Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa – Resenha (Com Spoilers)

Épico, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa abraça os fãs do Teioso e redefine o Spider de Tom Holland

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, poster com Spider Man e o Doutor Estranho

Certamente o blockbuster mais esperado de 2021 e, até o momento, o título de maior peso da nova fase do MCU, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa gerou expectativas gigantescas e um hype tremendo nas redes sociais – justificado também pela promoção da própria Marvel e o forte engajamento do próprio elenco e fãs com a obra.

O primeiro trailer e uma série de burburinhos fizeram o filme ganhar uma enorme audiência antes mesmo de sequer chegar próximo aos cinemas: redes como o Twitter trendaram dias a fio a possibilidade da aparição dos Homem-Aranha anteriores (Tobey Maguire e Andrew Garfield), entre outros personagens do MCU. Só nos últimos sete dias, a hashtag #SpiderManNoWayHome alcançou ao menos 2.2MI de usuários, segundo a plataforma BrandMentions.


Tom Holland em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Mas o que justifica tamanho hype? Bem, nosso querido “Miranha”, como é carinhosamente chamado pelos fãs no Brasil, é possivelmente o herói mais popular da Marvel. E, até o segundo filme do herói após sua estreia no MCU, o Spider de Tom Holland ainda não havia se tornado unanimidade. Criou-se, então, uma expectativa de amadurecimento do personagem e seu universo dentro da franquia – além dos claros sinais que já eram apontados sobre ele como um filme extremamente importante para o Multiverso Marvel.

Então bora falar sobre ele! Importante relembrar: este post contém spoilers. Inclusive, se você é daqueles que não se importam e, aliás, prefere saber tudo sobre o filme antes, confira nosso post com todos os spoilers de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa.

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Sinopse

Aranha escapa com MJ pelos céus da cidade

Após ter sua identidade revelada por Mysterio, a vida de Peter Parker (Tom Holland) se torna um verdadeiro inferno. Embora sua popularidade cresça imensamente e ganhe uma legião de admiradores, ele acaba por atrair uma horda de haters e perseguidores, que o consideram culpado pela morte de Mysterio – que, para o grande público, morreu como herói. Além disso, a imprensa em geral cria em sua imagem certo terrorismo, inflamado especialmente por pessoas como J.J. Jameson (J.K. Simmons).

Mas para Peter, o pior de sua exposição pública não é afetá-lo, e sim às pessoas próximas a ele – a Tia May (Marisa Tomei), Ned (Jacob Batalon) e, principalmente, MJ (Zendaya), sua namorada. A rejeição majoritária à figura de Peter Parker e o Homem-Aranha começa a afetar estas pessoas, como quando MJ e Ned são reprovados na faculdade somente por estarem junto a Parker. Peter também entende que, com sua identidade pública, o futuro do Homem-Aranha está fatalmente comprometido.

Diante da situação, Peter procura Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), pedindo para que o Doutor Estranho o ajude: voltando no tempo e fazendo com que sua revelação nunca tenha acontecido. Stephen afirma que isto não é possível, mas, com dó de Peter – e a contragosto de Wang – sugere um feitiço que fará com que as pessoas esqueçam que Parker é o Aranha.

Quando tudo se encaminhava para a realização do feitiço, Peter sugere exceções – que as pessoas próximas a ele não esqueçam. Com essa intromissão, Stephen volta atrás no peido, mas, até aí, já é tarde: a intromissão de Parker tem um efeito reverso e não somente as pessoas desta dimensão sabem quem ele é, mas todos aqueles que sabem que é Peter Parker – neste e em outros mundos – virão em seu encalço.

A única pedra no sapato – ou melhor, na teia

Strange e Spider entram em conflito

Há muita, mas muita coisa positiva a se falar de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. Então é mais fácil falar primeiro dos únicos problemas relevantes que o filme apresenta (e que, ainda assim, não foram suficientes para este que vos fala baixar a nota do longa).

Talvez o maior embaraço deste filme seja, justamente, a sequência que se dá quanto ao feitiço de Strange: o atrapalhado e falastrão Peter provoca uma falha de uma maneira que parece um pouco forçada e boba – ainda que o Aranha de Holland, naturalmente, seja mesmo um pouco mais pateta.

Esta é, basicamente, a última cena do primeiro arco do filme – que também explora pouco o drama da revelação da identidade de Parker, especialmente em relação ao próprio. Salvo isso, tudo o que vem depois é uma verdadeira redenção – e porque não, renascimento para o Homem-Aranha do MCU.

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é a verdadeira origem do Spider de Holland

Aranha tenta evitar uma bomba disparada pelo Duende Verde

A trilogia do MCU fez um ótimo joguete com os títulos dos três filmes – que ficaram muito bem adaptados para o português, inclusive – e para este terceiro, a escolha não poderia ter sido mais apropriada. Sem Volta Para Casa pode ser lido de várias formas, mas, justo dizer, é uma sentença que define o futuro deste Aranha de Tom Holland: o que aconteceu nos dois filmes anteriores ficou para trás e, felizmente, não há mais volta.

A chegada dos vilões do multiverso – aliás, muito bem escolhidos para este filme – mudam definitivamente a vida do Parker (e Aranha de Holland). Peter, o mais ingênuo de todos os Aranhas até aqui, finalmente se depara com a crueldade e a verdadeira vilania. Perde a pessoa que o criou, sua referência; precisa abandonar sua identidade. Ele precisa crescer, fazer escolhas sem volta, definitivas,. E, portanto, cresce.

