A origem de Morte de The Sandman

Morte de The Sandman
Morte de The Sandman | Imagem: DC Comics / Neil Gaiman

A origem de Morte de The Sandman

The Sandman é famosa obra de Neil Gaiman, e se popularizou ainda mais com a nova adaptação para série da Netflix. Uma de suas personagens mais importantes é a Morte, que certamente é uma das criações mais cativantes da cultura pop. Afinal, ela é dotada de uma simpatia contagiante e momentos marcantes desde o primeiro arco da história, Prelúdios e Noturnos (com a estreia em “O Som de suas Asas”, mais especificamente). Morte, uma dos Perpétuos de The Sandman e que aparenta ser apenas uma jovem gótica comum tem uma história de origem muito interessante. Venha conhecer!

A Origem de Morte

A personagem "Morte" em destaque na capa de Action Comics #894 (2010)
A personagem “Morte” em destaque na capa de Action Comics #894 (2010)

No livro The Sandman Companion, o autor britânico Neil Gaiman expõe os processos de criação de sua obra-prima. Ele começa pela criação dos personagens principais da trama, os Perpétuos, os sete irmãos que representam conceitos que regem o caminho da humanidade. Morte carrega em sua imagem a personalidade e aparência de uma mulher muito especial: a artista Cinamon Hadley.

O ano era 1987. Logo após uma ligação para Karen Berger, editora da DC Comics, o autor teve um momento de inspiração onde fez diversas anotações de palavras e frases a respeito dos personagens. A princípio, o autor pensou em apenas três irmãos, dois deles sendo o Sonho e a Morte. A ideia foi ampliada tempos depois ao criar também Delírio, Destino, Destruição, e os gêmeos Desejo e Desespero.

Partindo disto, Neil Gaiman também procurou quebrar o estereótipo da Morte presente em diversos aspectos sociais. Em primeiro lugar, uma figura predominantemente masculina aterradora, sombria, muitas vezes vestindo um capuz e portando uma foice? Não, não foi o que o autor procurou. Ainda mais que a ideia de um ser melancólico e byroniano já permeava a existência de Morpheus, portanto a irmã deveria ser diferente. Foi por meio de uma citação da Cabala que o autor definiu que Morte seria uma mulher e a mais viva dos Perpétuos:

A Cabala diz que o Anjo da Morte é tão lindo que, quando você a vê, se apaixona. E você a ama tão profundamente que sua alma deixa o corpo pelos olhos. Sempre achei essa ideia adorável.

(The Sandman Companion, p. 240.)

Dessa forma, ele precisava finalmente decidir a aparência da personagem. Algumas imagens em seu imaginário vieram da aparência da cantora alemã Nico, na capa do álbum Chelsea Girl (1967), e de Louise Brooks, atriz, modelo, dançarina e ícone da década de 1920.

Entretanto, Mike Dringenberg, seu amigo desenhista e co-criador do quadrinho junto a Sam Kieth, quem definiu o visual da Morte desde o início e ao longo dos treze arcos de Sandman. Além disso, também definiu como seriam Desejo, Desespero e Delírio.

Mike Dringenberg e uma inspiração especial: Cinamon Hadley

Esboço de Morpheus e Morte feito por Mike Dringenberg | Imagem: reprodução
Esboço de Morpheus e Morte feito por Mike Dringenberg | Imagem: reprodução

À principio, Mike imaginou a personagem como a antropomorfização da Decadência. Dessa forma, a personagem andaria por aí com partes de si e de suas vestes caindo aos pedaços. Sim, seria bem bizarro! Contudo, ao receber as orientações, esboçou o que viria a ser a aparência da Morte, tomando como inspiração principal sua amiga próxima, Cinamon Hadley:

O Sandman é um amálgama baseado em três ou quatro pessoas que conheci. A Morte é baseada, primeiramente, em Cinamon – uma dançarina de balé – mas também em algumas outras pessoas conhecidas. Minha namorada na época posou como a personagem em algumas ocasiões.
Ela era, tal qual Cinamon, magérrima. Aquele tipo físico que, se ela fechasse o punho, você poderia ver todos os músculos no braço dela. O treinamento de balé faz isso com a pessoa.

Passeando com o Rei dos Sonhos – Conversas com Neil Gaiman e seus Colaboradores, p. 82.

Literalmente, Cinamon Hadley possuía tudo que a Morte dos quadrinhos precisava: longos cabelos escuros com um corte incomum, vestes escuras, quarenta e dois piercings, a palidez e imaginação de se fazer e refazer todos os dias. Conforme com Mike, Cinamon tinha, de fato, um jeito de estrela em sua forma de ser.

Além disso, ela tinha um rosto amável e andava por aí carregando uma sombrinha preta. Performática? Bastante! Dizem que frequentemente Cinamon Hadley era vista com teias de aranha desenhadas pelo rosto, ou então vestes egípcias. E isso tudo quando ela não aparecia com os olhos pintados de preto como um guaxinim. Até mesmo o ankh, símbolo egípcio da vida e da fertilidade e, em outras culturas, da imortalidade, que é algo marcante no visual da Morte, veio dela:

O ankh foi mesmo ideia minha (de Mike), por duas razões. A primeira se originou de um verso no final do poema Yragael/Urm(Dragon’s Dream), de Philippe Druillet, que diz: ‘…Apenas mortais morrem para sempre’, verso que repeti na inscrição de um túmulo na página da morte no guia Who’s Who da DC.
E também, já que a Morte era uma Perpétua, e como Cinamon andava usando um pequeno ankh de prata – um símbolo da imortalidade e renascimento – achei que fosse um tributo adequado a uma bela ironia – digna daquela divindade, uma espécie de piada cósmica.

Passeando com o Rei dos Sonhos – Conversas com Neil Gaiman e seus Colaboradores, p. 82.
O desenho da Morte presente em “Estação das Brumas” e a foto de Cinamon que o inspirou | Imagem: reprodução
O desenho da Morte presente em “Estação das Brumas” e a foto de Cinamon que o inspirou | Imagem: reprodução

Ok, mas quem foi Cinamon Hadley?

Cinamon Lou Hadley nasceu em San Bernardino, 6 de novembro de 1969, filha de Greg e Patti Hadley, e era a filha mais velha entre quatros crianças do casal. Ela foi uma estilista, figurinista e bailarina norte-americana. A artista é considerada um grande ícone da moda gótica dos Estados Unidos. Tendo vivido nos palcos desde criança, ela logo se interessou pelo cenário do rock e o gótico. Aos 18 anos, ela entrou definitivamente no cenário alternativo do gótico e do death rock. Ela foi a inspiração do quadrinista Mike Dringenberg para a criação da personagem Morte, da série de quadrinhos Sandman, de Neil Gaiman. Infelizmente, ela faleceu em Salt Lake City, 6 de janeiro de 2018.

A adaptação em série de The Sandman está disponível atualmente pela Netflix. Quer saber se realmente compensa assistir? Então, confira tudo o que achamos em nosso portal: Resenha de The Sandman, nova série da Netflix. Confira também: Quem são os 7 perpétuos de The Sandman?

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