Hunter x Hunter (Mangá) – Volumes 1 e 2 – Resenha

Yoshihiro Togashi já começando mostrando que Hunter x Hunter é mais do que um shounen " de luta"

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Hunter x Hunter é um mangá da Shonen Jump que teve início em 1998 e continua em “andamento” até hoje (falaremos o porquê destas aspas mais à frente). É escrito e desenhado por Yoshihiro Togashi, o mesmo autor de Yu Yu Hakusho. O mangá conta com 36 volumes lançados até o presente momento no Japão. No Brasil a Editora JBC já publicou todos os volumes disponíveis, e recentemente a JBC começou uma reposição de Hunter x Hunter (já que faziam alguns anos desde o lançamento) pois muitos dos números já se encontravam esgotados.  Ela está repondo desde o primeiro volume e assim também disponibilizando uma modalidade de assinatura.

A obra contou com duas adaptações para anime (uma de 1999 e outra de 2011), assim como dois filmes também em anime. Isso você pode conferir no nosso guia de Hunter x Hunter

Os dois primeiros volumes do mangá que vamos resenhar, contém originalmente os capítulos 01 à 17.

Premissa de Hunter x Hunter

O ponto de partida de Hunter x Hunter é bem simples, onde temos o nosso protagonista Gon, que é uma criança muito simplória e até ingênua que mora em uma pequena ilha. Ao saber que seu pai (que ele acreditava estar morto) está vivo e é um Hunter, ele decide sair mundo afora atrás dele. Gon então parte em sua jornada para reencontrar seu pai à medida que também almeja seguir seus passos e se tornar um Hunter. Nesse caminho para conseguir a licença para ser um Hunter, Gon logo de cara encontrará mais dois personagens que serão extremamente importantes para a trama: Kurapika e Leorio. E um pouco mais adiante, também se juntará a eles o misterioso Killua, assim fechando o quarteto dos personagens principais.

Mas o que é um “Hunter”? No universo criado por Togashi, um Hunter são pessoas habilitadas que podem explorar diversos lugares do mundo, procurando por espécies de animais desconhecidos, tesouros, além de que, ser um Hunter possibilita a pessoa uma série de regalias e acessos que não são permitidos a pessoas comuns. E para se obter tal licença, a pessoa antes precisa passar no Exame Hunter.

O início do Exame Hunter e conhecendo um pouco dos personagens

Quando o Exame Hunter tem início (você já viu a nossa resenha desse arco no anime?), nos é apresentado que o processo contará com diversas etapas, desde o momento da inscrição. Ou seja, a todo o momento os personagens estão sendo testados. E isso é interessante, pois mostra como eles podem ser eliminados do exame com atitudes bem simples, como por exemplo, responder uma resposta errada, ou decidir pegar um caminho mais longo para o transporte até o exame Hunter. E não necessariamente perdendo em uma luta.

Como dissemos antes, logo no início do Exame Hunter, Gon acaba conhecendo Kurapika e Leorio, dois personagens importantíssimos.. Durante essa apresentação já é possível notar o quanto Togashi sabe trabalhar as personalidades de seus personagens, assim não os deixando genéricos e unidimensionais.

Killiua, Leorio, Kurapika e Gon.

Gon é ingênuo, sonhador e extremamente habilidoso. Ele tem instintos naturais que fazem toda a diferença em diversas situações de adversidade. Assim, onde ao invés da parte racional, o que vai contar muito é a parte do coração, Gon acaba se sobressaindo e mostrando que é muito mais esperto do que aparenta. E Gon por ser uma criança, age como tal em diversos momentos.

Kurapika: é um pouco mais velho que Gon, e tem um ar mais sério. É um personagem que quer se tornar um Hunter para conseguir vingar seu clã que foi dizimado pela famosa “Gen-ei Ryodan”. Extremamente inteligente e habilidoso, Kurapika é um dos pilares do time quando há uma decisão a ser tomada.

Leorio: é o personagem com um lado mais cômico, mas que também demonstra um enorme coração. Ele entra no exame Hunter para conquistar seu sonho, que é se tornar um médico (e para conseguir um pouco dinheiro, como ele “diz”). É o mais velho do grupo, mas há momentos em que isso não faz diferença alguma. É o mais temperamental do grupo.

Killua: Um pouco mais a frente em uma das etapas do Exame Hunter, o trio acaba conhecendo Killua, uma criança com a mesma idade de Gon, porém, com uma atmosfera totalmente diferente. Ele é praticamente o oposto de Gon, já que Killua é extremamente calculista e frio, reflexo de sua criação, já que ele nasceu em uma família de assassinos profissionais.  Apesar de ser o oposto de Gon, quando os dois estão juntos, Killua abaixa um pouco a sua guarda, assim agindo um pouco com seu lado “criança” nas brincadeiras com seu novo amigo.

