Capitão América Branco – Resenha

Loeb e Sale encerram a quadrilogia das cores da Marvel Comics com uma bela história de amizade forjada pelo heroísmo

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Resenha de Capitão América Branco, de Jeph Loeb e Tim Sale

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“Às vezes, não se consegue dizer tudo o que é preciso,

… antes de alguém que você ama morrer.”

Steve Rogers ao relembrar do seu grande amigo/irmão, Bucky Barnes

CAPITÃO AMÉRICA BRANCO – A QUARTA (E ÚLTIMA) PARTE DA QUADRILOGIA DAS CORES DA MARVEL COMICS

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O projeto das Cores da Marvel Comics estava chegando ao seu estágio final, pois já haviam sido lançados: Demolidor Amarelo, Homem-Aranha Azul e Hulk Cinza. Faltando assim, apenas um título: Capitão América Branco. Porém, diferente dos demais que saíram praticamente em sequencia um do outro, este teve seu primeiro capítulo lançado em 2008 (cinco anos após Hulk Cinza), e depois só seria retomado em 2015 para a conclusão do projeto.

E devido a todo esse tempo em hiato, para muitos, o projeto nunca seria finalizado. Mas felizmente, Jeph Loeb e Tim Sale conseguiram retomar a obra e ela foi concluída em 2016, e assim conseguiram fechar a quadrilogia. Outra grande questão que rodeava de Capitão  América Branco, era: será que depois de tanto tempo, a qualidade dessa saga se manteria em seu capítulo final?

A Premissa de Capitão América Branco

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Todos os três títulos antecessores tiveram como ponto de partida, as recordações dos heróis sobre alguém que lhes foi muito importante. O Demolidor foi Karen Page; o Homem-Aranha foi Gwen Stacy; o Hulk foi Betty Ross. O Capitão América, um pouco diferente dos demais não é movido por um amor digamos de “casal” como os anteriores, mas sim pelo amor de uma verdadeira amizade e parceria, representada pelo seu grande amigo e sidekick: Bucky Barnes.

A história vai abordar como se iniciou essa amizade e como eles se tornaram amigos dentro e fora dos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. E também as consequências disso para Steve Rogers, e em como ele tenta lidar com esse fardo. Já que ele carrega consigo a culpa de tudo o que aconteceu com o seu jovem amigo. O que perturba Steve é a uma questão: Seria certo mesmo levar alguém tão jovem e cheio de vida para o combate ao crime, e ainda mais para os horrores da Guerra?

A Amizade de Steve e Bucky

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Como dito acima, o principal foco da trama é desenvolver e nos mostrar o quanto a amizade de Steve e Bucky é preciosa. É isso é desenvolvido de uma maneira bem legal, pois Loeb e Sale vão nos contando isso usando os recordatórios de Steve, enquanto visitamos essa amizade nascendo dentro e fora dos campos de batalha.

Steve Rogers, que era um jovem franzino havia sido recusado para o exército diversas vezes, pois fora considerado inapto. E isso era um peso muito grande que ele carregava consigo, essa sensação de “não servir para nada”. Já que dentro do contexto da época, existia todo um cenário de propaganda e formação para que os jovens sentissem orgulho de poderem defender seu país em guerras, pois estariam lutando pelo o que é certo: pela paz e pela justiça. (esse é um ponto que voltaremos a falar mais à frente)

E a amizade dos dois nasce justamente pelo contexto da Segunda Guerra Mundial, onde ambos tinham o sonho de servir seu país. De serem heróis. Quando Bucky descobre o segredo do Capitão América, e ele pede para se juntar a ele, podemos notar o quão empolgado ele está em se tornar seu ajudante.

Laços de Amizade para toda a vida

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O Capitão América era um ídolo e motivação para todo os Estados Unidos e para os soldados que estavam lutando contra os nazistas. Conforme seus feitos eram registrados. eles davam aquele ânimo a mais para todos continuarem lutando. De tão heroico, muitos questionavam a veracidade do Capitão América realmente existir, ou se ele era apenas um “produto” de propaganda da Guerra.

Quando Bucky embarca nessa jornada, podemos notar toda a sua empolgação em fazer parte dessa história. Era o sonho de um garoto ao se tornar um herói. E com o passar do tempo essa relação de parceria vai ganhando mais significado, pois mesmo fora das lutas, no cotidiano, Steve e Bucky estão ligados. Um bom exemplo disso é que Steve, apesar de ser um símbolo como Capitão América, é totalmente deslocado ao tentar interagir com outras pessoas quando está sem seu uniforme e escudo.

Bucky é muito mais desenvolto nesse sentido, e aqui os papéis se invertem: é Bucky (mesmo sendo mais jovem) quem dá alguns direcionamentos a Steve, por exemplo, como ele deve abordar uma mulher e assim interagir com ela. Até mesmo assuntos mais tabus como a virgindade de Steve são postas aqui por seu amigo, mas de uma maneira muito sútil, que vai nos mostrando a cada página como a amizade deles, possui um laço muito forte, como verdadeiros irmãos.

