanto outros simplesmente acontecem sem dar muitas explicações. Alguém lembra daquele Naruto Mecha em pleno clímax do anime? Pois é, este tipo é o que interrompe a história.

Mas e ai, são um problema ou não?

Sim, a resposta é bem simples e direta: depende. Não é tão simples. Vivemos um momento onde animes como os clássicos Dragon Ball, Naruto, One Piece, Bleach e Fairy Tail não existem mais. Num geral, os animes começaram a funcionar de forma semelhante ao sistema dos seriados, por temporada ao invés de semanal.

Tal sistema aumentou consideravelmente a oferta de conteúdos de animes no Japão, onde tal divisão permite que muito mais animes sejam lançados por ano. A depender do sucesso ou não, alguns nunca veem sua segunda temporada sendo lançada, enquanto outros vão até o fim. Desta maneira, não há necessidade de fillers.

Estes animes lançados por temporada, portanto, não necessitam dos fillers. Se houver, é só para enrolar e inchar a história, sendo obviamente algo negativo. Há exceções, como histórias que o autor original não conseguiu encaixar em sua história original ou pensou depois. Mas são casos raríssimos. Também, nestes casos, há chance de desfigurar a obra original e é bem arriscado.

Indo ao que interessa

Cá entre nós, você só está lendo este texto ainda por causa de Naruto. Eu sei que você já fez alguma piada sobre os fillers do anime. Porém, estou aqui para defender esta prática. Recentemente, no anime de One Piece, presenciei uma cena terrível. Durante um ataque de Luffy contra Kaidou, passamos uma quantidade enorme de tempo acompanhando uma única e repetitiva sequência de socos. Tal cena dura um tempo absurdo, ao ponto de ser irritante. A partir de que ponto passa a valer mais a pena isso do que um episódio filler?

A estratégia da Toei, usada também em Dragon Ball lá atrás, evita filler. O motivo é obvio: evitar a fuga da audiência. Afinal, hoje é simples, se começar um arco filler, é só parar de assistir e voltar quando o anime voltar à história principal. Mas, para isso, a empresa acaba sacrificando o ritmo de sua história. Neste caso, é muito mais aceitável adicionar um arco filler de uns dez episódios e então retornar com a história em um ritmo muito mais agradável.

Naruto é injustiçado?

Naruto possui muitos fillers, mas quando se dedica a seu plot canônico, é até bastante dinâmico. Após o fim da fase clássica do mangá, temos uma grande quantidade de fillers que adiam a entrada na fase Shippuden do anime. Todavia, isso permite um dinamismo um pouco maior quando o anime retorna. Isso evita que o anime passe pelas clássicas cenas onde os personagens ficam se encarando por mais de um minuto de forma estática. A trilha sonora de fundo e o movimento de câmera tentam passar uma falsa sensação de progresso e movimento, que sabemos não estar ocorrendo.

Em Dragon Ball, por exemplo, os personagens passam longas cenas gritando ou em um clash infinito de golpes. O mesmo está ocorrendo em One Piece, e também ocorria em Naruto, mas em menor escala devido aos fillers. Desta forma, por mais chato que alguns fillers sejam, muitas vezes eles são um sacrificio necessário para que, quando o anime abordar o mangá novamente, ele evite este tipo de coisa.

O que é melhor?

Bom, ai entra a questão pessoal. Eu, particularmente, acho que uma pausa seria o ideal. Mas sabemos que a Toei não vai largar o osso de One Piece. Desta forma, os fillers acabam sendo uma solução mais efetiva do que o inchaço da história principal. É claro que nem sempre eles são usados de forma positiva, afinal, não é porque se trata de um filler que a história precisa ser ruim. Temos bons exemplos deste tipo de episódio e até mesmo arcos bons, como a Ilha Arco-íris em One Piece. O episódio em que tentam ver por baixo da mascará do Kakashi é um bom exemplo em Naruto.

Se tratando de universos vastos, não há justificativa para não criar uma história minimamente agradável durante esta “enrolação”. Há usos desnecessários, como os “sonhos” dos personagens no Tsukuyomi infinito do Madara. Naquele altura do anime, o manga já havia se encerrado. No manga, os sonhos são mostrados brevemente, com no máximo um quadro pra cada personagem, enquanto no anime eles ganham episódios inteiros.

Em Conclusão

A resposta mais obvia, como eu disse antes, se trata de pausar a produção para dar tempo do manga avançar. Mas, na ausência comercial desta possibilidade, os fillers surgem como a melhor solução. A curto prazo, pode ser irritante acompanhar um manga semanalmente e ser interrompido por fillers. Todavia, para quem acompanha após, existe a possibilidade de pular este tipo de episódio e acompanhar de forma dinâmica os episódios canônicos. Já no caso da enrolação das cenas, como vem ocorrendo com One Piece, há a falsa sensação de progresso, que prejudica não só a visão de quem acompanha semanalmente, mas de quem virá a assistir o anime.

E você, prefere um filler ou que as cenas sejam aumentadas e tenham um ritmo mais lento para matar tempo?

Quem quiser saber quem sou, olha para o céu azul...Amante de infinitas coisas, desde animes, games, filmes, séries, música, futebol, literatura...Toda e qualquer uma dessas artes, mas, principalmente, a escrita, que torna minhas palavras imortais igual ao meu tricolor!

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