Frieren: Beyond Journey’s End dá uma reviravolta bem-vinda no conceito genérico de demônios

Muitas séries de anime usam arquétipos semelhantes para seus vilões característicos, mas Frieren vai além da norma ao adotar um conceito comumente usado.

Frieren: Beyond Journey’s End

Frieren: Beyond Journey’s End dá uma reviravolta bem-vinda no conceito genérico de demônios

Na série de anime de fantasia Frieren: Beyond Journey’s End, o vasto conhecimento e a habilidade mágica insuperável de Frieren não são alcançados da noite para o dia; são o resultado de incontáveis anos de treinamento intenso e obsessivo. Ou seja, em Frieren: Beyond Journey’s End, um indivíduo deve estar devidamente motivado para ser singularmente focado em se tornar poderoso, e Frieren é impulsionada pelo desejo de eliminar todos os demônios.

Os demônios são frequentemente retratados em diversas formas de mídia popular, mas sua representação em Frieren: Beyond Journey’s End é verdadeiramente refrescante. Nessa obra, os demônios não são meramente monstros horríveis sem consciência cognitiva. Ao contrário, são criaturas inteligentes e astutas, cuja capacidade mental reside em algum lugar entre a razão humana e o puro instinto animal. O ressentimento de Frieren em relação aos demônios é, sem dúvida, pessoal, mas também é alimentado por uma consciência aguda de sua inerente natureza maligna. Os demônios estão além da razão, independentemente de quaisquer tentativas de persuadir alguém do contrário. Cuidado, pois haverá leves spoilers. Atualmente, o anime está disponível na plataforma de streaming Crunchyroll.

A história pessoal de Frieren informa a verdadeira natureza dos demônios

Durante sua juventude, todos os habitantes da aldeia de Frieren foram dizimados por demônios. Mesmo retaliando, Frieren não conseguiu salvar ninguém e emergiu como a única sobrevivente do cruel ataque. A impotência vivenciada por Frieren nessa tragédia permaneceu com ela, moldando parcialmente sua incansável busca por magia e seu desejo de tornar-se mais poderosa.

Apesar de sua história dolorosa com demônios, Frieren demonstra respeito pela decisão de Himmel de poupar a vida de um demônio que havia tirado a vida do filho de um aldeão. Os moradores argumentam que executar esse demônio os colocaria no mesmo nível moral dos demônios que condenam. Essa perspectiva ganha ainda mais força quando, confrontado pelos aldeões, o demônio proclama: “Dói, mãe.” No entanto, fica claro que os aldeões e Himmel posteriormente percebem o equívoco de seu julgamento.

A ideia de que matar um demônio seria tão condenável quanto ser um desses seres é uma visão amplamente difundida na moralidade da vida real, refletida no ditado comum: “dois erros não fazem um acerto”. Nesse sentido, os aldeões não estão totalmente equivocados ao adotar essa postura, pois presumem que todos os seres capazes de expressar sentimentos por meio da linguagem devem seguir uma moralidade semelhante à dos humanos. Contudo, o que os aldeões falham em perceber é que os demônios não compartilham da mesma moralidade que os seres humanos. Essa dura realidade sobre a natureza dos demônios é finalmente revelada quando o mesmo demônio se volta contra os moradores, eliminando a família que o acolheu à primeira oportunidade.

Posteriormente, ao questionar o demônio sobre o uso da palavra “mãe”, apesar de conhecer a falta de valor que os demônios atribuem aos laços familiares, Frieren ouve dele: “Porque isso impede você de nos matar.” Essa afirmação é verdadeiramente trágica, destacando a profunda diferença entre demônios e humanos. Embora possam falar como humanos, os demônios carecem de raciocínio e empatia, utilizando a linguagem apenas como uma ferramenta para obter vantagem sobre suas presas.

Como o classismo demoníaco destaca suas diferenças (e semelhanças) com os humanos

A postura predatória adotada pelos demônios não se limita exclusivamente à humanidade. Na verdade, uma mentalidade de “só os fortes sobrevivem” permeia todos os aspectos do estilo de vida dos demônios. Dentro de sua própria sociedade, os demônios avaliam uns aos outros com base na força e no tamanho de suas auras de mana. Isso revela um claro ethos de “o poder determina o certo”, diferindo da visão de moralidade predominante entre os humanos. Enquanto estes constroem suas estruturas sociais com base na razão e suas relações sociais com base nos vínculos emocionais, os demônios valorizam apenas a força e o poder.

Frieren observa que as interações sociais entre os demônios não são tão distintas da maneira como a humanidade avalia suas próprias estruturas de classe. Ela explica que os humanos utilizam roupas elegantes e adotam comportamentos específicos para afirmar sua posição social em relação à sua riqueza material, enquanto os demônios, por outro lado, emitem suas auras de mana para demonstrar superioridade sobre outros demônios. Embora a forma de afirmar domínio seja certamente diferente, é inegável que o classismo desempenha um papel tanto para humanos quanto para demônios.

