Chucky – 1° Temporada | Análise

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Brinquedo Assassino é uma franquia antiga. Ao longo das décadas diversas mudanças de tom e de script ocorreram. Chucky foi mudado, voltou as suas origens e assumiu o papel de trash bobo. A série veio para dar uma nova visão do personagem, uma oportunidade de uma diferente abordagem do potencial que o boneco possui. Todavia, ao escolher seguir seu roteiro central, Chucky 1° temporada acabou deixando escapar sua própria premissa bem apresentada no episódio de estréia.

Um bom começo…

Chucky começou como a maioria de seus filmes. O boneco vai parar nas mãos de algum azarado e começa a tocar o terror. Com cenas em com closes em seu rosto, mas sem mostrar efetivamente seus movimentos até o primeiro assassinato. O grande diferencial foi seu formato. Em seriado, a franquia tinha tempo de aprofundar mais seus personagens secundários e depender menos do boneco. Com isso, Jake foi o escolhido e por ser rejeitado por pais, familiares e não ter amigos, se tornou uma vítima em potencial de um tipo diferente de abordagem vinda da Chucky. O boneco, aproveitando a fragilidade do Co-protagonista, tentou convencê-lo a matar alguém.

A príncipio, a ideia soa solta. No fim, há uma explicação – que não gostei muito – para as motivações de Chuky. A premissa inicial indicava uma interessante abordagem de corrupção por parte de Jake e as consequências, dúvidas e tudo mais que isso poderia gerar na mente do garoto. Além disso, permitia uma abordagem ainda mais sádica do boneco em que ele se divertia fortemente em manipular Jake. O elenco secundário também permitia a série ter fôlego sem o boneco estar em tela.

…Aí veio a correria

Tudo mudou quando, ainda com potenciais a serem abordados, a série optou por correr com seu desenvolvimento para introduzir mais plots, só que menos interessantes. Jake e Lexa tinham uma rivalidade, uma briga interessante e ambos os personagens eram capazes de gerar mais conflitos, assim como o primo Junior e outros. Todavia, Mancini optou por trazer o cânone oficial da série, com os personagens dos filmes. Essa mudança prejudicou fortemente o roteiro, que passou a ter excesso de personagens e uma abordagem bem menos intimista e detalhada do que vinha tendo. Os flashbacks ficaram repetitivos e caíram no obvio. Havia mais potencial nos garotos e no jovem Charles Lee Ray, mas tudo foi jogado fora para Tiffany, Nica, Andy e cia ganhassem a tela.

Como eu disse anteriormente, o formato de série permitia um velocidade menor no trabalho dos elementos e plots, mas talvez Mancini tenha ficado com medo de não receber uma segunda temporada e resolveu jogar uma conclusão que envolvesse a trama central da franquia em meio a sua nova abordagem. Uma mistura que não ajudou nem os novos e nem os antigos personagens. Nisso tudo, o próprio Chucky saiu prejudicado, metido em situações bem menos agradáveis do que o comum. É impressionante como o boneco é tão característico que é quase possível vê-lo “desconfortável” em tela nos últimos episódios.

Em conclusão

Chucky 1° temporada demonstra um potencial imenso de uma abordagem diferente em seus primeiros episódios, mas, ao tentar misturar o novo e o antigo, falha. O roteiro de repente começa a correr, núcleos bons são sub-aproveitados e tudo cai bruscamente de qualidade. As atuações dos jovens são boas, mas Alex Vincent mostra porque não conseguiu uma carreira de sucesso apesar de seu bom trabalho nos dois primeiros filmes da franquia. O jovem Chucky interpretado por David Kohlsmith foi uma grata surpresa e que pena que não teve mais tempo de tela.

Em resumo, um grande potencial que não soube ter paciência. Talvez por medo de não chegar a sua segunda temporada, talvez pela qualidade inicial ter sido nada mais do que um lampejo criativo. Veremos isso na segunda temporada. Agora, com mais confiança de que sua série terá oportunidade, talvez Mancini entregue algo mais consistente em seu segundo ano. E aguardemos Chucky, porque ele continuará sendo nosso amiguinho… para sempre!

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