Mulheres são maioria entre o público gamer – mas não somos protagonistas!

Mulheres são maioria entre o público gamer - mas não somos protagonistas!
Imagem de Silvo Bilinski por Pixabay

Mulheres são maioria entre o público gamer – mas não somos protagonistas!

Certamente, há temas e discussões que nunca me cansam. Qual o melhor Pokémon? Por que Loki é um de meus vilões favoritos? E principalmente o tema: nós, mulheres gamer, e o porque de não sermos ainda protagonistas nesse mundo.

Quando fala-se que mulheres são maiora entre o público gamer, é comum o achismo que “isso foi tirado das vozes da nossas cabeças”, sendo que na realidade há pesquisas diversas sobre isso. Quando eu trouxe o texto A trajetória das mulheres nos esports, eu já trouxe algumas dessas pesquisas. Nesse texto expecífico, eu trouxe o portal Terra; nele mostra que temos no público gamer 53% de mulheres, e isso é dado da Pesquisa Game Brasil (PGB) divulgada em junho de 2020 (acesse a referência aqui).


Inclusive, acham zoado absurdo quando eu digo que na minha família, todos são gamers – inclusive eu mesma, minha mãe e até a minha avó. Cara, foi na geração da minha mãe que começaram a lançar franquias como The Legend of Zelda! Por que é tão estranho ela jogar videogame, ou a mãe de outras pessoas terem jogado ao menos em suas adolescências?

É uma onda estranha, como se mulheres não pudessem ter acesso a diversão e a cultura; não precisa especificamente gostar de videogames, mas por que a estranheza com mães que gostam de cultura em um modo geral? É nessa coisa de “isso é para homem e pronto” que existe tanta disparidade de salários, a falta de representatividade e de oportunidades em relação aos homens. Não muda no mundo gamer.

Carol Shaw, criadora do jogo River Raid
Carol Shaw, criadora do jogo River Raid

Breve história da mulher no mundo dos jogos eletrônicos

O ano era 1970. Nesse mesmo ano, havia o lançamento do Magnavox Odyssey, conhecido como o primeiro videogame da história. Já em 1978, Carol Shaw se tornou a primeira mulher a participar da programação de um jogo. Contudo, era a única mulher em sua equipe; então ela ouvia tudo que era tipos de comentários que você puder imaginar.

Mesmo com colegas preconceituosos e com os comentáriios chatos, ela tornou-se um grande sucesso em 1982 com a criação de River Raid, um dos jogos mais famosos da história, para o Atari 2600. Na época, o jogo vendeu “apenas” um milhão de cópias. Com Carol Shaw de inspiração, muitas mulheres ingressaram na indústria dos jogos eletrônicos. Entretanto, o aumento de representatividade feminina foi um processo super lento. Ainda é algo a ser melhorado; atualmente, vemos mulheres nos mais diversos projetos, mas agora que está chegando perto da quantidade ideal.

Dessa mesma forma, as personagens femininas no mundo dos jogos eletrônicos aumentaram bastante. Nem todas as representações acontecem da maneira ideal, pois ainda há uma hiperssexualização das personagens femininas. Detalhe: as personagens femininas (não apenas nos jogos, mas nos animes também) são super sexy; contudo, cadê essa mesma sensualidade nos personagens masculinos? Não tem, né?

Mulheres são sim maioria entre o público gamer!

Anteriormente, nesse mesmo texto, eu já coloquei uma pesquisa que comenta a quantidade de mulheres dentro do público gamer. Além disso, há a Pesquisa Gamer Brasil 2021, onde 72% dos entrevistados disseram ter o costume de jogar. Entre eles, as mulheres representam cerca de 51,5% do público de jogos eletrônicos do país. Ou seja, quando eu digo que mulheres são maioria do público gamer, é com embasamento nessas pesquisas!

“Ok, mas por que parece não ter isso tudo de garotas nos jogos eletrônicos?”

Há dois motivos básicos. Em primeiro lugar, não existe apenas jogos online. Há mulheres que preferem jogar um Resident Evil 4 ou um Fatal Frame no PlayStation 2, ou qualquer outro jogo offline que ela considerar interessante. Você não vai encontrá-la facilmente, de fato; ela precisaria falar de seus jogos favoritos nas redes sociais e talvez você ter a sorte de conhecer essa gamer!

Em segundo lugar, muitas mulheres preferem usar jogos masculinos em jogos online. Claro, não é regra, mas muitas se sentem confortáveis dessa forma; afinal, se passando por rapazes, elas sofrem menos assédio. Muitas vezes, a gente só quer jogar um League of Legends ou World of Warcraft em paz. Pessoas, entendam: se nós mulheres quisermos arrumar namorados, a gente instala o Tinder no celular ou entra naqueles clubes específicos de relacionamento. Jogos eletrônicos, a gente instala é para jogar mesmo!

“Ok, isso é estranho”, mas estranho por que? Homens e mulheres não podem ter acesso à cultura e à diversão da mesma forma? Além disso, mulheres estão se destacando no PUBG MOBILE, mostrando que há espaço para a diversidade.

Criadoras de jogos eletrônicos

Pixel Ripped 1989

Nem sempre ficamos sabendo, mas há alguns jogos independentes que foram criados exclusivamente por mulheres. Esse é um tópico que não vou me demorar muito, mas acredito que seja importante enfatizar que já há jogos criados por mulheres. É só você conferir depois em nosso texto: Conheça 5 games indie criados por mulheres.

Sistema de apoio feminino

Recentemente, eu descobri que há grupos na internet que são focados na criação de um espaço seguro para mulheres que estão inseridas no mundo dos videogames. Obviamente, ainda não conheço bem todos esses grupos, mas ainda assim eu gostaria de divulgar uma A subcomunidade no Reddit: A place for gamers who also happen to be women, probably (reddit.com). A comunidade está no idioma inglês; se você conhece ao menos um mínimo da língua inglesa, então dê uma conferida na comunidade! Você poderá gostar e conhecer pessoas que também gostem de jogos e cultura geek em geral!

Além disso, se você participa de alguma comunidade assim, pode divulgá-la nos comentários! Dessa forma, você divulga a sua comunidade e ajuda uma outra mulher gamer a se sentir bem vinda. Para finalmente conseguirmos protagonizar o mundo gamer, precisamos dessa parceria!

Goiana. Arqueóloga, focada em Educação Patrimonial. Redatora. Escritora. Apaixonada pela Cultura Brasileira e pela Cultura Geek. Cosplayer nas horas vagas gótica e gamer. Aqui no Meta Galáxia, colaboro com matérias sobre o universo geek: notícias, entrevistas com cosplayers, listas de filmes e animes, análises de animes e jogos, curiosidades e muito mais!

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