E esse é o grande charme de Capitão América Branco, nos mostrar uma parceria que já bem conhecida, mas por novos pontos de vista que trazem ainda mais peso para essa dupla tão icônica.

Forjados pela Guerra

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O cenário do caos de uma Guerra também faz com que os soldados vejam em seus companheiros a imagem de irmãos. Pois ali, distante de suas famílias e amigos, os soldados tem apenas uns aos outros para se apoiarem e seguirem em frente, sempre com o sonho de poderem retornar para casa vitoriosos, e assim reencontrarem seus amigos ou famílias. E com Steve e Bucky, não foi diferente.

E esse é o grande acerto que Loeb e Sale fazem em Capitão América Branco, nos mostrar que mesmo em meio ao cenário da Guerra, permeado por mortes, perdas e tudo mais, ainda podemos encontrar uma amizade verdadeira nascendo. E tudo isso vai se fortalecendo ainda mais conforme a história avança  e novos personagens vão aparecendo como: O Comando Selvagem de Nicky Fury, e também um grupo de Francês de resistência, chamado de Cirque de La Révolution.

E na medida que esses grupos entram, fazem com que Steve e Bucky percebam que muitas coisas da Guerra não são tão simples, quanto pareciam na teoria. E isso vai mostrando a eles e a nós, que o cenário da Guerra pode ser imprevisível, e o quanto as amizades e laços podem ser de vital importância para a sobrevivência.

A Cor Branca

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Ao pesquisar sobre o significado da cor branca, podemos chegar a algumas opções. Ela pode representar pureza, segurança e equilíbrio. E também pode representar a paz, tanto que podemos nos lembrar da bandeira Branca quando um dos lados que estão em guerra decide se entregar! E por se tratar de uma HQ que fala sobre a Guerra, esse significado ganha mais relevância.

Dentro de Capitão América Branco, temos em alguns momentos, Steve se questionando sobre os rumos da Guerra e porque todo aquele campo de destruição e mortes. Que a Guerra não era como nos filmes e jornais, nada daquilo era só preto e branco, como o bem e mal. Mas com o passar dos acontecimentos, fica claro para Steve que a Guerra é permeada por questões muito mais complexas e humanas, que não podem ser apenas definidas assim. Tanto que ele se questiona se antes as coisas não eram “mais simples”?

E isso também pode ser reflexo de como o próprio país vendia a ideia da Guerra aos jovens. E ao chegarem nos campos de batalha não tem nada de bonito. Ver dois lados lutando, achando que estão certos em seus ideais, ver seus irmãos morrendo. É por isso que Steve passa a questionar seu papel na Guerra, já que ele veste a própria bandeira dos Estados Unidos. Seria certo incentivar os jovens daquela maneira a irem a Guerra? Já que um desses jovens, foi o seu parceiro Bucky, que acabou morto. Quantos outros “Buckys” poderiam estar assim?

Ou seja, o Branco do título pode ter a ver com a paz, com as cores da bandeira americana e também com o questionamento de conceitos em relação a guerra, bem / mal, e assim nos mostrando que nada é tão oito ou oitenta, existem entrelinhas nisso tudo.

Fica a pergunta: será que antes eram tempos realmente mais simples, ou, sempre foram assim?

Capitão América Branco, vale à pena?

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O último capítulo da quadrilogia das cores não decepciona, ou seja, Capitão América Branco é uma bela HQ que sabe retratar muito bem o amor da amizade de Steve Rogers e  Bucky Barnes. A obra tem um ritmo bacana, boas cenas de ação e conta com bons diálogos e recordatórios, que nos trazem novas perspectivas desses dois heróis que só queriam vencer a Guerra e estabelecer a paz.

O roteiro de Loeb acerta mais uma vez e mantém o tom das obras anteriores, retratando essa dor e saudade que os heróis sentem de quem lhes foram extremamente importantes em suas vidas. E mais uma vez, Tim Sale faz aqui mais um ótimo trabalho de arte, com belos recortes da guerra e os momentos fora dela também.

Capitão América Branco tem um narrativa bem certeira e transmite a mensagem que queria, o quanto uma amizade verdadeira pode vir a ser importante nas nossas vidas. E faz isso ao mesmo tempo que questiona o papel dos soldados na guerra, nos apresentando algumas nuances que trazem perguntas interessantes que podem nos fazer refletir. E anda traz a tona uma questão bem pontuada, que se aplica não só aqui, mas a diversos outros heróis: a responsabilidade (ou a falta dela) ao trazer heróis mirins para o combate ao crime. Será que é um preço que vale à pena pagar?


E assim fechamos as resenhas da quadrilogia da Marvel Comics. Esperamos que vocês tenham gostado de todas essas postagens, pois foi uma saga que vale a pena ser conferida, pois além do tradicional desses personagens, temos abordagens mais humanas e sentimentais acerca deles. Até a próxima e grande abraço!

(E assim como os demais títulos dessa saga, Capitão América Branco foi publicado recentemente pela Editora Panini Comics. Então fica a dica para você fechar a sua coleção caso venha a se interessar).

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