Frieren pode fazer essas comparações a partir de uma perspectiva externa devido à sua identidade como elfa, o que lhe permite reconhecer as ideologias subjacentes que cada raça geralmente não percebe de dentro. No entanto, apesar das semelhanças entre demônios e humanos, Frieren também reconhece algo intrinsecamente diferente nos dois grupos. Essa diferença inata é o que possibilita a Frieren estabelecer conexões emocionais com os seres humanos, algo que falta completamente nos demônios.

Como os demônios de Frieren diferem de outras séries

Os demônios apresentados em Frieren: Beyond Journey’s End possuem uma diferença fundamental em relação aos seres humanos, mas também se distinguem significativamente dos tipos de demônios encontrados em outras séries de anime. A principal distinção entre os demônios de Frieren e os de outros animes se torna evidente pelo fato de que eles utilizam a fala exclusivamente para ludibriar os seres humanos, não compartilhando verdadeiramente nada em comum com a humanidade.

Em outros animes, os demônios geralmente desempenham um de dois papéis: são bestas estúpidas agindo puramente por instinto animal, ou são seres inteligentes capazes de raciocinar, desde que seus objetivos pessoais estejam alinhados com os do inimigo. Como bestas estúpidas, os demônios são incapazes de usar a fala, tornando óbvia a sua diferença em relação à humanidade. No entanto, como seres inteligentes, eles compartilham mais semelhanças com os humanos do que a sua fisiologia sugere, podendo até mesmo desempenhar papéis heroicos em certas circunstâncias. Os demônios de Frieren ocupam uma posição intermediária entre esses extremos. São suficientemente inteligentes para se comunicar com os humanos, mas, em última análise, vivem de acordo com seus instintos básicos. Isso resulta em demônios que usam a fala como uma ferramenta para enganar os humanos, não como um meio de expressar sentimentos genuínos. Essa característica psicológica mais nítida destaca a diferença marcante dos demônios de Frieren em comparação com os monstros de outras séries populares de anime baseadas em demônios, como Demon Slayer.

Em Demon Slayer, alguns demônios, como Muzan Kibutsuji, podem não ser capazes de raciocinar, mas isso ocorre por razões completamente diferentes, além de sua composição genética. Muzan está emocionalmente distante e inalcançável, mas suas decisões ainda são moldadas por algum tipo de sistema de crenças pessoais. No entanto, ao contrário dos demônios de Frieren, alguns personagens em Demon Slayer, como Tanjiro, conseguem se conectar emocionalmente com demônios após derrotá-los. Tanjiro busca compreender as razões que os levaram a se tornarem demônios, ajudando-os a reconciliar seus problemas antes de seu falecimento. Em contrapartida, os demônios de Frieren carecem completamente dessa capacidade de conexão, limitando sua comunicação apenas ao necessário para atingir seus próprios objetivos, sem intenção de estabelecer laços mais profundos.

Os demônios de Frieren se encaixam perfeitamente em seus temas

De maneira intrigante, a singularidade dos demônios em Frieren: Beyond Journey’s End permite que a série explore mais profundamente um de seus temas centrais: “o que significa ser humano”. Torna-se desafiador determinar o que qualifica como essencial para a humanidade quando algo como a fala humana não é suficiente para distinguir os humanos de outras criaturas.

À primeira vista, a diferença na forma de comunicação entre demônios e humanos parece residir no fato de que os humanos falam com o intuito de expressar sentimentos e se conectar uns com os outros, enquanto os demônios utilizam a fala exclusivamente para enganar e manipular com objetivos egoístas. Contudo, como observado por Frieren, a humanidade não difere tanto dos demônios, pois sua sociedade gira em torno da demonstração de poder sobre os outros. A distinção não está apenas na suposta civilidade da humanidade em comparação com os demônios, mas na capacidade dos humanos de cuidar e compartilhar uma ligação emocional, independentemente do meio de comunicação. A fala, em particular, é apenas um método de comunicação que permite a conexão entre os seres humanos.

A premissa inicial de que os demônios em Frieren: Beyond Journey’s End são criaturas antipáticas e insensíveis que usam a fala humana apenas para enganar se alinha perfeitamente com o objetivo final de Frieren de compreender mais sobre a humanidade. A diferença inerente nos demônios destaca claramente que há algo especial em ser humano. Essa distinção vai além da simples civilidade ou da capacidade de inteligência para comunicar por meio da linguagem. Frieren descobre que a verdadeira essência da humanidade é um conceito onde as palavras podem ser completamente insuficientes para comunicar, e a compreensão genuína emerge por meio de experiências compartilhadas.

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