Alguns dos primeiros diferenciais de Hunter x Hunter

Ao olharmos Hunter x Hunter em uma primeira visita, ele pode parecer realmente muito simples (e é no final das contas), porém mesmo no começo de sua obra, Togashi já começa a tecer algumas características que darão frutos mais a frente. Um exemplo disso, são os personagens. Cada qual tem sua característica e age como tal, e isso dá um peso enorme para a trama, pois assim é possível ir vendo as camadas de cada um, não os deixando apenas como simples estereótipos que um grupo de uma obra shounen tem que ter.

Mais a frente nos volumes que estão por vir, vamos perceber que ele deixa os personagens se desenvolverem, sem pressa, e dando espaço para cada um deles. Sem necessariamente focar apenas no Gon por ele ser o protagonista. Todos tem seu espaço e isso é muito importante, todo esse cuidado.

Outro ponto que já começamos a notar nesses dois volumes, é a construção do mundo de Hunter x Hunter. Togashi além desenvolver os personagens principais consegue ir construído todo o contexto em que eles estão inseridos. Um bom exemplo disso são algumas das primeiras etapas do Exame, onde já podemos notar toda as regras para os candidatos serem ou não aprovados. Não é apenas chegar lá e ver quem é o mais forte, um torneio de luta. Hunter x Hunter nos propicia muito mais do que isso.

Togashi, acertos e ressalvas

O mangaká Yoshihiro Togashi é um dos nomes mais aclamados do mercado de mangás, e não é à toa. O homem simplesmente tem Yu Yu Hakusho no currículo. E com Hunter x Hunter ele só provou que é um grande autor. E prova disso é que logo de cara as comparações com sua obra anterior são quase inevitáveis. Um shounen que conta com um grupo de quatro personagens principais. Será que Yusuke, Kurama, Hiei e Kuwabara, deixariam Togashi desenvolver novos personagens? A resposta é sim. Apesar de no início a comparação entre: Kurapika x Kurama, Leorio x Kuwabara e Killua x Hiei ser quase impossível de não se fazer, isso fica apenas no começo.. Pois, como dissemos antes, os personagens de Hunter x Hunter tem muita personalidade e com isso, eles têm sua própria voz. E isto não se aplica apenas aos protagonistas, pois o elenco de coadjuvantes e vilões, são bem trabalhados também, como é o caso do antagonista Hisoka, que é um dos personagens mais amados da obra.

E mais uma vez comparando com a sua obra anterior, o começo do Exame Hunter pode remeter ao lendário Torneio das Trevas de Yu Yu. E talvez até por isso, muita gente acabe não gostando tanto desse começo de Hunter x Hunter. Pois, por ser uma obra do mesmo autor, talvez já vamos com a mente e expectativas esperando uma porradaria entre os participantes em busca da licença para ser um Hunter. Mas Togashi subverte isso, pois em vários momentos, mesmo nesse início ele nos mostra que existem outras formas de se progredir com essas etapas de apresentação de personagens e evolução da trama.

As soluções não tão comuns que ele coloca em Hunter x Hunter são muito boas e criativas. É muito interessante ver isso, uma obra que sai um pouco da zona de conforto e busca novas alternativas para a resolução das provas e problemas durante o exame. Nestes dois volumes de Hunter x Hunter já podemos notar essas coisas, como por exemplo, a luta entre Gon contra Sedokan. Onde ambos estão com uma vela, e o resultado será decidido que a vela que apagar primeiro o competidor perde. A resolução desse embate é tão bacana e simples, e ao mesmo tempo muito inteligente.

Mas nem tudo são flores, se Togashi arrebenta na construção de personagens do mundo de Hunter x Hunter, ele peca em pequenas coisas, como a arte por exemplo. Em diversos momentos ao longo dos dois volumes podemos notar que a arte oscila. Há momentos muito bem detalhados e há outros que são bem simples, até demais. Dá impressão que faltou tempo, que arte foi corrida, pois fica destoante de outros quadros do autor. Não que isso prejudique a leitura, pois como dissemos, o trabalho do autor é incrível, porém ele peca um pouco nessa parte.

A outra ressalva, fica por conta da periodicidade do autor em relação ao lançamento de novos capítulos. Já faz um bom tempo que o mangá se encontra em hiato, e as perspectivas de volta não são nada animadores. Porém por muito tempo especulou-se que isso se devia a desleixo do autor, que preferia fazer outras coisas ao invés de focar no seu projeto. Mas depois foi divulgado que ele tem alguns problemas de saúde que o impedem de ficar muito tempo escrevendo e desenhando. Uma pena, pois todos queremos ver a conclusão de Hunter x Hunter. Torçamos para que ele melhore, e que os lançamentos voltem em algum momento.