O sofrimento pelo qual Parker passa – e conhece na pele – é diferente da vilania de Thanos e a Guerra Infinita. Aquilo estava em outra atmosfera, em uma escala que não era só dele. Agora, Peter encara os vilões verossimilhantes, conhece as dores que os outros Aranhas conheceram, se depara com uma dor que é só dele e que não pode delegar a outros heróis. E isso o torna um herói.

O filme marca – FINALMENTE – a emancipação definitiva do Homem-Aranha em relação a Tony Stark e mesmo dos outros Vingadores. É um herói com personalidade própria, com suas própria tragédias e escolhas. Aliás, tragédia extremamente necessária e que faz desse um dos filmes mais emocionais e fortes de todo MCU.

É enfim, no terceiro filme, que o novo Homem-Aranha nasce, pronto para seu novo ciclo. Mas, para isso, ele teve um excelente empurrãozinho, recheado de fan service.

Bendito Multiverso!

os vilões Electro, Homem-Areia e Lagarto

Ouvir os fãs pode ser uma roleta-russa – já vimos exemplos terríveis do que pode acontecer, como em Game Of Thrones. Mas, aqui, a Marvel pareceu ouvir as preces de seus seguidores e, por fim, tivemos as fantásticas aparições dos antigos Aranhas (filmes Sony), vividos por Tobey Maguire e Andrew Garfield, com uma participação espetacular. Além, claro, da aparição dos vilões Octopus, Lagarto, Electro, Homem-Areia e Duende Verde – todos interpretados pelos atores originais.

E aqui entram os elogios para o diretor Jon Watts e os roteiristas Chris McKenna e Erik Sommers. Trazer essa toda turma, ainda que houvesse contexto, poderia ser uma verdadeira bomba: sem uma boa direção e roteiro, a chance disto se tornar uma verdadeira salada sem nenhum tempero seria gigantesca. Mas tudo deu certo, muito certo.

Todos os vilões foram bem trabalhados e alguns como Electro, por exemplo, encontraram um desempenho mais positivo que em seu filme original. As atuações estão ótimas, com destaques para o Octopus de Alfred Molina e, especialmente, o Duende Verde de Willem Daphoe. A volta do vilão, talvez o mais perverso de todo o universo do nosso querido Miranha, é fantástica e vital à trama, e Daphoe dá um espetáculo de interpretação no revival daquele que talvez seja seu personagem mais icônico na carreira, ao menos no que diz respeito à cultura pop.

Willem Dafoe vive novamente o Duende Verde em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Agora, as aparições dos dois antigos Aranhas é um show de fan service positivo e rico à trama. Maguire e Garfield surgem na na narrativa no acaso da confusão, mas naturalmente tornam-se não só aliados, mas mentores do Peter deste mundo. Os dois Aranhas, mais velhos, ainda vivem com os fantasmas de suas tragédias, e através delas, ajudam Parker a enfrentar sua escuridão. Importante dizer que eles não são meros figurantes, e sim co-protagonistas da trama.

A química entre os três Aranhas é excelente, rendendo diálogos incríveis, algumas boas risadas e muitas, mas muita lágrimas. Além disso, rendem também um duelo épico com o quinteto de vilões, e os velhos Aranhas se veem novamente lidando com seus demônios enquanto ajudam a salvar o mundo. É uma sequência que se estende até o arco final tornando-o uma experiência absurda de empolgação para qualquer fã do Cabeça de Teia.

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa vale a pena?

Aconteceu: os três Aranhas do cinema se reuniram em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Como dito alguns parágrafos acima, o filme não é perfeito e, em seu arco inicial, parece assustar, ou melhor, não impressionar por dar a impressão de que será nada diferente dos dois anteriores. Mas ledo engano: as próprias falhas encontram seu propósito a partir do momento em que o longa abraça o multiverso.

Acima de um filme – e que baita filme de super-herói Marvel, vale dizer – Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é uma experiência. E, como experiência, é única e absoluta para o fã. A Marvel abraçou uma oportunidade de ouro e, em uma única produção, conseguiu homenagear todo legado do Homem-Aranha no cinema, corrigiu falhas de seus próprios filmes (e dos da Sony) e ainda conseguiu entregar um Aranha renascido, pronto para o próximo ciclo de filmes com toda pompa que o Amigo da Vizinhança merece.

Este é um filme para fã nenhum do Teioso botar defeito; pelo contrário, somente se permitir surtar e emocionar. Uma produção que honra 20 anos de Homem-Aranha no cinema e une gerações de espectadores do herói mais legal do mundo. Uma produção que honrou os atores que marcaram época nos filmes do Aranha, e permitiu a eles reviver isso de uma forma épica. E é um longa que, enfim, nos faz abraçar o Spider-Man de Tom Holland. Ficou claro, aqui, que o problema nunca foi o ator – que sempre se entregou muito ao papel, bem como seus colegas de elenco.

Ah, NÃO DEIXE DE CONFERIR AS CENAS PÓS-CRÉDITOS! São duas: a primeira pode indicar o teor do próximo filme do Miranha (e seu possível vilão) e, a segunda, um verdadeiro vislumbre do que por aí no Marvel Cinematographic Universe com Doutor Estranho 2.

E aí, na ansiedade para ver o filme? Se já viu, concorda com a resenha? Discorda? Não deixe de comentar!

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ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa
Escritor, publicitário, louco por esportes e entretenimento. Autor de A Última Estação (junto com Rodolfo Bezerra) e CEP e um dos fundadores do Meta Galáxia.
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