A Edição da Editora JBC

A nova edição de reposição da JBC chega bem bonita. Conta com capa cartão, papel offset e cerca de mais ou menos 200 páginas, saindo pelo preço de capa de R$ 29,90 cada edição. Quanto a edição em si, ela está caprichada, com um acabamento bacana, com informações acerca dos personagens e boa diagramação. As capas ficaram lindas, e quando as edições são colocadas lado a lado na estante, ficam muito bonitas. Vai ser aquela presença para os colecionadores lombadeiros de plantão.

Mas temos que falar de um detalhe, que é a gramatura do papel. Por ser uma gramatura não tão alta, em algumas páginas é possível ver um pouco do outro lado, principalmente com páginas onde o traço está mais forte e carregado. E isso pode vir a atrapalhar um pouco a leitura para algumas pessoas. Isso não é um fator decisivo e que vai estragar a leitura, mas é um ponto que poderia ter sido revisto, e assim evitar algumas críticas e ressalvas nesse sentido. No mais a edição está excelente.

Vale a pena colecionar /ler Hunter x Hunter?

Hunter x Hunter é um dos grandes sucessos de todos os tempos da Shonen Jump, e isso não é à toa. Togashi conseguiu emplacar dois grandes sucessos. Hunter x Hunter é uma verdadeira obra-prima, que com o passar das edições só vai melhorando. Então, sim, vale a pena colecionar Hunter x Hunter. É uma obra que foge um pouco dos padrões shounen ao nos mostrar algumas possibilidades e caminhos bem interessantes e criativos em relação à algumas situações. A edição da JBC está muito boa e o preço está na média dos mangás lançados ultimamente. Então é uma boa chance de começar essa coleção, pois nessa reposição, já foram lançadas 6 edições e é possível ainda encontrar todas. Vale a pena demais embarcar nesse mundo de Hunter x Hunter e ver o que Togashi tem a nos oferecer.


E aí meu caro(a) leitor(a) do Meta Galáxia, espero que vocês tenham gostado da resenha. Caso não conheçam a obra, fica a dica desse mangá excelente. Logo mais traremos as resenhas dos volumes 3 e 4 de Hunter x Hunter continuando o arco do Exame Hunter.

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ANÁLISE CRÍTICA - NOTA
Hunter x Hunter (Mangá) - Volumes 1 e 2 - Resenha
Contador formado e atuante de profissão. Grande fã da cultura pop em geral. Amante da cinema, quadrinhos e animes, e através disso tentando entender um pouco mais da realidade através da ficção. Considero Os Cavaleiros do Zodíaco a melhor coisa já feita pela humanidade.

2 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente o problema do manga (como uma masterpiece pode ter problema?! xD) é o desleixo do Togashi em varias paginas, as vezes parece que ele mandou rascunhos pra publicar, por isso sou da opinião que os arcos que a Madhouse adaptou ficaram melhores do que no manga, por ser uma experiencia mais completa, com capricho em todos os quesitos. Claro que ter uma preferencia ao audio visual tambem ajuda eu ter essa visão, mas é um caso que fica muito na cara essa questão de experiencia (igual o anime de Shingeki no Kyojin).

    Sobre o manga em si, é uma pena que não teve mais popularidade que um certo manga que estreou no ano seguinte (embora eu tambem adore), ja que varios conceitos que esse manga pegou de inspiração (não quero dizer copia), não foram tão bem feitos como a “fonte”, mas querendo ou não o que mais vende são os battle shounens “raiz” de pancadaria, por ter mais apelo aos jovens. Claro, os hiatus do Togashi não ajudaram muito, e a falta de uma boa adaptação em anime naquela epoca pra aumentar a popularidade (o primeiro anime até que é bom, mas envelheceu mal), mas, pelo menos conseguiu criar uma grande base de fâs, principalmente de 2011 pra ca com o anime da Madhouse.

    • Exatamente, é até complicado apontar defeitos, mas esse ponto do “desleixo” do Togashi é meio que uma coisa que acaba pegando em uma parte ou outra. Mas a imersão é tão boa que a gente acaba passando. E concordo com a comparação a adaptação do anime x mangá, pelos pontos que você comentou.

      Quanto aos mangás shounen, tem alguns que bebem na fonte uns mais que os outros, que as vezes tornam as coisas até maçantes. Mas nos exemplos que tu citou, acho que foi bem por esse caminho mesmo pra ele não ter pego tanta popularidade, por não ter um anime que andasse “junto” e pelos hiatus extensos do Togashi.

      Confesso que gosto muito da versão de 99, acho que ela tem um charme ali. Tanto no design dos personagens, quanto no “clima”, dessa versão ser um pouco mais violenta. Mas inegavelmente pelo conjunto da obra, a versão de 2011 é superior.

      E obrigado pelo comentário, até breve nas próximas resenhas!

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